quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Folha de S. Paulo – Apesar de haver garimpos ilegais na Renca, há pouca área desmatada


Folha de S. Paulo – Apesar de haver garimpos ilegais na Renca, há pouca área desmatada


FABIANO MAISONNAVE, LALO DE ALMEIDA - ENVIADOS ESPECIAIS À RENCA (AP/PA)

A floresta protegia os garimpeiros do forte sol amazônico, enquanto um deles, José Antonio dos Santos, cavava no fundo de um poço de 13 metros.

Já são 11 meses perfurando o solo da Floresta Estadual (Flota) do Paru (PA) em busca de ouro, mas até agora os quatro companheiros de trabalho não acharam um grama sequer do metal.
Aos 72 anos, Santos é um dos cerca de 2.000 garimpeiros clandestinos que atuam dentro de uma região montanhosa a leste da Flota –o principal potencial minerário dentro da Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), segundo o Serviço Geológico Brasileiro.

A extinção da reserva pelo governo Michel Temer, em agosto, permitindo a exploração mineral, pegou os garimpeiros de surpresa. Acostumados a viver sem a presença do Estado, eles agora temem ser despejados por grandes mineradoras. Nenhum acredita que a medida tenha sido adotada a fim de legalizá-los.

Limitado a até poucos metros da superfície por causa das técnicas rudimentares, o garimpo na região está em decadência –ou "blefado", na gíria local. Mas as informações geológicas disponíveis apontam a existência de possíveis depósitos de ouro e outros metais, como o cobre, em profundidades desconhecidas.

"Com certeza, o ouro de aluvião [leitos e barrancos de cursos d'água] é muito pouco", diz Santos, que fareja o metal dourado na região desde 1974.

A aposta do grupo de Santos foi cavar, em modalidade conhecida como garimpo de poço. Para encontrar o ouro, eles caminham pela floresta com duas varetas de cobre. Caso elas se cruzem, é indício de que há um veio enterrado.

O grupo é liderado por Adonias Mercês, 62, que comprou informalmente a área de outro garimpeiro. Já foram três poços até agora. Na tentativa anterior, cavaram 13 metros de profundidade e mais 18 metros de túnel, sem sucesso.
"Por que o governo não dá uma Renca pra um miserável desses?", vociferou o garimpeiro Boca de Burro (ele não quis dar o nome), 55, enquanto Santos pedia pra ser içado do poço escuro e com pouco oxigênio.

Sobrevivente de um câncer, Mercês voltou ao garimpo desrespeitando ordens médicas. Quer ganhar dinheiro para pagar a faculdade de um dos filhos. Caso encontrem ouro, fica com 70%, e os demais, 30%. Por outro lado, é ele quem banca equipamentos e alimentação.
No dia a dia, não há diferença entre eles. Moram em dois barracos de lona –um para dormir, outro é a cozinha. Ao contrário dos garimpos mais antigos, é uma moradia improvisada, já que não sabem se encontrarão ouro no local.

OURO ESCASSO
A avaliação de que o ouro está "fracassando" é compartilhada nos demais quatro garimpos visitados ao longo de três dias pela reportagem da Folha –a primeira equipe de jornalismo a visitar o local.
A decadência do vale do rio Jari, iniciada nos anos 2000, levou muitos a se arriscar em outras regiões, principalmente na vizinha Guiana Francesa, mas também no Suriname e em outras partes da Amazônia brasileira.

A maioria dos que ficaram, quase todos acima de 50 anos, transformou o garimpo em sítios, com plantações e criações de galinhas e porcos.
A produção local de alimentos alivia os gastos com transporte –na ausência de estradas e diante da dificuldade imposta pelos rios encachoeirados que cercam a Floresta do Paru, quase tudo chega ali de avião, vindo de Laranjal do Jari (AP), a principal cidade do entorno da Renca, num voo de 35 minutos.

Segundo pilotos da região, há 14 pistas ativas e outras 20 sendo engolidas pelo mato, mais um sintoma da produção em queda. A maioria foi aberta há mais de 20 anos.
A viagem até o local por barco pode levar até oito dias no período seco, além de exigir caminhadas de várias horas pela floresta. Nas cachoeiras, é preciso descarregar e recarregar os barcos. Uma dessas cachoeiras localiza-se na Estação Ecológica (Esec) do Jari, unidade de conservação federal. O transbordo é monopolizado por dois donos de garimpo da região.
No local, a reportagem constatou que um deles, Ney Sarraf, mantém um funcionário permanente no local. Ele cobra R$ 300 para o transporte de um lado a outro da cachoeira Itacará em um trator velho –um percurso de 1 km.

No final de 2014, Sarraf e Nereu Einecke, o Catarino, foram notificados para deixar o local em 60 dias, mas não cumpriram a determinação. Desde então, não houve nenhuma ação do Estado para tirá-los da Esec, que fica entre os Estados do Pará e Amapá.
À reportagem, Sarraf afirmou que mantém o trator ali desde antes da criação da Esec, em 1983, e que usa o porto para extrair a castanha e prestar serviço a extrativistas da região. Ele disse que está negociando a sua permanência com os órgãos ambientais.

Para gerir essa unidade, também dentro da Renca, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) conta com apenas dois funcionários.
Os três últimos gestores tiveram de deixar a região após ameaças –duas vindas de garimpeiros e a outra de um PM do Amapá flagrado pescando em local proibido.

CASTANHA E MERCÚRIO
Neste ano, os garimpeiros também passaram a dedicar parte do tempo à extração de castanha, que se tornou viável graças ao preço recorde. A produção sai em aviões monomotores que antes voltavam vazios após trazer mercadorias e equipamentos.
Para chegar às pistas, é preciso enveredar por trilhas na floresta montanhosa. A locomoção ocorre sobretudo a pé, mas há algumas mulas trazidas nos aviões após serem amarradas e sedadas.

As poucas áreas desmatadas são o resultado principalmente do garimpo de barranco, em que potentes jatos d'água rasgam a floresta. Alguns buracos mais antigos são engolidos pela mata e, com o tempo, se tornam locais de pesca.

Maior área protegida do país, a Floresta do Paru tem 36.000 km2 (pouco maior do que a da Holanda), dos quais apenas 0,2% foi desmatado, segundo o Sistema de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Um das razões para a preservação do local é a ausência de PCs (escavadeiras), comuns em garimpos de acesso mais fácil, como os da bacia do rio Tapajós, no oeste paraense.
"É razoável pensar que, em termos de perda de cobertura florestal, apenas de 2008 (quando chegaram essas máquinas) até hoje, houve um impacto maior do que o acumulado de 1958 (quando foram descobertos os garimpos no Tapajós) a 2008", afirma o cientista social Mauricio Torres, autor de diversos estudos sobre a região.

Por outro lado, Torres, radicado em Santarém (PA), critica a demonização do garimpeiro. "Um senso comum vende o garimpo como crime e a mineração como progresso e desenvolvimento. Não raro, ONGs ambientalistas embarcam nesse discurso. Entretanto o passivo acumulado do garimpo na região do Tapajós parece pequeno se comparado a catástrofes como a da Samarco, em Mariana."

Os garimpeiros admitem que usam mercúrio para a separação do ouro, mas afirmam que a contaminação diminuiu nos últimos anos, com a introdução do cadinho.
O aparato, parecido com uma pequena panela, permite a recuperação da maior parte to mercúrio, que tem um alto custo –1 kg do metal custa ao menos R$ 1.500.

Estudo publicado neste ano sobre a contaminação nos peixes da região mostrou que as três espécies analisadas no rio Jari, o maior da região, continham mercúrio, embora apenas uma (cachorra) tenha apresentado níveis acima do permitido pela Organização Mundial da Saúde.
Primeiro levantamento feito sobre o tema na Renca, a pesquisa, coordenada pela ONG WWF, ressalva que a metodologia usada não identifica a origem do mercúrio, que pode ser tanto resultado de atividade humana quanto de ocorrência natural.

Sob duras críticas de ambientalistas e contestado na Justiça, Temer acabou congelando o decreto da extinção da Renca por 120 dias, período em que o Ministério das Minas e Energia promete promover um "amplo debate".

Por ser uma unidade de uso sustentável, a Floresta do Paru pode ser passível de mineração com o eventual fim da Renca –depende de um novo plano de gestão e de licenciamento ambiental, procedimentos técnico-administrativos. Atualmente, estão permitidos apenas manejo florestal e extrativismo.
Isso não significa que toda a Floresta do Paru –e, analogamente, toda a área da Renca– têm potencial para mineração, explica a pesquisadora Lucia Travassos da Rosa Costa, chefe do Departamento de Geologia do Serviço Geológico do Brasil.

"A área não pode ser avaliada de forma homogênea. Existem grandes domínios que não têm maior interesse para a pesquisa mineral, em razão de suas características geológicas", diz.
O Serviço Geológico do Brasil estimou que, do total da área da Renca (46.450 km2, equivalente à do Espírito Santo), cerca de 10.000 km2 têm maior potencial para despertar interesse do setor mineral.

Nesse cálculo, ficam também de fora áreas de unidades de conservação integral e terras indígenas. Embora sejam vetadas à mineração pela atual legislação, existem projetos de lei em tramitação no Congresso para permitir a exploração em ambos os casos.

Costa afirmou que a parte da Terra Indígena (TI) Waiãpi (AP), que se estende para dentro da Renca e foi tema de reportagens recentes, não apresenta potencial destacável para pesquisa mineral, com base no conhecimento geológico que se tem hoje.
Por outro lado, a TI Paru d'Este (PA), tem, em comparação, maior potencial para pesquisa de ouro e outros metais, explica a geóloga.

Autora de uma tese de doutorado sobre a geologia da Renca, Costa diz que, apesar do potencial da região para a extração de ouro, já comprovado pela atividade garimpeira, a implementação de empreendimento mineiro na área dependeria ainda de mais estudos técnicos, além de licenciamento por órgãos ambientais, viabilidade econômica e infraestrutura logística, entre outros fatores.

GRANDES EMPRESAS
Isolados na floresta –muitos vivem sem eletricidade–, os garimpeiros receberam a notícia com preocupação, pois temem ser expulsos da região por empresas mineradoras.
"Quase nenhum garimpeiro sabe o que é a Renca. Um fala que é uma firma americana. Outro fala: não, isso é coisa do governo. Eles aceitam como ameaça", diz John Santana, 51, que trabalha buscando pepitas floresta adentro com um detector de metais.

"Pelo que a gente vê, os garimpeiros ficam fora [da Renca]", avalia a garimpeira Francisca Gonçalves, 54. "Se nós sairmos daqui, lá na rua [cidade] não tem trabalho, então a situação fica difícil."
Há 20 anos dentro da Flota do Paru, Chiquinha, como é conhecida, diz que, neste ano ganhou pela primeira vez mais dinheiro com castanha do que com ouro. Em volta de sua casa, feita de madeira, há plantações de milho, mandioca e feijão, além de pasto para os burros de carga.
Para Costa, a capacidade técnica e os investimentos exigidos para a extração do ouro em grandes profundidades inviabilizam o avanço da exploração por garimpeiros. Ela afirma que tem sido comum na Amazônia o interesse de empresas de mineração em áreas já exploradas pela atividade garimpeira.

A geóloga cita o caso da mineradora canadense Belo Sun, às margens do rio Xingu, em Altamira (PA), que prevê investimento inicial de US$ 5 bilhões. Em abril, a Justiça suspendeu a licença de instalação por entender que não há estudos suficientes sobre o impacto do projetos em duas etnias indígenas da região.

Para o gestor da Flota do Paru, Joanísio Mesquita, a eventual expulsão dos garimpeiros pode gerar um "efeito cracolândia", espalhando-os para outras regiões da Calha Norte, a maior área contínua preservada do mundo.

"A questão ambiental na Amazônia é social", afirma Mesquita. "A gente só vai conseguir salvar onça e peixe-boi se conseguir dar uma resposta pra população."

O Globo – Furacão Maria atinge categoria 5 e põe Caribe em alerta de novo


O Globo – Furacão Maria atinge categoria 5 e põe Caribe em alerta de novo


Tempestade deve tocar terra em região que se recupera da passagem do Irma

-MIAMI- Enquanto o Caribe se recupera da passagem devastadora do furacão Irma, que deixou mais de 80 mortos e prejuízos bilionários na região, o furacão Maria ganhou força ontem à noite, chegando à categoria 5 (a mais forte) e registrando ventos de até 215 km/h. A aproximação da tempestade do leste do Caribe gerou alertas de emergência nas ilhas Guadalupe, Dominica, São Cristóvão e Nevis, Montserrat e Martinica. Já as populações de Barbuda, Saba, St. Eustatius e St. Lucia receberam ordens para se prepararem para uma tempestade tropical, ou seja, com ventos mais fracos.


Moradores de algumas ilhas da região começaram a sair de casa se antecipando à chegada da tempestade. Porto Rico, afetado de raspão pelo Irma há duas semanas, abriu refúgios e começou a desmantelar guindastes das obras de construção que poderiam ser vulneráveis aos fortes ventos do Maria. De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês), o Maria deve atingir a ilha como uma tempestade extremamente perigosa e, pela primeira vez em 85 anos, um furacão de categoria 4 ou superior tocará terra no território, possivelmente amanhã. O governador Ricardo Rosselló decretou estado de emergência.


— Será diferente de tudo que Porto Rico já enfrentou até agora — advertiu Rosselló. — O que pedimos é que as pessoas abandonem áreas suscetíveis a inundações e deslizamentos, além de estruturas vulneráveis. Este é o momento de buscar refúgio com familiares e amigos, porque as equipes de resgate não poderão arriscar suas vidas com ventos de 80 km/h.


Segundo Rosselló, se as previsões meteorológicas estiverem certas, a passagem do Maria pode ser mais perigosa que as dos furacões Hugo — que deixou cinco mortos na ilha em 1989 — e Georges, que causou danos estimados em US$ 1,7 bilhão (R$ 3,1 bilhões) em 1998.
Issa Alexander, que teve a casa destruída e por pouco não sobreviveu à passagem do Irma pelas Ilhas Virgens britânicas, refugiou-se em Porto Rico e agora se vê novamente no caminho de uma tempestade, enquanto ainda tenta encontrar maneiras de se comunicar com parentes — as linhas telefônicas continuam fora de operação no arquipélago.


— Espero que o Maria não chegue, e não sei se minha família nas Ilhas Virgens está preparada — afirmou o jovem de 22 anos à rede CNN. — Só me resta esperar que Deus os proteja.
Autoridades de Porto Rico afirmam que há 450 abrigos capazes de proteger 62.714 pessoas, mas que esse número pode chegar a 125.428 em situações de emergência. No entanto, a passagem do Irma deixou vários abrigos destruídos e parte do território sem fornecimento de energia elétrica.


Em Dominica que, de acordo com o NHC, será atingida pelo centro da tempestade, o primeiro-ministro Roosevelt Skerrit exortou moradores a guardarem bens que possam se transformar em projéteis durante a passagem do furacão.


— As próximas horas devem ser dedicadas a limpar ruas e casas em vez de estocar comida e outros suprimentos — afirmou Skerrit em discurso na TV.


JOSÉ PERMANECE ATIVO Enquanto o Maria chega cada vez mais perto do Caribe, outro furacão atlântico, o José, tem causado tempestades tropicais na Costa Leste dos EUA. Embora o NHC não preveja que a tempestade toque a terra, aumentos nas marés devem ser esperados numa faixa de terra entre os estados de Rhode Island e Massachussets.


“Pequenas inundações litorâneas podem acontecer na região da Nova Inglaterra”, afirmou o NHC em comunicado, destacando que, embora deva perder força, o José deve se manter como um furacão até quinta-feira.


O Globo – Campanha pela Renca chega a NY / Blog Lauro Jardim

O Globo – Campanha pela Renca chega a NY / Blog Lauro Jardim

Juliana Braga

O grupo de artistas e ativistas do 342 quer angariar a pressão internacional para derrubar o decreto que extingue a reserva mineral de Renca.

Hoje, o Avaaz, que faz parte do grupo, alugou um caminhão com um letreiro para expor, em Nova York, onde acontece a Assembleia da ONU, que estampava a seguinte frase: "Não deixe a corrupção matar a Amazônia".

O caminhão ficará parado em frente ao restaurante onde Michel Temer jantará com Donald Trump.

BBC Brasil - Após críticas internacionais, Temer deve defender proteção à Amazônia em discurso na ONU

BBC Brasil - Após críticas internacionais, Temer deve defender proteção à Amazônia em discurso na ONU


Ricardo Senra
Correspondente da BBC Brasil nos EUA

Em meio à grande incerteza política trazida por mais uma denúncia de suposto envolvimento em atos de corrupção, o presidente Michel Temer tentará vender uma agenda positiva durante seu discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Segundo interlocutores ouvidos pela BBC Brasil, a fala de Temer, prevista para às 10h00 desta terça-feira (11h00 em Brasília), deve destacar a "estabilidade" do Brasil e a importância da "democracia e dos direitos humanos" para o governo.

Mas são outros trechos do discurso que prometem atrair olhos atentos em todo o planeta.
Poucas semanas depois de enfrentar uma enxurrada de críticas pelo controverso decreto que extinguiu uma reserva nacional do tamanho da Dinamarca, entre o Pará e o Amapá, Temer deve ressaltar esforços do governo federal pela proteção da Amazônia.

O principal argumento do presidente brasileiro deve ser uma queda de 21% registrada nas taxas de desmatamento da Amazônia Legal, entre agosto de 2016 e julho deste ano.
A inclusão destes pontos no discurso, segundo fontes próximas ao presidente, seria uma estratégia para reverter a má impressão causada pela extinção da Reserva Nacional do Cobre e Derivados (Renca) e pelos cortes no financiamento de países como Dinamarca e Alemanha ao Fundo Amazônia, dedicado a financiar a preservação da floresta.

Em 2016, o desmatamento na região teve um aumento de 58%, o que levou países, personalidades e entidades internacionais a repreenderem publicamente o governo brasileiro.
Durante o pronunciamento a líderes de quase 200 países, Temer também deve reiterar o apoio brasileiro ao acordo de Paris, que visa reduzir as mudanças climáticas, e defender o "desenvolvimento sustentável" do Brasil.


Escanteio?
Além da pauta ambiental, Michel Temer, que se encontrou com Donald Trump em um jantar na noite de segunda-feira, também deve discutir acordos comerciais com as principais autoridades de quatro importantes nações do Oriente Médio: Israel, Autoridade Palestina, Irã e Egito.
A agenda oficial também inclui reuniões bilaterais com líderes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa(CPLP), incluindo o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e com o presidente da Guiana, David Granger.

Os encontros podem romper uma sequência de revezes diplomáticos para o Brasil nos últimos meses.

No início de setembro, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu deixou o Brasil de fora em uma visita à América Latina que incluiu Argentina, Colômbia e México. Em agosto, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, também "pulou" o Brasil quando visitou Colômbia, Argentina, Chile e Panamá.

Em julho, durante a reunião da cúpula do G20 (grupo das 20 principais economias do mundo), Temer não teve encontros fechados com líderes de nenhum país - as reuniões entre mandatários são uma prática bastante comum (e incentivada) neste tipo de evento.


O distanciamento é interpretado por alguns como fruto de uma incerteza internacional sobre o futuro de Temer, que em 26 de junho se tornou o primeiro presidente brasileiro a ser denunciado por um crime comum (corrupção passiva) durante o exercício do mandato.


Na semana passada, Temer foi denunciado pela segunda vez pela Procuradoria-Geral da República, desta vez sob acusações de obstrução de Justiça e de integrar organização criminosa.


Bastidores
Figuras próximas à comitiva presidencial divergem sobre o impacto da presença brasileira nesta Assembleia Geral da ONU.


De um lado, há quem destaque a agenda de Temer em Nova York como o fim de um jejum de encontros com líderes estrangeiros.


"A comunidade internacional valoriza a retomada do crescimento da economia, a queda da inflação e as reformas conduzidas pelo presidente Temer. O G20 foi uma viagem conturbada, muito breve, não havia tempo hábil. Os encontros em Nova York mostram que a tese de isolamento é mito", diz um interlocutor à BBC Brasil.


De outro lado, testemunhas das preparações dos compromissos com líderes estrangeiros afirmam que os encontros bilaterais são resultado de um esforço incomum do governo brasileiro em conseguir reuniões com outros presidentes.


"O Brasil tradicionalmente é procurado por autoridades nesse tipo de evento. Vinha sendo assim em todas as assembleias. Dessa vez, nós tivemos que bater na porta de muita gente. Isso mostra um encolhimento da nossa diplomacia."


O primeiro teste de Temer foi o jantar da última segunda-feira, a convite da Casa Branca, em um hotel de Nova York.


Ao lado de Donald Trump, do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, do líder panamenho, Juan Carlos Varela, e da vice-presidente argentina, Gabriela Michetti, Temer endossou a postura norte-americana de oposição ao regime de Nicolás Maduro, na Venezuela.


Em sua fala de abertura do jantar, antes do início das conversas, Trump agradeceu o empenho dos convidados em "condenar o regime" venezuelano, que classificou como "terrível ditadura".
Uma hora depois, em fala breve a jornalistas, Temer afirmou que "houve coincidência absoluta nas posições de todos os participantes" do jantar - e reiterou o discurso do colega americano, dizendo que os líderes presentes no encontro "querem que se estabeleça a democracia" na Venezuela.


Agenda
A abertura da Assembleia Geral da ONU pelo presidente brasileiro mantém uma tradição iniciada em 1947, durante a primeira sessão especial da Assembleia, então presidida por Oswaldo Aranha - que foi ministro de Relações Exteriores durante o primeiro governo de Getúlio Vargas.
Além da fala inaugural e dos encontros com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, Abdel Fattah al-Sisi, presidente do Egito, Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e Hasan Rowhani, presidente do Irã, Temer assinará um tratado sobre proibição de armas nucleares, resultado de um acordo de 122 países, com forte atuação da diplomacia brasileira.



A agenda do presidente Temer inclui também um encontro com Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial.


Na quarta-feira, Temer fará um pronunciamento durante seminário sobre negócios no Brasil organizado pelo jornal Financial Times, encerrando a viagem oficial.