sábado, 24 de junho de 2017

Jardins flutuantes ajudam a produzir plantas e despoluir canal em NY



 
 
 
 
O sistema funciona como uma esponja de poluição, limpando a água, ao mesmo tempo em que oferece espaço para cultivo.

 
 
O canal de Gowanus é um dos mais poluídos de Nova York. Para mudar esta situação, um movimento tem trabalhado em ações que envolvem a comunidade em iniciativas de conscientização e novas tecnologias. Como parceiro neste trabalho, o escritório de design urbano Balmori Associados criou jardins flutuantes que ajudam a reter a poluição do recurso hídrico.
 
 
 
O projeto, apelidado de GrowOnUs age como uma esponja de poluição, limpando a água, ao mesmo tempo em que proporciona espaço para abrigar espécies selvagens nos arredores da cidade.
 
 
 
A estrutura é feita a partir de um tubo de metal, transformados em pequenos jardins. De acordo com o escritório, estes tubos utilizados são os mesmos que transportam o esgoto que vai parar no canal. A diferença é que, neste caso, ele transporta a solução, ao invés do problema.
 
 
 
Ao todo são usados 54 tubos, que recebem diferentes tipos de plantas (foram selecionadas mais de 30 espécies para esse projeto) que ajudam a melhorar a qualidade da água naturalmente. Além disso, eles são equipados com diversos materiais flutuantes e que também auxiliam no processo de limpeza hídrica, como fibras de coco, bambu, micélio e fibras de plástico reciclado.
 
 
A rega das plantas também é um experimento, em alguns tubos elas são alimentadas com a própria água do canal, em outros pelo aproveitamento da água da chuva e também por um sistema de evaporação que ajuda a dessalinizar a água salobra do canal. O projeto está funcionando como um teste, para que seu desempenho seja avaliado e sua eficiência estudada para que no futuro essas estruturas também sirvam como opções para a produção de alimentos.
 
 
Fonte: Ciclo Vivo

Plantio coletivo neste domingo terá atrações especiais para a criançada

quarta-feira, 21 de junho de 2017


Além do plantio de 300 árvores, o evento contará com oficinas e atividades para toda a família.






Todo mundo sabe da necessidade urgente de termos mais verde nas nossas cidades. São Paulo, principalmente, sofre bastante o impacto da impermeabilização de seu solo e da falta de árvores em ruas, praças e parques. Pensando nisso, diversos defensores do verde se uniram para recriar um novo reduto da Mata Atlântica.





O evento contará com atividades especiais para as crianças que terão a oportunidade de se sujarem, botarem a mão na terra e ainda ajudarem a transformar o local em uma futura floresta.





Serão plantadas pelo menos 300 árvores em um plantio coletivo que será realizado no próximo domingo (25/06). O plantio será realizado no Parque Cândido Portinari (ao lado do Parque Villa-Lobos) e qualquer um pode participar, quanto mais apoio melhor.





O evento foi organizado pelo coletivo Novas Árvores por Aí, pelo ambientalista Sergio Reis e conta com o apoio do botânico Ricardo Cardim, que desenvolveu o sistema “Floresta de Bolso” no Brasil.





Durante o plantio, serão realizadas diversas oficinas e atividades sobre educação ambiental, principalmente para as crianças, entre as atrações estão:





– Oficina para a construção de pequenos guardiões da floresta em argila que serão colocados próximos entre as árvores, como símbolo de proteção;




– Oficina de bombas de sementes para as crianças. As crianças irão ajudar a preparar as bombas com sementes e argilas e depois irão jogá-las em meio à nova floresta;



– Oficina de plaquinhas, onde as crianças irão escrever mensagens, seus nomes ou fazer um desenho para espalhar pela floresta;



– Plantio de flores e sementes, já inserindo a criança no cuidado e importância com a terra;



– Oficina de brinquedos feitos com materiais recicláveis.



– Oficina de desenvolvimento de proteção anti-anelamento de árvores com garrafas PET.



– Exposição e bate-papo sobre os ODS, Objetivos do Desenvolvimento Sustentável criado pela ONU para que possamos viver em um mundo melhor e mais justo.



Um dos parceiros do plantio é a iniciativa Árvore Generosa, cujo objetivo é plantar uma árvore para cada criança que nasce na cidade de São Paulo.



Serviço:



Plantio – Floresta de Bolso Parque Cândido Portinari


Local: Parque Candido Portinari – Av. Queiroz Filho, 114, São Paulo – SP
Data: 25/06/2017
Horário: 10h – 14h



Para saber mais acesse a página do evento no Facebook (veja aqui).



Fonte: Ciclo Vivo

Regeneração natural é estratégia para a restauração florestal de baixo custo




segunda-feira, 12 de junho de 2017


Estudos da Agroicone mostram que proprietários de terras com alto e médio potencial de regeneração podem se valer desta alternativa




A agenda de restauração florestal vem ganhando força no Brasil, especialmente por conta da nova lei florestal brasileira – que completa cinco anos em 2017– e que traz um grande desafio aos produtores rurais: manter a sua atividade agrícola combinada com a conservação ou restauração de vegetação nativa em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs).




Essa incumbência, que não resulta apenas no cumprimento do Código, mas caminha lado a lado com os objetivos globais em prol do controle da mudança do clima, pode contar com alternativas de baixo custo extremamente efetivas.




De acordo com o estudo Restauração Florestal em Cadeias Agropecuárias para Adequação ao Código Florestal da Agroicone, as áreas podem ser recompostas pelo plantio de mudas, semeadura direta e regeneração natural, ativa e passiva. “Além de plantar mudas de espécies nativas, o produtor poderá escolher outras formas de restauração, considerando o diagnóstico da área e os recursos disponíveis.  Nosso estudo apresenta os custos das diferentes técnicas, em diferentes condições e regiões do País. São informações-chave para desenhar estratégias de fomento a restauração florestal”, afirma Laura Antoniazzi, coordenadora do trabalho.


A regeneração natural, ativa e passiva, são técnicas de baixo custo que podem ser aplicadas somente em áreas com alto e médio potencial de regeneração, ou seja, nos locais com quantidade e riqueza de espécies nativas. “A regeneração natural passiva, que não possui nenhuma intervenção humana, apresenta custo zero. Basta que o produtor realize o cercamento da área, no caso de haver animais ou outros agentes de degradação, e espere a ação da natureza. Já a ativa necessita de investimentos para a contenção de plantas invasoras que impedem o crescimento das espécies que cresceriam naturalmente”, destaca.


É importante ressaltar que o estudo realizou o levantamento de custos de restauração florestal em quatro regiões do País – Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bacia dos Tapajós, Matopiba e São Paulo. Nesta última, por exemplo, os valores envolvidos na regeneração natura ativa, semeadura direta e plantio de mudas foi, respectivamente, de R$ 902, R$ 3.585 e R$ 8.349 por hectare, em condições planas.



Em linhas gerais, o estudo aponta que em comparação com as demais técnicas disponibilizadas para a restauração florestal, a regeneração ativa (em áreas de médio potencial de regeneração) possui um custo médio até quatro vezes menor do que a semeadura direta e até dez vezes menor que o plantio de mudas.



Como complemento à análise, tendo em vista melhor informar todos os interessados na cadeia agropecuária de restauração, a Agroicone lança o Guia de Plantas da Regeneração Natural do Cerrado e da Mata Atlântica. “A ideia deste guia é despertar o olhar de produtores rurais, técnicos e restauradores de campo para a regeneração natural como mais uma técnica de restauração”, relata o autor Paolo Sartorelli.




A publicação apresenta 102 espécies nativas, entre árvores, arvoretas, arbustos, subarbustos e palmeiras, que crescem espontaneamente ao nosso redor. “Pelo menos 12 milhões de hectares precisam ser reflorestados no País. Por isso, análises de custos de restauração florestal e guias de espécies nativas, destacando suas ocorrências e principais características, são contribuições não apenas para ações privadas, mas, principalmente, para o embasamento de políticas públicas”, finaliza Laura.



Os estudos estão disponíveis para download gratuito no site do INPUT (Iniciativa para o Uso da Terra). Para mais informações, acesse:

Sobre a Agroicone



Fundada em 2013, pela união de um grupo de especialistas do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE) que, desde 2003, produz estudos e pesquisas aplicadas e promove debates qualificados em temas do agronegócio brasileiro e mundial. A Agroicone atua nas áreas de economia agrícola, bioenergia, conservação ambiental, comércio e negociações internacionais, trabalhando junto ao setor privado brasileiro e com diversas organizações internacionais de pesquisa e de políticas públicas.



Mais informações: www.agroicone.com.br

Fonte: Envolverde

Documentário: O plástico está cobrindo e destruindo nosso planeta

sexta-feira, 16 de junho de 2017


Plástico é uma invenção maravilhosa porque dura bastante – e uma invenção terrível pelo mesmo motivo. Mais de 300 milhões de toneladas serão produzidas este ano.
 
 
A maioria nunca é reciclada e permanece em nossa terra e nos nossos mares para sempre. Os detalhes nesse documentário.


 
Fonte: EcoDebate

Como as telas sensíveis ao toque ficarão melhores


Novo material para telas sensíveis ao toque
Além de ser mecanicamente flexível, o novo material apresentou propriedades antirreflexo excepcionais. [Imagem: IFCO]
Óxido de índio-estanho
Parece que finalmente surgiu um material capaz de não apenas rivalizar, mas eventualmente desbancar, as películas condutoras transparentes responsáveis pelo funcionamento das telas sensíveis ao toque.
A tecnologia responsável por viabilizar os smartphones, tablets e vários outros aparelhos sem teclados físicos é conhecida como ITO, sigla de óxido de índio-estanho (Indium Tin Oxide), o material usado para fazer as películas que permitem que as telas detectem os toques que controlam os aparelhos.
Por mais eficiente que seja, o semicondutor ITO tem suas desvantagens: ele é caro e tem pouca flexibilidade mecânica, o que exige que ele seja processado sob altas temperaturas, encarecendo também o processo produtivo.
Por isso tem havido uma corrida para desenvolver alternativas, corrida esta impulsionada por um prêmio nada desprezível: encomendas de uma indústria que movimenta centenas de bilhões de dólares.


Antirreflexo
Rinu Maniyara, trabalhando no Instituto de Ciências Fotônicas (ICFO), na Espanha, assumiu a dianteira apostando nos filmes metálicos ultrafinos, ou UTMFs (UltraThin Metal Films) - outros competidores estão trabalhando com AZO (óxido de zinco dopado com alumínio), nanotubos de carbono, nanofios metálicos, polímeros condutores e grafeno, entre outros.
Maniyara desenvolveu um processo que opera a temperatura ambiente para produzir filmes metálicos transparentes de múltiplas camadas, o que permite obter todas as funcionalidades apresentadas pelo ITO.
Como ganhos extras, além de ser mecanicamente flexível, facilitando sua fabricação e montagem nos aparelhos, o novo material apresentou propriedades antirreflexo excepcionais.


Quatro vezes melhor que ITO
O material é formado por três camadas: um filme de prata condutor, uma camada de óxido de zinco dopado com alumínio e uma camada de revestimento de dióxido de titânio, cada uma com espessuras precisamente calculadas.

Usando interferência destrutiva, os pesquisadores mostraram que a estrutura multicamada apresenta uma perda óptica de aproximadamente 1,6% e uma transmissão óptica maior do que 98% no visível - o que é nada menos do que quatro vezes melhor do que o ITO.


Devidamente patenteado, o processo agora entra na fila de análise da indústria rumo à sua adoção.

Bibliografia:

An antireflection transparent conductor with ultralow optical loss (<2 %) and electrical resistance
Rinu Abraham Maniyara, Vahagn K. Mkhitaryan, Tong Lai Chen, Dhriti Sundar Ghosh, Valerio Pruneri
Nature Communications
Vol.: 7, Article number: 13771
DOI: 10.1038/ncomms13771

Lâmpada derivada de mineral natural brilha como o Sol


Lâmpada derivada de mineral natural brilha como a luz do Sol
A hackmanita sintética tem um espectro de emissão similar ao da luz do Sol. [Imagem: University of Turku]
Hackmanita
Químicos sintetizaram um material, baseado em um mineral natural chamado hackmanita, que não apenas produz luz branca de largo espectro - luz de melhor qualidade do que a emitida pelas lâmpadas e LEDs atuais -, como também pode continuar brilhando depois que a energia for desligada.


Quem está por trás desse avanço é o brasileiro José Carvalho, atualmente desenvolvendo pesquisas na Finlândia por meio de um convênio entre a Universidade de Turku, a USP e o CNPq.


A hackmanita natural é uma variedade da pedra semipreciosa sodalita, um silicato de sódio e alumínio com cloro (Na4Al3(SiO4)3Cl). Ela possui uma característica conhecida como tenebrescência, ou fotocromismo reversível, a capacidade de mudar de cor quando exposta ao Sol, retornando à cor original quando volta para o escuro.


Já a hackmanita sintética produzida por Carvalho e seus colegas é um material de baixo custo, contendo apenas materiais abundantes e não-tóxicos, que emite uma luminescência mais próxima da luz solar do que a dos lantanídeos atualmente utilizados em lâmpadas.
"O menor custo do material também é uma grande vantagem em aplicações para diagnósticos [médicos], já que os lantanídeos atualmente utilizados são caros. Por causa de sua luminescência persistente, a hackmanita não exige espectrômetros temporizados caros para medir a luminescência," disse o professor Mika Lastusaari, coordenador do trabalho.


Lâmpada de brilho persistente
O grande sonho de todas as lâmpadas é imitar a luz solar. Atualmente, tanto as lâmpadas fluorescentes quanto os LEDs produzem luz branca com materiais luminescentes à base de lantanídeos, um grupo de elementos químicos do grupo 6 da tabela periódica.


Contudo, o uso de lantanídeos é problemático. Por um lado, eles são caros e seu preço pode variar muito; por outro lado, eles não produzem o mesmo amplo espectro da luz do Sol. Por isso a luz branca é produzida com lantanídeos misturando três cores primárias de espectro estreito, ou seja, vermelho, verde e azul.


"A hackmanita que desenvolvemos pode ser usada em lâmpadas comuns, como um fósforo de componente único para produzir luz branca natural. Como bônus, as lâmpadas de hackmanita continuam a brilhar mesmo depois de uma falha de energia, sendo assim adequadas para sinais de saída e emergência," disse Lastusaari.


Para um produto comercial, será necessário ser criativo com esse efeito de "brilho retardado" - uma lâmpada que se apague suavemente teria um apelo mercadológico, mas outra que fique teimosamente brilhando muito tempo depois que você desligou o interruptor provavelmente não faria muito sucesso.

Bibliografia:

Lanthanide and Heavy Metal Free Long White Persistent Luminescence from Ti Doped Li–Hackmanite: A Versatile, Low-Cost Material
 
Isabella Norrbo, José M. Carvalho, Pekka Laukkanen, Jaakko Mäkelä, Fikret Mamedov, Markus Peurla, Hanna Helminen, Sari Pihlasalo, Harri Härmä, Jari Sinkkonen, Mika Lastusaari

Advanced Functional Materials
Vol.: 27, Issue 17
DOI: 10.1002/adfm.201606547
10.1002/adfm.201606547

Planeta Dez: Dados indicam mais um planeta no Sistema Solar


Planeta 10
Visualização artística do gelado Planeta Dez, que ainda deverá ser observado diretamente. [Imagem: Heather Roper/LPL]
Quintal desconhecido
Depois dos indícios da existência de um nono planeta no Sistema Solar - o ardentemente procurado Planeta Nove - agora novos dados indicam que o Sistema Solar pode ser ainda mais populoso do que se pensava.

Kathryn Volk e Renu Malhotra, da Universidade do Arizona, nos EUA, acabam de encontrar indícios da existência de um décimo planeta em nosso sistema - o Planeta Dez.
Os indícios surgiram quando as duas astrônomas rastreavam as regiões além de Netuno, no chamado Cinturão de Kuiper, que começa a partir das 55 unidades astronômicas (ua) - ou seja, 55 vezes mais longe do que a distância do Sol à Terra. Foi uma onda de descobrimento de um grande número de corpos celestes poucos brilhantes nessa região que ajudou a desclassificar Plutão como planeta.


Planeta Dez
Volk e Malhotra rastrearam vários objetos nessa região e verificaram que vários deles descrevem órbitas anômalas, com uma inclinação orbital de oito graus em média. Os efeitos observados, segundo elas, só podem ser explicados pela presença de um outro corpo celeste de grandes dimensões - um planeta.

"Não é o que esperaríamos se os únicos planetas do Sistema Solar fossem aqueles que já conhecemos. Isto significa adicionar um novo planeta - o Planeta Dez, assumindo que o Planeta Nove exista," disse Volk.

A técnica é a mesma usada para identificar o Planeta Nove, só que este deve estar a 700 ua e ter 10 vezes a massa da Terra. O Planeta Dez estaria bem mais perto, a 50 ua, e deve ser bem menor, mais ou menos do tamanho de Marte.

Planeta 10
O Planeta 10 estaria em uma órbita inclinada em relação ao Sol e aos planetas conhecidos. [Imagem: Heather Roper/LPL]
 
Fácil de ver
Ocorre que um planeta do tamanho de Marte localizado pouco depois de Netuno deve ser muito mais fácil de ser observado do que o distante Planeta Nove.

Na verdade, outros astrônomos, ao comentarem os resultados da pesquisa, afirmam ser difícil de acreditar que exista algo deste tamanho e tão próximo e que não tenha sido observado até hoje, embora o eventual planeta possa ser obscurecido por galáxias de fundo.

Os dados deverão ser confirmados - ou corrigidos - com a adição de novas observações de corpos do Cinturão de Kuiper. Esses dados poderão ser fornecidos pelo projeto OSSOS (Outer Solar System Origins Survey), que está rastreando milhares de objetos nessa região.

"Teria que ser um acaso muito grande para que este não seja um efeito real. Acreditamos que há um sinal real lá e isso implica um planeta adicional," disse Volk.

Bibliografia:

The curiously warped mean plane of the Kuiper belt
Kathryn Volk, Renu Malhotra
The Astronomical Journal
Vol.: Accepted paper
https://arxiv.org/abs/1704.02444

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Alterações em milhares de hectares de Unidades de Conservação (UCs) Federais têm sido executadas com base em processos legislativos precários e intocados por debate público, como a edição de medidas provisórias.



 


 Alterações em milhares de hectares de Unidades de Conservação (UCs) Federais têm sido executadas com base em processos legislativos precários e intocados por debate público, como a edição de medidas provisórias. 

Assim aconteceu, em Dezembro passado, com mudanças impostas ao Parque Nacional, à Floresta Nacional e à Área de Proteção Ambiental do Jamanxim, à Área de Proteção Ambiental do Tapajós e ao Parque Nacional do Rio Novo, todos no Pará. 

Tais alterações reduziriam conflitos com populações humanas, implantação de infraestrutura e atividades econômicas. Se valendo de conjuntura política favorável, emendas foram enxertadas em novas medidas provisórias tentando a redução de áreas protegidas em Santa Catarina e, novamente, no Pará.

 Esta semana, os textos foram vetados pela Presidência da República. Todavia, alegria de conservacionista pode durar pouco no Brasil. Afinal, alterações nos limites de UCs na região do Jamanxim (PA) e do Parque Nacional de São Joaquim (SC) ganharão espaço em projetos de lei. 

As propostas serão encaminhadas em regime de urgência ao Congresso Nacional. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a ideia é acomodar populações em áreas já degradas em parte dessas unidades de conservação. Os cortes podem converter até 450 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim em uma Área de Proteção Ambiental, onde os recursos naturais podem ser explorados mais livremente. 

Os limites do parque nacional catarinense serão reduzidos em mais de 10 mil hectares, ou 20% de sua área. 

Os  projetos de lei atenderão tanto ocupantes tradicionais quanto aqueles que chegaram após o estabelecimento das áreas protegidas. Além disso, abrirão espaço para atividades como agropecuária, mineração e geração de energia. Para a diretora-executiva da Rede Nacional Pró UCs, Ângela Kuczach, esse tipo de medida se traduz em ataque massivo e coordenado às Unidades de Conservação, o que fragiliza a proteção da natureza e o conjunto de áreas protegidas do país. "Determinados parlamentares federais defendem interesses escusos e há um desentendimento generalizado sobre a importância das áreas protegidas para o país. Assim, temos áreas cada vez mais pressionadas e fragilizadas por um discurso, falso, de que atrapalham o desenvolvimento econômico. A falta de implantação efetiva das unidades de conservação também contribui para esses conflitos", ressaltou a bióloga.

 
Cobrindo no país 7,7 mil quilômetros quadrados – área semelhante a que foi desmatada na Amazônia entre Agosto de 2015 e Julho de 2016 -, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) têm apoiado diretamente a conservação de animais e plantas nativos. É o caso da Fazenda Lagoa, a mais nova área desse tipo a ser protegida, no Mato Grosso do Sul. Ela foi reconhecida pelo Governo Estadual e abriga espécies como onça parda, caititu, lobo guará, tamanduá bandeira e bugio, bem como jatobá, aroeira e ipê roxo. Os 150 hectares de Cerrado estão pontuados de veredas, lagoas, córregos e até furnas. 



A vegetação está conectada com áreas protegidas vizinhas, formando valiosos corredores para manter a vida na região. A reserva pertence ao Grupo Caeté Florestal e deve ser aberta para pesquisas científicas, educação ambiental e turismo. Com a Fazenda Lagoa, Mato Grosso do Sul já tem 52 RPPNs federais e estaduais, cobrindo 147 mil hectares. As RPPNs são um tipo de Unidade de Conservação estabelecido por iniciativa dos proprietários rurais, em caráter perpétuo. Todavia, não há desapropriação de terras e há incentivos econômicos para sua manutenção. No Brasil, já são quase 1.400 reservas particulares, concentradas na Mata Atlântica e no Cerrado. O 1º. Fórum Nacional de RPPNs está agendado para 29 de junho, em Brasília (DF).

Neste mês de Junho, se completa um ano desde que um exemplar da Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) foi novamente avistado na natureza. A façanha coube a moradoras do município de Curaçá, no sertão baiano. A espécie esteve sumida por 15 anos e, à época, a suspeita foi de que a ave tenha sido solta de sua gaiola diante de uma fiscalização ambiental que percorria a região. Um vídeo gravado com celular mostra a ave alçando voo. Em entrevista à ong BirdLife International, Damilys e sua mãe Lourdes Oliveira contam que boa parte da população de Curaçá está empolgada com o possível retorno da ave e que relatos de avistamentos têm se multiplicado no último ano. " É preciso ter uma mente aberta para aprender e ver o valor na natureza. Muitas pessoas percebem que algo mudou e que a redescoberta trouxe benefícios para a cidade, mas outras dizem que tudo segue o mesmo. No entanto, a maioria das pessoas percebeu a mudança. A Ararinha agora é o símbolo de Curaçá", comentaram. A Ararinha-azul desapareceu da Caatinga brasileira no ano 2000 e, apesar do achado (em 2016), ainda é considerada extinta na natureza. Pouco mais de 60 indivíduos vivem em cativeiro, a maioria fora do Brasil.


  Os parques nacionais
da Chapada dos Veadeiros e das Emas, ambos em Goiás, podem engrossar a lista dos Sítios do Patrimônio Natural Mundial Ameaçados. O tema está na pauta da 41ª Reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, que acontece em Julho na cidade de Cracóvia (Polônia). As áreas protegidas estão em regiões de avanço da fronteira agropecuária e podem receber esse sinal de alerta internacional pelos impactos que vêm sofrendo continuamente com desmatamento, caça, queimadas e outras ações humanas. 

Quando a Unesco reconheceu Veadeiros como Sítio do Patrimônio Natural Mundial, em 2001, um dos compromissos do Governo foi justamente ampliar seus limites. Tal medida foi cumprida este mês, quando a área do parque saltou de 65 mil para 240 mil hectares. Quando foi criado, em 1965, Veadeiros abrigava 625 mil hectares de Cerrado. Já o Parque Nacional das Emas foi estabelecido em 1961 e, ao longo das décadas, se tornou uma ilha de vegetação nativa rodeada por monoculturas e desmatamento. No mundo, já são 55 os Sítios do Patrimônio Natural Mundial Ameaçados.


  Não é tarefa simples conservar animais e plantas nativos quando o
PIB – Produto Interno Bruto e balança comercial de um dos países mais biodiversos do planeta ainda dependem fortemente do agronegócio e de outras economias que avançam pesadamente sobre o território. No Brasil, a mancha de vegetação natural foi praticamente apagada das regiões dominadas pelo crescimento econômico e pela urbanização convencionais. 


Mesmo na Amazônia, as taxas de desmatamento avançam a mais de 7 mil quilômetros quadrados por ano, devorando biodiversidade e contribuindo para elevar a temperatura média do planeta. Questões como essas foram abordadas em análise apresentada por pesquisadores das universidades Federal e Federal Rural do Rio de Janeiro na 3ª Conferência Internacional sobre Políticas Públicas, que aconteceu este mês em Singapura, no sudeste asiático. 

Segundo eles, é urgente que sejam encontradas novas formas de financiamento para políticas e ações para o estabelecimento de novas economias, realmente sustentáveis. “A transição para uma economia verde cria uma oportunidade única para se redefinir a direção do desenvolvimento brasileiro. É possível projetar políticas públicas para incentivar esta transição. No entanto, a situação política e econômica é muito tendenciosa em favor daqueles que se beneficiam do atual sistema insustentável de produção. Uma reversão do status político seria crucial para a transição para um uso econômico verde do imenso potencial da floresta e da biodiversidade do Brasil”, concluem os pesquisadores.

 Este boletim é um oferecimento de Conect@ - Comunicação com Propósito
© Aldem Bourscheit // Jornalista DRT/RS 9781
// conectacomm@gmail.com
- Ativista em Políticas Públicas Socioambientais
- Mestrando em Desenvolvimento Sustentável pelo Fórum Latino-americano de Ciências Ambientais
- Especialista em Meio Ambiente, Economia e Sociedade pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais

Valor Econômico – Juntos pelo clima / Artigo / João Gomes Cravinho


João Gomes Cravinho é embaixador da União Europeia no Brasil. Também subscrevem este artigo os embaixadores dos Estados-membros da União Europeia no Brasil.

O histórico Acordo de Paris sobre o clima é um sucesso do multilateralismo: nada menos que 148 países já o ratificaram, permitindo a entrada em vigor do Acordo em 4 de novembro do ano passado.

A luta contra as mudanças climáticas oferece inúmeras oportunidades para inventar novas e melhores maneiras de produzir, consumir, investir e comercializar, bem como proteger vidas humanas, bens e meios de subsistência, em benefício de todos e do planeta.

Para alcançarmos a necessária transformação econômica e social, é essencial que os objetivos de redução das emissões e os planos e estratégias de adaptação anunciados pelos países se traduzam em políticas e medidas concretas e práticas em toda a economia.

A União Europeia (UE) e os seus Estados-membros irão desempenhar o seu papel na aplicação do Acordo, tanto internamente como no plano internacional. Continuaremos a ser, como até agora, um dos principais financiadores da necessária transformação internacional. Em 2015, o apoio foi de € 17,6 bilhões.

Na União Europeia vamos reduzir as nossas emissões em pelo menos 40% até 2030. O nosso pacote legislativo e regulamentar abrange todos os setores da economia, com principal destaque à eficiência energética e ao estímulo da adoção das energias renováveis. Para aqueles que receiam que a redução de emissões possa ter um impacto negativo sobre o crescimento econômico, pedimos que vejam a nossa experiência: as nossas emissões diminuíram 22% desde 1990, tendo o PIB da UE crescido 50%. Durante este período, foram criados novos empregos, empresas, tecnologias e vantagens competitivas, preparando as nossas economias para um futuro de baixo carbono e resiliente às alterações climáticas.


As energias renováveis representaram 78% da capacidade total instalada na UE em 2014. Este setor emprega mais de 1,1 milhão de pessoas, e as empresas europeias de energia renovável estão na vanguarda da inovação, com um volume de negócios anual combinado de € 144 bilhões, permitindo significativas reduções, de € 16 bilhões, na importação de combustíveis fósseis. Na UE sabemos que o futuro sustentável depende dessa transição para uma economia de baixo carbono e estamos prontos para partilhar as nossas experiências com outras partes do mundo.


Lamentamos profundamente a decisão unilateral da administração Trump de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. O país é o segundo maior emissor do mundo, durante muitas décadas foi o primeiro, e é, obviamente, além de um responsável histórico, um parceiro chave na luta contra as mudanças climáticas.


É portanto com grande satisfação que verificamos que muitos Estados e cidades, empresas e indústrias dos Estados Unidos anunciaram que continuarão no caminho preconizado em Paris. O mundo reagiu bem à declaração do presidente americano, com múltiplas manifestações de apoio ao Acordo de Paris. Do lado brasileiro, os ministros Aloysio Nunes e José Sarney Filho emitiram uma declaração conjunta nesse sentido. 


O Brasil reiterou que continua comprometido com os esforços globais contra as mudanças climáticas, que esta é uma política de Estado, que não pode ser adiada, e que é compatível com o crescimento econômico.


A União Europeia apoia as ambições enunciadas pelo Brasil. Representam transformações muito importantes para o futuro do país e terão um impacto sobre o mundo. Preocupa-nos no entanto o fato de que, no ano passado, o Brasil reportou um aumento de 30% do desmatamento na região amazônica e um aumento de mais de 50% na Mata Atlântica. 


Dito isso, é importante saudar o recente veto presidencial a propostas feitas pelo Congresso para a redução da proteção ambiental à floresta amazônica no Pará (MPs 756 e 758).



A mudança climática apresenta desafios de dimensão e escala sem precedentes. As empresas, os municípios, as regiões e a sociedade civil têm, todos eles, um papel fundamental a desempenhar, e precisamos reforçar a cooperação e a coordenação entre os governos, a sociedade civil, o setor privado e outros intervenientes fundamentais.



Com esse objetivo, a UE e os seus Estados Membros estão trabalhando com os diferentes atores no Brasil nos seus esforços de mitigação. Apoiamos de forma intensa a proteção e o uso sustentável das florestas, a promoção do aumento do uso das energias renováveis e a melhoria da eficiência energética. Temos uma importante parceria com o Brasil para o apoio à transferência de tecnologias de baixo carbono e para iniciativas conjuntas de PMEs europeias e brasileiras. Vamos juntar empresas e instituições financeiras para falarmos de "Financiamento para o Clima", e incentivamos cidades brasileiras a juntarem-se à "Aliança Global dos Prefeitos para o Clima e a Energia".


Em novembro deste ano, os países estarão reunidos em Bonn para a CoP 23, para prosseguir o trabalho árduo de transformar em realidade o acordo político alcançado em Paris. E em 2018, através do chamado "diálogo facilitador", teremos a primeira oportunidade para analisar os nossos esforços coletivos para limitar o aquecimento global e comparar os resultados concretos no cumprimento dos compromissos assumidos em Paris.


Paris foi um momento decisivo na luta para proteger o planeta para as gerações futuras. Temos de manter esta dinâmica nos meses e anos vindouros, porque o prêmio é verdadeiramente precioso: emissões mais baixas, maior segurança e eficiência energética, crescimento baseado na inovação, criação de emprego, sociedades mais resilientes e um melhor ambiente. Há muito trabalho a fazer e olhamos com entusiasmo para a continuação da nossa parceria com o Brasil.