segunda-feira, 25 de julho de 2016

Cientistas encontraram mulher “mutante” com um novo tipo de receptor de cor

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Os neurocientistas no Reino Unido anunciaram ter descoberto uma mulher que tem um tipo extra de célula cone – as células receptoras que detectam as cores – em seus olhos, após mais de 25 anos de pesquisa.


Para os cientistas, ela está no grupo chamado de “tetracromatas” e consegue enxergar 99 milhões de cores a mais do que o resto de nós. De acordo com a pesquisa, a maioria dos seres humanos são “tricromatas”, que significa ter três tipos de células cone nos olhos.


Cada tipo de célula cone é capaz de distinguir cerca de 100 tons, por isso, quando você leva em conta todas as possíveis combinações destas três células cone, significa que podemos distinguir cerca de 1 milhão cores diferentes.


Identificada apenas como cDa29 (para preservar sua imagem), os cientistas encontraram há dois anos, essa mulher categorizada como “tetracromata” e para eles, há mais seres humanos como ela no mundo. A primeira pesquisa sobre tetracromatas foi realizada pelo cientista holandês HL de Vries, em 1948, que descobriu algo curioso nos olhos de pessoas daltônicas.


Enquanto os homens daltônicos só possuem duas células cone normais e uma cone mutante, que é menos sensível à luz verde ou vermelho, ele apresentou em sua pesquisa que as mães e filhas dos homens daltônicos tinham um cone mutante e três cones normais. Isso significava dizer que eles tinham quatro tipos de células cone, mesmo que apenas três estavam trabalhando normalmente.



Apenas em 2007, a neurocientista Gabriele Jordan, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, decidiu apostar em uma nova pesquisa para aprofundar o conhecimento. Ela levou 25 mulheres que tinham um quarto tipo de célula cone, e as colocou em um quarto escuro. Olhando para um dispositivo de luz, três círculos coloridos de luz brilharam e foram acionados diante dos olhos destas mulheres. Para um tricromata, todos eles pareciam o mesmo, porém Jordan acredita que um tetracromata é capaz de distingui-los com a ajuda de seu quarto cone.


Segundo a pesquisadora, o mais curioso é que a maioria dos verdadeiros tetracromatas nunca irão precisar usar seu quarto tipo de célula cone, e por isso dificilmente vão perceber que possuem uma visão especial. Jay Neitz, um pesquisador da visão da Universidade de Washington, que não esteve envolvido no estudo, acredita que as cores que usamos são tão limitadas que a quarta célula cone nunca é usada.


A pesquisa sobre cDa29 não foi publicada ainda e Jordan continua seu experimento para procurar mais tetracromatas. Há muito mais trabalho a ser feito e os resultados de Jordan precisam ser explorados, mas os resultados da pesquisa auxilia os cientistas a descobrirem ainda mais sobre o funcionamento da visão.



[ Discover Magazine ] [ Foto: Reprodução / Alessandra Celauro / Flickr ]

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