sábado, 25 de março de 2017

Abaixo assinado contra a caça de baleias.


Queridos amigos,

Dentro de apenas alguns dias, a Noruega vai começar uma terrível tradição anual: o massacre implacável de centenas de baleias. Mas temos uma estratégia para dizer ao país: "SAIA DESSA!"

As baleias são criaturas belas e imponentes. Sabemos que elas cantam para se comunicar e sentem emoções, como os seres humanos. Apesar disso, todos os anos esses animais incríveis são caçados, mortos e destrinchados na Noruega, para fazer ração e produtos de beleza. É insuportável.

A Noruega conseguiu passar desapercebida com o título de maior país caçador de baleias. Se fizermos uma campanha como nunca antes, mostrando a grande indignação global, poderemos pressionar a Europa a fechar os portos para baleeiros noruegueses. Conseguimos fazer isso no caso da Islândia – vamos tentar de novo!

Acrescente seu nome para exigir o fim da caça às baleias e dizer: Noruega, SAIA DESSA!

Nosso movimento e organizações parceiras já conseguiram que a Alemanha e a Holanda se mobilizassem para fechar seus portos para os baleeiros da Islândia, forçando um dos maiores caçadores do país a encerrar suas operações. Também pressionamos a Comissão Internacional da Baleia para reprimir a "caça científica" e ajudamos a definir uma rota para proteger 30% dos nossos oceanos até 2030.

Apesar do massacre anual que promove, a Noruega segue impune há muito tempo e, para piorar, o governo acabou de anunciar que pretende dobrar as quotas de abate! Mas a caça só é rentável se o país conseguir exportar a carne e, para enviar os carregamentos para o exterior, ele depende de portos europeus.

Vamos acabar com o comércio desses seres mágicos. Quando a petição alcançar um milhão de assinaturas, a Avaaz vai fazer uma algazarra na imprensa, até que cada porto europeu feche as portas para baleeiros. Com isso, vamos forçar a Noruega a desistir da caça às baleias de uma vez por todas. Adicione seu nome e espalhe a campanha – vamos fazer de tudo para salvar as baleias!

Acrescente seu nome para exigir o fim da caça às baleias e dizer: Noruega, SAIA DESSA!

A atual conjuntura segue na direção de acabar com este massacre bárbaro. Mas enfrentamos o forte lobby baleeiro: precisamos ser o canto das baleias, já que elas não podem se defender. Vamos cantar tão alto que seja impossível ignorar nossa voz, e assim ajudar a acabar com a caça às baleias, para sempre.

Com esperança, 

Rewan, Caroline, Diego, Allison, Emma, Danny, Alice e toda a equipe da Avaaz

MAIS INFORMAÇÕES

Maioria das baleias caçadas na Noruega é de fêmeas grávidas (O Globo) 
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/maioria-das-baleias-cacadas-na-noruega-de-femeas-gravidas-21067739

Nenhuma baleia-comum será caçada na Islândia neste verão (The Guardian) (em inglês) 
https://www.theguardian.com/environment/2016/feb/25/no-fin-whales-to-be-hunted-in-iceland-this-summer

Como a Noruega tornou-se silenciosamente uma potência baleeira (CS Monitor) (em inglês)
http://www.csmonitor.com/Environment/2016/0614/How-Norway-quietly-became-a-whaling-powerhouse 

Programa de caça às baleias da Noruega fica ainda mais polêmico (National Geographic) (em inglês)
http://news.nationalgeographic.com/2016/03/160331-norway-minke-whaling-fur-farms/ 

Congelada no tempo - Como a Noruega moderna continua apegada ao passado baleeiro (Ocean Care) (em inglês)

https://oceancare.org/wp-content/uploads/2016/07/Report_Walfang_OC_AWI_PW_Frozen-in-time_EN_2016.pdf

 

Tratamento de lixo no Japão é exemplo de cuidado com o ambiente

RB AMBIENTAL




Posted: 20 Mar 2017 07:54 AM PDT
Assista à reportagem completa clique aqui

O bom exemplo no tratamento do lixo vem do outro lado do mundo. O Bom Dia Brasil - TV Globo visitou um lugar que transforma lixo em energia no Japão.

As ruas das cidades são absolutamente limpas. A preocupação das pessoas vai além da reciclagem. O cuidado é não produzir muito lixo, mas é inevitável ter sujeira, dejetos, coisas que a gente joga fora. A visita a uma moderna usina de tratamento mexe com a cabeça da gente.

Elas se espalham pelo Japão. De longe, parecem prédios, mas são chaminés, a parte mais visível de como os japoneses usam o lixo. Não há depósitos abertos, lixões, mas locais como o da Cidade de Saitama, vizinha a Tóquio.

O entra e sai dos caminhões é constante. Trazem lixo dos bairros ao redor, quase 400 toneladas por dia. Os moradores já separam em casa o que é orgânico do que é reciclável. Cada caminhão traz um tipo de lixo, tratados de forma diferente.

Por trás das portas, fica o depósito de lixo orgânico. Quando os caminhões descarregam, é que descobrimos o tamanho do desafio: enorme. Tudo que chega é controlado de uma sala de vidro, um operador carrega remotamente o lixo até o incinerador.

Lá dentro, a queima acontece por uma hora, à temperatura de 1.800 graus centígrados. De um lado, forma-se um gás, que por uma tubulação alimenta uma turbina geradora de energia. De lá, sai eletricidade para atender o equivalente 10 mil casas. De outro, o que sobra da tal queima, resíduos e metais, que são reaproveitados em sua quase totalidade como, por exemplo, para asfaltar ruas.

No mesmo prédio, mas para outro grande depósito, vai o lixo reciclável, o cuidado ali é outro. Essa enorme garra de aço tem capacidade de transportar até 3 toneladas de carga. Lá no fundo, só tem plástico. Todo esse material vai para uma separação manual, antes de ir para reciclagem.

O processo é rápido. Funcionários separam garrafas pet do plástico comum. Latas de alumínio, metais, são distribuídos em outro setor. E, no final, tudo já sai embalado, limpo, pronto para ser vendido para centros de reciclagem. Assim, do total de lixo que chega à usina, apenas 4% não rendem nada, mas só até agora.

Um dos funcionários me conta que, no futuro, ainda serão aproveitados esses 4%, retirando vários tipos de metal contidos ali.

Para quem se espanta com tanta dedicação ao lixo tem mais. Em um prédio ao lado, foi montado um centro social, onde os moradores se encontram. Podem mergulhar em banheiras com água a 40 °C, fazem ginástica. Tudo funciona com a energia gerada na turbina do lixo.

O senhor Ishikawa, de 70 anos, vai quase todo o dia e diz que essa é uma boa iniciativa para aproveitar o lixo e manter os idosos saudáveis. O japonês aprende que, quando se trata de lixo, nada pode ser desperdiçado.

A queima do lixo pode ser perigosa, pode jogar poluentes na atmosfera, mas os japoneses dizem que colocaram filtros poderosos nas chaminés. O custo total de uma usina como essa, com área de lazer e tudo, é salgado, quase R$ 800 milhões.

Alguns podem dizer, "O lixão é mais barato". Mas no longo prazo não é: pelo impacto ambiental de um lixão, nos rios, no solo, na saúde das pessoas. Lixo abandonado não gera energia, não bota aqueles velhinhos para se encontrar, se exercitar. Lixo não precisa ser problema, se for bem administrado.

Assista à reportagem completa clique aqui

Fonte: G1 / Globo

Biopneus: Pneus renováveis feitos de biomassa


Biopneus: Processo produz pneus renováveis de biomassa
Planta em escala de laboratório produzindo isopreno renovável a partir de biomassa. [Imagem: UMN]
Pneus renováveis
Uma nova tecnologia para produzir pneus de automóveis usando matérias-primas vegetais - árvores e gramíneas - promete virar a indústria em direção ao uso de recursos renováveis.
Os pneus de carro são vistos como ambientalmente hostis porque são predominantemente feitos de combustíveis fósseis e não há muito o que fazer com eles depois que chegam ao final de sua vida útil. Contudo, até hoje não existem materiais alternativos em termos de preço e desempenho.


A equipe que desenvolveu o novo processo afirma que os pneus de carro produzidos a partir da biomassa serão idênticos aos pneus atuais, com a mesma composição química, cor, forma e desempenho.


"Nossa equipe criou um novo processo químico para fazer isopreno, a molécula-chave nos pneus de carro, a partir de produtos naturais como árvores, gramíneas ou milho. Esta pesquisa poderá ter um grande impacto sobre a multibilionária indústria de pneus de automóveis," disse o professor Paul Dauenhauer, da Universidade de Minnesota, nos EUA.


Isopreno biológico
Hoje, o isopreno é produzido separando-se termicamente moléculas no petróleo que são semelhantes à gasolina, em um processo chamado craqueamento. O isopreno é então separado de centenas de outros produtos e purificado. No passo final, o composto é posto para reagir consigo mesmo, formando cadeias longas que originam um polímero sólido que é o componente principal dos pneus de automóvel.


O isopreno de biomassa, por sua vez, é fabricado a partir de açúcares extraídos de plantas como gramíneas, árvores ou milho, em um processo de três passos "hibridizado", o que significa que ele combina a fermentação biológica, usando microrganismos, com a refinação catalítica convencional, que é semelhante à tecnologia de refinação do petróleo.


O primeiro passo é a fermentação microbiana dos açúcares da biomassa, como a glicose, para se obter um composto intermediário, chamado ácido itacônico. No segundo passo, o ácido itacônico reage com hidrogênio, gerando um produto químico chamado metil-THF (tetrahidrofurano). Esta etapa foi otimizada quando a equipe identificou uma combinação metal-metal única que serviu como um catalisador altamente eficiente.


Mas o grande avanço tecnológico do processo está no terceiro passo, quando o metil-THF é desidratado para gerar o isopreno. Usando um catalisador recentemente descoberto, chamado P-SPP (pentasil autoempilhado fosfórico), a equipe foi capaz de demonstrar uma eficiência catalítica de até 90%, com a maior parte do produto catalítico sendo isopreno.
Combinando as três etapas em um processo, o isopreno renovável pode ser obtido de forma renovável a partir da biomassa.


A tecnologia foi patenteada e está disponível para licenciamento pela Universidade.


Bibliografia:

Renewable Isoprene by Sequential Hydrogenation of Itaconic Acid and Dehydra-Decyclization of 3-Methyl-Tetrahydrofuran
Omar A. Abdelrahman, Dae Sung Park, Katherine P. Vinter, Charles S. Spanjers, Limin Ren, Hong Je Cho, Kechun Zhang, Wei Fan, Michael Tsapatsis, Paul J. Dauenhauer
Catalysis
Vol.: 7 (2), pp 1428-1431
DOI: 10.1021/acscatal.6b03335

BNDES financiará projetos de energia renovável na Amazônia

Plantão




Substituição do diesel



O BNDES lançará condições especiais de financiamento para projetos de geração renovável de energia elétrica a serem implementados em áreas isoladas da região amazônica.
Os investimentos serão feitos em parceria com a Amazonas Energia, distribuidora de energia elétrica controlada pelo Sistema Eletrobras.


De acordo com o BNDES, o Amazonas tem atualmente 225 usinas a diesel, com capacidade instalada de 683 megawatts (MW) que consomem 687 milhões de litros do combustível por ano. O sistema emite cerca de 2 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), outros gases poluentes (NOx e SOx) e particulados, além do risco de poluição dos rios decorrentes de naufrágios ou vazamentos no transporte e armazenamento do combustível.


Com a medida, os itens financiáveis dos projetos - a serem licitados em leilão promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) - poderão usar 15% de recursos do Fundo Nacional de Mudanças do Clima, com taxa de juros anual de 1%.


Os projetos de energia solar e micro, pequenas e médias empresas que usarem os recursos do Fundo Clima poderão complementar o financiamento com mais 65% em TJLP e as demais fontes renováveis, como eólica e biomassa, em até 55%.


O financiamento poderá ainda ser complementado em taxa de juros de longo prazo (TJLP), cuja taxa atual é de 7,5% ao ano, até o percentual de 80% previsto nas novas políticas operacionais do BNDES.


O prazo de carência do financiamento é de até seis meses após a entrada em operação comercial do projeto e o prazo de amortização será inferior em pelo menos dois anos ao término do prazo do Contrato de Compra e Venda de Energia.


Segundo o BNDES, o leilão da Aneel já recebeu a inscrição de 36 projetos de energia renovável. O Fundo Clima poderá destinar até R$ 200 milhões para financiar esses empreendimentos, que terão prazo de até 24 meses para utilização dos recursos após a data do leilão. O Contrato de Compra e Venda de Energia terá prazo de até 15 anos.


Fundo Clima
Vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, o Fundo Clima é um dos instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima para apoio financeiro a projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa.


As aplicações não-reembolsáveis - aqueles nos quais as empresas não precisam pagar os financiamentos - são feitas pelo ministério e as reembolsáveis administradas pelo BNDES, seguindo diretrizes do Comitê Orientador do Fundo Clima, presidido pelo Ministério do Meio Ambiente.


Desde 2011, mais de 190 projetos não-reembolsáveis foram contratados pelo Fundo Clima, dos quais 65 foram concluídos, contribuindo para o alcance das metas de assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris, em 2015.

O Paradoxo de Marte: Por que ainda não entendemos as águas de Marte

Espaço


Paradoxo de Marte
A simulação à esquerda é como Marte deveria ser no passado para explicar sua geologia atual. Mas nada indica que ele já tenha sido tão parecido com a Terra.[Imagem: NASA]
Sinais de água sem água
Alguma coisa não está batendo.
Marte tem calotas de gelo de água nos polos e há marcas no solo que indicam que a água fluiu em rios e lagos há bilhões de anos - há poucos dias, a agência espacial europeia apresentou um estudo detalhado sobre uma megainundação em Marte. De fato, temos uma compreensão decente de como a água se comporta na Terra, e não há razão para pensar que as leis da física ou a geologia sejam diferentes em Marte.


Contudo, mais do que não encontrar água hoje no planeta, ninguém consegue explicar sequer como a água poderia ter existido em forma líquida em Marte mesmo no passado.
Este mistério é conhecido como o "Paradoxo de Marte" - os dados e as teorias mostram que parece ter havido água lá, mas os dados e as teorias também indicam que nunca houve condições de ter havido água lá. Se, e quando esse paradoxo for resolvido, provavelmente será necessário jogar fora um monte de livros didáticos.


Paradoxo de Marte
O atual terreno frio e rochoso de Marte, seco e coberto de poeira, apresenta minerais de argila e sedimentos que devem ter sido depositados por lagos e rios entre 3,5 e 4 bilhões de anos atrás.


O problema começa quando se olha para as condições em Marte naquele tempo. Ainda hoje, a fina atmosfera do planeta e a distância do Sol mantêm-no a uma temperatura média por volta dos -60° C, frio o suficiente para manter água congelada em depósitos polares permanentes.


Há bilhões de anos, contudo, quando a água deveria estar fluindo pela superfície, o Sol era mais jovem e mais frio, o que significa que Marte também era ainda mais frio do que é hoje.


Assim, dado que o ponto de congelamento da água é o mesmo aqui e lá, como é que Marte pode ter sido algum dia quente o suficiente para que a água líquida fluísse em sua superfície e formasse o relevo e as rochas que encontramos lá hoje?
Paradoxo de Marte
Um dos planos da NASA para tornar Marte habitável é dar-lhe um escudo magnético que permita aumentar a densidade da sua atmosfera. [Imagem: NASA]


Efeito estufa improvável
Uma hipótese plausível seria que os gases de efeito estufa prenderiam o calor como o fazem na Terra. O problema é que nenhuma quantidade de CO2 conseguiria aquecer Marte o suficiente para manter a água líquida. Mesmo com uma atmosfera de CO2 puro sua temperatura só subiria até perto dos -33° C.


Mas este cenário hipotético é impensável - Thomas Bristow e seus colegas do Centro de Pesquisas Ames da NASA acabam de calcular, com base em sedimentos formados há 3,5 bilhões de anos, que a atmosfera marciana naquela época continha apenas quantidades-traço de dióxido de carbono.


Então talvez pudéssemos adicionar um pouco de metano ou hidrogênio - também não dá certo porque, com essa escassez de CO2, não importa quanto hidrogênio ou metano ou outros gases sejam adicionados à equação, seria preciso uma atmosfera tremendamente espessa para blindar esses gases de efeito estufa sensíveis contra a radiação solar.


Bristow e seus colegas apresentaram agora uma outra alternativa: água salgada o suficiente para permanecer líquida mesmo a temperaturas muito abaixo de 0º C. Nesse caso, a atmosfera não precisaria de muito CO2.



Também não parece plausível ou suficiente. Uma água ultrassalina pode até fluir - na Terra, pelo menos - mas o frio do planeta não permitiria chuvas suficientes para explicar a água parada gravada no arenito e no xisto de Marte ao longo de milhões de anos.


Mistérios da água
Então, será que existe algum mecanismo planetário que ainda não entendemos? Uma mistura de gases de efeito estufa que ainda não identificamos?


Talvez o verdadeiro problema seja a nossa compreensão da própria água. Nós já sabemos que a água tem mais de 70 "anomalias", muitas delas incomodando algumas das nossas bem-amadas leis da física - como quando a água mais fria flui para o topo de um copo, por exemplo.


Seja qual for a resposta, estamos ficando sem soluções óbvias para o Paradoxo de Marte. Quando ele for resolvido, talvez nos vejamos em territórios ainda mais estranhos e desafiadores do que o solo do planeta vizinho.

Bibliografia:

Low Hesperian PCO2 constrained from in situ mineralogical analysis at Gale Crater, Mars
Thomas F. Bristow, Robert M. Haberle, David F. Blake, David J. Des Marais, Jennifer L. Eigenbrode, Alberto G. Fairén, John P. Grotzinger, Kathryn M. Stack, Michael A. Mischna, Elizabeth B. Rampe, Kirsten L. Siebach, Brad Sutter, David T. Vaniman, Ashwin R. Vasavada
Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: 114 no. 9 - 2166-2170
DOI: 10.1073/pnas.1616649114

BR-319 vai abrir caminho para emissão de gases de efeito estufa


Por Vandré Fonseca
Dnit realiza obras para tornar trecho da BR-319 trafegável sem licença. Foto: Vandré Fonseca.
DNIT realiza obras para tornar trecho da BR-319 trafegável sem licença. 
Foto: Vandré Fonseca.


Manaus, AM -- A pavimentação completa da BR-319, entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO), pode resultar na emissão de 2,164 bilhões de toneladas de CO2,  segundo um estudo preparado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Esta é a previsão mais pessimista dos três cenários avaliados, que consideraram os efeitos do desmatamento atingir 20%, 50% e 80% da área de influência da rodovia.


O valor está próximo ao total que o Brasil emitia em 2005 e 2006, quando o país despejou anualmente mais de 2 bilhões de equivalentes a CO2 na atmosfera. No cenário mais otimista, as emissões com o desmatamento ao longo da BR-319 previstas são de 541 milhões de toneladas de equivalentes a CO2, aproximadamente o volume que o país vem emitindo a cada ano desde 2009, devido a mudanças no uso da terra, como desmatamento ou queimadas.


O biólogo Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Ipam e um dos autores do estudo, lembra que mais de 70% do desmatamento na Amazônia ocorre numa faixa de até 50 quilômetros ao longo de rodovias. Além disso, ele destaca que a floresta cortada pela BR-319 é bastante densa, o que significa que, em caso de desmatamento, as emissões são maiores do que em outras regiões da Amazônia.


“Se ela seguir a mesma tendência histórica das outras rodovias, que têm uma grande parte do desmatamento concentrado ao longo dessas rodovias, o que aconteceria seria um desmatamento numa proporção que anularia signitivamente boa parte do esforço de redução de desmatamento que ocorreu na Amazônia de 2005 pra cá, que foi de quase 80 por cento”, afirma.
Área desmatada embargada pelo Ibama na BR-319. Foto: Ibama.
Área desmatada embargada pelo Ibama na BR-319. Foto: Ibama.


A BR-319 percorre cerca de 800 quilômetros, cortando uma região ainda preservada da floresta amazônica. Cerca de 400 quilômetros, no chamado meião da rodovia, ainda aguardam o licenciamento ambiental para serem pavimentados. Apesar de grandes estragos provocados pela chuva, um serviço de manutenção realizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) tem permitido a ônibus trafegarem no trecho.


A Associação Amigos e Defensores da BR-319 acompanha as obras de pavimentação e a trafegabilidade da estrada. Para André Marsílio, presidente da associação, os maiores impactos ambientais ocorreu na construção da BR, há mais de 40 anos. E afirma que a degradação ambiental ao longo da rodovia poderia ser reduzido justamente com a pavimentação, que permitiria a atuação de órgãos ambientais e polícias no combate a ilegalidades que estão ocorrendo, como a extração de madeira.


“Hoje os impactos são muito maiores porque não há fiscalização, não tem postos de fiscalização na BR-319”, afirma Marsílio. “Se a rodovia tivesse pavimentada, ela teria junto com o Exército, o Ibama, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Ambiental, as prefeituras municipais, o governo estadual, as reservas ambientais estariam funcionando como deveriam funcionar e, com certeza, esse negócio de impacto ambiental não aconteceria como está acontecendo agora”, completa.


Além da fiscalização, que deveria ocorrer com ou sem a pavimentação, outras medidas podem ser tomadas. Para Paulo Moutinho, dar atenção às atividades econômicas e às Unidades de Conservação de Uso Sustentável criadas ao longo da rodovia é um caminho para amenizar os impactos e o desmatamento previstos. É importante, segundo ele, que a produção no decorrer da BR-319 tenha políticas de apoio e seja controlada.


“Se você faz um ordenamento onde haja produção em uma faixa próxima a rodovia, você deixa de ter uma expansão desordenada pra dentro da floresta, ou seja, poderia se produzir tudo o que se produz em 15 ou 20 quilômetros para cada lado das rodovias se tudo fosse muito bem preparado”, defende Moutinho. “Isso não acontece, as vicinas estão destroçadas, então para produzir mais você avança mais em busca de espaço para produzir, fora a grilagem que vem”.


Leia Também

Greenpeace rompe negociação com a JBS


Por Daniele Bragança*
Campanha Farra do Boi deu início ao Compromisso Público pela Pecuária em 2009. Foto: Greenpeace/Daniel Beltra.
Campanha Farra do Boi deu início ao Compromisso Público pela Pecuária em 2009. 
Foto: Greenpeace/Daniel Beltra.


O Greenpeace resolveu suspender as negociações com a JBS em relação ao Compromisso Público da Pecuária na Amazônia, na qual a empresa é signatária desde 2009, após a maior produtora de proteína animal do mundo ser multada pelo Ibama por comprar gado de fazenda embargada.


Desde o dia 17 de março, a JBS está no olho do furacão após uma mega operação da Polícia Federal, a Carne Fraca, colocar a marca como uma das investigadas por vender carnes impróprias para consumo. Após a Carne Fraca, veio a Carne Fria, deflagrada pelo Ibama, que investigou frigoríficos e fazendas que comercializaram gado criado em áreas embargadas por desmatamento ilegal no Pará.


Diante de mais um escândalo, o Greenpeace entrou em contato com a empresa e comunicou que não vai mais acompanhar o cumprimento do compromisso público assumido pela JBS em 2009 “até que ela [empresa] apresente provas inequívocas que está cumprindo com todos os critérios estabelecidos”. Há 8 anos, os maiores frigoríficos do país assumiram um compromisso de monitorar sua cadeia produtiva e excluir dos fornecedores fazendas que desmataram ilegalmente, que utilizaram trabalho escravo ou que invadiram terras indígenas e unidades de conservação. A JBS, dona das marcas Friboi, Seara e Swift, era uma das principais signatárias do acordo.


“A empresa deverá apresentar melhoria no seu sistema de seleção de fornecedores, bem como melhorar as suas auditorias públicas de terceira parte, para que possa garantir que está cumprindo com todos os critérios do compromisso. Cabe a empresa aproveitar esse momento e cobrar conjuntamente com as outras empresas que haja mais transparência nos instrumentos públicos existentes como o Cadastro Rural Ambiental (CAR) e Guia de Trânsito Animal (GTA), com esses dois instrumentos transparentes e público seria possível o rastreamento da cadeia de fornecedores, inclusive indiretos”, afirmou Cristiane Mazzetti, da Campanha da Amazônia do Greenpeace, em entrevista a ((o))eco feita por e-mail.


Procurada, a JBS respondeu "que cumpre rigorosamente o Compromisso Público da Pecuária e está em contato com o Greenpeace para esclarecer os fatos". Em outra nota enviado a ((o))eco, dessa vez sobre a operação Carne Fria, a empresa negou ter comprado de fornecedores irregulares como acusa a operação do Ibama. Leia a íntegra da nota:


A JBS reitera que não comprou e não compra nenhum animal de fornecedores incluídos na lista de áreas embargadas do Ibama e vem cumprindo integralmente o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), assinado com o Ministério Público Federal do Pará em 2009.


A Companhia não é e não pode ser responsabilizada pelo controle e movimentação de gado de seus produtores. A empresa não tem acesso a Guia de Trânsito Animal (GTA) - documento de posse e de uso exclusivo do governo -, único responsável pelo controle de trânsito animal. Dessa maneira, é um absurdo que o Ibama queira imputar à indústria frigorífica a responsabilidade por garantir esse controle.


No que é de sua responsabilidade, a JBS trabalha com um sistema de monitoramento sofisticado com imagens de satélite e análise de documentos públicos. Fornecedores irregulares são imediatamente excluídos. Nas três últimas auditorias independentes, a JBS obteve mais de 99,9% de conformidade com critérios socioambientais aplicados à compra de gado.

*Com reportagem de Sabrina Barbosa.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Enquanto o mundo alerta para os impactos da destruição do Cerrado,a SEGETH e a SEMA , através do ZEE, promovem a sua destruição!






Parece absurdo mas, infelizmente, é verdade. Enquanto os especialistas apontam o desmatamento e a impermeabilização do cerrado como um grande causador da crise hídrica, a Secretaria da Habitação elabora um documento chamado ironicamente de Zoneamento "Ecológico" Economizo que promove a destruição desse mesmo cerrado!! Seria psicopatia ou total irresponsabilidade com o futuro do DF e do Brasil?





Árvore do Cerrado. Foto: EBC
Árvore do Cerrado. Foto: EBC

Alguns estados já têm tido racionamento de água e especialistas afirmam que o desmatamento do Cerrado é uma das causas do problema. No dia 22 de março foi comemorado o Dia Mundial da Água e você sabia que o Cerrado é fundamental para continuarmos tendo água no Brasil?


Notícias sobre racionamento de água já foram manchetes em alguns estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e agora Brasília. Diferentes estudos da Universidade Federal de Goiás, da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Brown University (publicada na revista científica Global Change Biology em 2016) apontam que o desmatamento no Cerrado é uma das causas para a crise. Isso porque o bioma é considerado o berço das águas, é no Cerrado onde estão localizados os três grandes aquíferos que abastecem boa parte do país: Guarani, Urucuia e Bambuí.


O Cerrado ocupa um quarto do território nacional e está localizado no coração do Brasil, abrangendo 13 estados. Apesar de sua importância para o equilíbrio ambiental, o Cerrado tem sido destruído nas últimas décadas para a expansão do agronegócio e grandes empreendimentos e mais de 50% da sua vegetação já foi desmatada.


A legislação brasileira não garante plena proteção ao Cerrado. Apenas 11% do Cerrado é coberto por reservas ou unidades de conservação, comparados com quase 50% da Amazônia. Enquanto um proprietário de terras é obrigado a proteger 80% da floresta se sua fazenda estiver na Amazônia, no Cerrado essa porcentagem cai para 35%. Em outras palavras, o desmatamento permitido, legal, é muito mais comum.


Com o objetivo de alertar a sociedade para esse e outros impactos, 43 organizações e movimentos sociais se uniram para lançar a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. A campanha busca valorizar a biodiversidade e as culturas dos povos e comunidades do Cerrado, que lutam pela sua preservação. A água é o mote atual da Campanha (Sem Cerrado, sem água, sem vida) para reforçar o papel central do Cerrado no abastecimento de água do país.


A Campanha prevê ações ao longo dos próximos dois anos, e, além de dar visibilidade ao bioma, busca promover a visibilidade dos povos e comunidades tradicionais que vivem nas regiões de Cerrado, já que eles convivem historicamente de forma harmônica com o meio ambiente. As organizações envolvidas buscam também trazer para a esfera política o debate sobre a elevação do status do Cerrado para Patrimônio Nacional e exigir um acordo político para estancar o desmatamento.

Organizações promotoras da Campanha


Associação União das Aldeias Apinajés/PEMPXÀ – ActionAid Brasil – CNBB/Pastorais Sociais – Agência 10envolvimento – APA/TO – ANQ – AATR/BA – ABRA – APIB – CPT – CONTAG – CIMI – CUT/GO – CPP – Cáritas Brasileira – CEBI – CESE – CEDAC – Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia – Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do DF – CONAQ – FASE – FBSSAN – FETAET – FETAEMA – CONTRAF-BRASIL/FETRAF – Gwatá/UEG – IBRACE – ISPN – MJD – MIQCB – MPP – MMC – MPA – MST – MAB – MOPIC – SPM – Rede Cerrado – Redessan – Rede Social de Direitos Humanos – Rede de Agroecologia do Maranhão – TIJUPA – Via Campesina – FIAN Brasil.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/03/2017

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
 Comentário:
Abram os links e constatem que o ZEE nada mais é do que uma condenação à morte do que resta do cerrado no DF! 
http://associacaoparkwayresidencial.blogspot.com.ar/2017/02/o-zee-promove-o-desmatamento-do-cerrado.html 
http://associacaoparkwayresidencial.blogspot.com.ar/2017/03/o-zee-nao-foi-feito-nesses-24-anos-esta.html

http://associacaoparkwayresidencial.blogspot.com.ar/2017/03/zee-nao-protege-os-lencois-freaticos-do.html

http://associacaoparkwayresidencial.blogspot.com.ar/2017/03/o-zee-coloca-em-ridiculo-recem-criada.html
 

Os Incêndios Florestais nas Serras de Jacobina (BA) ameaçam as Turfas de Montanha, um ecossistema raro e único no Mundo, artigo de Carlos Victor Rios da Silva Filho



[EcoDebate] Os incêndios florestais acontecem em diversas regiões do Brasil, e em que 90% dos casos são causadas pelo homem, o que representa uma ameaça real à sustentabilidade de determinados ecossistemas e prejudicam os esforços globais para a conservação da água. Em períodos de estiagem, quando a vegetação está seca, é comum também à queimada por causas naturais, sem que haja a intenção do homem. Neste caso, qualquer fagulha ao cair solo pode se transformar em um grave incêndio florestal, devastando áreas inteiras. E não tem sido diferente no interior da Bahia, onde esta localizada a Serra de Jacobina..


As Serras de Jacobina com suas elevações acima de 1000m favorecem o acúmulo de água e o surgimento de inúmeras nascentes. Destaca-se que os vales das serras, (Figura 1), devido ao encharcamento excessivo, proporcionam o desenvolvimento das turfas de montanhas. As turfas em outras partes do mundo são protegidas pela Convenção de Berna, 1979 e Directiva Habitats, 1992, pelo fato de serem elas próprias o habitat de uma grande diversidade de espécies raras e protegidas, além de ser é um verdadeiro reservatório purificador, ou seja, purificam a água, retendo na sua estrutura todas as substâncias que são transportadas em solução, tais como íons metálicos e outras substâncias tóxicas. Contribuem também para regular a infiltração da água após chuvas intensas, sendo gradualmente liberada durante os períodos de baixa precipitação, regulando ainda a erosão dos solos e o microclima local.

Figura 1 – Vista da Serra de Jacobina e localização dos vales - 2017. Foto: Modificado de Eugênio Junior.
Figura 1 – Vista da Serra de Jacobina e localização dos vales – 2017. Foto: Modificado de Eugênio Junior.

As turfas de montanhas funcionam como um combustível para o fogo. Nestes locais, a velocidade da queima é lenta e ocorre no subsolo, e nem sempre é possível ver as chamas, que pode durar dias ou meses. Apesar disso, produz combustão de grande quantidade de biomassa por hectare, em alguns casos até maiores que aquela produzida por um incêndio florestal na superfície. Esse incêndio vai ‘cozinhando’ o solo e queimando as raízes das plantas por baixo. Até que chega a uma vegetação em superfície, dando inicio a uma labareda, que pode passar para outra região e aí vira uma reação em cadeia.


Muitas dessas queimadas que se propagam ao longo das serras (Figura 2) podem ser intencionais ou não, no segundo caso, na maioria das vezes trata-se de incêndios provocados por queimadas para limpeza de terrenos, principalmente na zona rural, sendo hoje considerada como uma das principais causas dos incêndios florestais, seguidos dos incendiários criminosos.


A prática da queimada na zona rural esta presente em nossa sociedade por décadas. O ato de queimar é negativo, pois o solo perde nutriente e os microrganismos que garantem a sua fertilidade. Com isso o solo fica empobrecido, e no decorrer dos anos, ao longo de consecutivos plantios a situação se agrava gradativamente, o que resulta na infertilidade da área. Do ponto de vista ambiental, as queimadas são responsáveis pelo desmatamento de grandes áreas nativas, o que pode comprometer o equilíbrio hídrico de toda a região.

Figura 2 – Incêndio Florestal na Serra de Jacobina – 2017. Foto: Eugênio Junior.
Figura 2 – Incêndio Florestal na Serra de Jacobina – 2017. Foto: Eugênio Junior.

Apesar de ser uma prática nociva e proibida, o novo Código Florestal (LEI Nº 12.651), aprovado em 2012, autoriza o uso do fogo em atividades de subsistência exercidas pelas populações tradicionais e indígenas. Tudo isso mediante a prévia aprovação do órgão ambiental competente, que deve estabelecer os critérios de monitoramento e controle de queimada.


Entretanto esta prática historicamente vem sendo negligenciada, o que é considerado crime ambiental, com previsão de pena de reclusão de dois a quatro anos e multas por hectare queimado, conforme estabelece o artigo 250 do Código Penal. Além da possibilidade de responder a processos criminais, aquele que utilizar do fogo sem licença ambiental esta sujeito a pagar pelos danos morais causados a sociedade, que fica tolhida de desfrutar do patrimônio ecológico.

Somado a isto, a ausência de um Plano de Prevenção a Incêndios Florestais, um Plano de Manejo em Áreas de APP- (Áreas de Proteção Permanente) e um Plano de Recuperação das Nascentes nas serras e no seu entorno potencializa os riscos ambientais causados pelo fogo e pode compromete o abastecimento de água local para as futuras gerações.

Isto em um momento em que as discussões sobre políticas públicas nacionais e internacionais relacionado às alterações climáticas e seus previsíveis impactos sobre os recursos naturais estão em evidência. Neste contexto de grande incerteza se faz necessário o desenvolvimento de estratégias para garantir a sustentabilidade dos recursos naturais, que devem ser evidenciadas e discutidas pelos órgãos governamentais e empresas privadas, do contrário, os recursos naturais sensíveis como é o caso das Serras de Jacobina, correm risco.
Destaca-se que dos quase 200 km de Serras/Montanhas (Serras de Jacobina) com cotas acima de 1000m pertencentes à Bacia Hidrográfica do Rio Itapicuru, 31 km encontram-se dentro dos limites geográficos do município de Jacobina, sendo o restante distribuídos em 9 municípios, incluindo os confrontantes, tais quais, Miguel Calmon, localizado a sul de Jacobina, Caem, Mirangaba, Saúde, Pindobaçu, Antônio Gonçalves, Senhor do Bonfim, Campo Formoso e Jaguarari, localizados a norte de Jacobina (Figura 3).
Figura 3 – A – Mapa da Bahia indicando a localização da Bacia Hidrográfica do Rio Itapicuru; B- Mapa de Localização da Serra de Jacobina e Municípios confrontantes.
Figura 3 – A – Mapa da Bahia indicando a localização da Bacia Hidrográfica do Rio Itapicuru; B- Mapa de Localização da Serra de Jacobina e Municípios confrontantes.

Portanto, a elaboração e execução de um Plano de Prevenção a Incêndios Florestais, um Plano de Manejo em Áreas de APP- (Áreas de Proteção Permanente) e um Plano de Recuperação de Nascentes de forma integrada entre os 10 municípios confrontantes com as Serras de Jacobina parece ser uma medida necessária para a revitalização das nascentes e conservação das turfas, de modo a somar esforços para a conservação global da água, bem como minimizar os efeitos locais dos incêndios florestais e dos prejuízos já ocorridos, estes incalculáveis do ponto de vista ecológico e financeiro e que ameaça inclusive o desenvolvimento do Turismo Sustentável da Região.


Carlos Victor Rios da Silva Filho possui graduação é Geologia Universidade Federal da Bahia (2009). Mestre em Geologia Econômica pela Universidade de Brasília (2012) e doutorando Geologia e Geoquímica pela Universidade de Brasilia (2017). Atualmente é diretor executivo da Geofsite – Geologia e Geofísica onde desenvolve atividades e aquisição geofísica terrestre utilizando Métodos Elétricos e GPR (Ground Penetrating RadarGerenciamento em projetos de Geologia e Geofísica direcionada a Prospecção Mineral, estudos Hidrogeológicos, Geotécnicos e ambientais. E-mail: carlosvictor02@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/03/2017


"Os Incêndios Florestais nas Serras de Jacobina (BA) ameaçam as Turfas de Montanha, um ecossistema raro e único no Mundo, artigo de Carlos Victor Rios da Silva Filho," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/03/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/03/23/os-incendios-florestais-nas-serras-de-jacobina-ba-ameacam-turfas-de-montanha-um-ecossistema-raro-e-unico-no-mundo-artigo-de-carlos-victor-rios-da-silva-filho/.

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quarta-feira, 22 de março de 2017

Lei de Ocupação do Solo volta a assombrar moradores (#Luos)

quarta-feira, 22 de março de 2017




*Por Circe Cunha

Volta e meia, o fantasma da Lei Complementar de Uso e Ocupação do Solo (Luos) sai do Palácio do Buriti e volta a assombrar a população do Distrito Federal. As audiências públicas que se sucedem desde o ano passado, visando a alterações nos gabaritos e na destinação de espaços, deixam mais dúvidas do que certezas.


Nos lagos Sul e Norte e no Park Way, os moradores vêm se mobilizando para impedir que as áreas, antes destinadas exclusivamente a residências, se transformem, em pouco tempo, em áreas mistas, onde seria permitido o funcionamento de estabelecimentos comerciais e industriais.


Quem ainda não vislumbrou direito como seriam essas localidades, caso a lei venha a ser aprovada conforme desejam os empreiteiros, basta visitar o bairro de Águas Claras e ver, in loco, o que foi cometido naquela localidade. Lá, construíram-se torres residenciais altíssimas, instalando os comércios sob os edifícios. Não bastasse esse descalabro, somente depois de o bairro ser concluído, perceberam que não haviam planejado calçadas adequadas para pedestres nem ruas suficientes para desafogar o trânsito. O resultado é que, nas horas de pico, o bairro empaca.


Onde a especulação imobiliária fala mais alto do que o planejamento urbano, o resultado é um desastre para muitas gerações. Para a maioria dos moradores dos Lagos Sul e Norte e do Park Way, a Luos para aquelas localidades contribuirá para acelerar a destruição da qualidade de vida dos bairros, transformando-os de uma área, até então bucólica, em mais uma zona populosa e caótica. Chamamos a atenção para a cerca arrebentada na entrada do Lago Norte à esquerda. A área verde ali preservada certamente está na mira de construtoras.


Há tempos, esta coluna vem defendendo que se retire da Câmara Legislativa a possibilidade de alterar, por qualquer motivo, o uso e a ocupação do solo em todo o DF, por uma razão simples: eles não entendem e desprezam a ciência urbana e legislam, nesses assuntos, apenas de olho nas vantagens financeiras que advirão.


Basta lembrarmos os escândalos protagonizados por pelo Legislativo local nos episódios que alteraram a destinação de alguns lotes residenciais para áreas nas quais poderiam ser construídos postos de combustíveis. Do dia para a noite, os lotes passaram a valer fortunas para alguns e prejuízos para muitos. 


Brasília conquistou, há pouco, o título de cidade com a melhor qualidade de vida do Brasil, graças à determinação de muitos moradores, principalmente àqueles que para cá vieram nos tempos difíceis da construção da nova capital. O que os políticos e os empreiteiros não entendem é que essa qualidade de vida foi conquistada, ao longo de anos, com muito esforço, e não tem dinheiro no mundo que pague.
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22 de março, Dia Mundial da Água

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22 Março 2017  |  
22 de março é um lembrete anual de que a água é primordial para a sobrevivência dos seres vivos, mas principalmente sobre a importância de cuidarmos desse recurso tão precioso e escasso. Isso porque apesar de mais de 70% da superfície da Terra ser coberta por água, menos de 1% é própria para consumo.

Do total de água disponível no planeta, 97% estão nos mares e oceanos (água salgada) e apenas 3% são água doce. Dessa pequena porcentagem, pouco mais de 2% estão nas geleiras (em estado sólido) e, portanto, menos de 1% está disponível para consumo. E você sabe onde está localizado esse 1% de água doce disponível para consumo? Está nos rios, lagos e águas subterrâneas. E, como sabemos, grande parte dessas fontes está sendo poluída, contaminada e degradada por más práticas humanas.

Segundo relatório divulgado em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU), mais de dois terços da população mundial sofrerão com a falta de água em 2050 devido ao consumo excessivo de água para a produção de alimentos e para a agricultura, a degradação dos recursos naturais e os impactos climáticos.    


O que o WWF-Brasil faz pela água?

No Pantanal
O Pantanal é a maior área úmida do planeta e possui uma rica biodiversidade: mais de 4 mil espécies de animais e plantas registradas. Em março de 2017 comemoramos a recuperação de 70 nascentes das cabeceiras do Pantanal, região onde nascem as águas que alimentam a planícia e sua biodiversidade. Esse resultado ocorre dentro da iniciativa denominada Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, idealizada pelo WWF-Brasil em 2012 para conservar rios e nascentes da maior área úmida do planeta, e hoje composta por 47 entidades, entre empresas, ongs, prefeituras e governo do estado de Mato Grosso. "A região das cabeceiras do Pantanal está em alto risco por conta do desmatamento, más práticas agropecuárias e falta de saneamento básico. É muito importante apoiarmos um projeto como o Pacto para conservar os recursos hídricos de uma área prioritária da Bacia do Alto Paraguai", afirma Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil.

Além da recuperação das nascentes, o Pacto soma outros resultados positivos: 20 famílias beneficiadas pela instalação de biofossas, 76 pequenas propriedades preparadas para receber Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), 3 viveiros florestais em funcionamento, 170 quilômetros de estradas rurais recuperadas.Para participar do Pacto, cada organização assina um termo de adesão voluntário se comprometendo a executar em sua região pelo menos três ações em prol das águas.

No Cerrado

No Cerrado nascem as principais bacias hidrográficas do país que alimentam as bacias do São Francisco, do Tocantins-Araguaia, do Paraná e Paraguai. Para se ter uma ideia da importância das águas do Cerrado, sete em cada dez litros das águas que passam pelas turbinas da usina de Tucuruí (PA) vêm do Cerrado, assim como, metade da água que alimenta Itaipu (PR), e quase 100% do montante de Sobradinho (BA). Isso significa que nove em cada dez brasileiros consomem eletricidade produzida com águas do Cerrado.


O WWF-Brasil tem trabalhado com o Programa Água Brasil, fruto de uma parceria com o Banco do Brasil, Fundação Banco do Brasil e Agência Nacional de Águas, na implementação de modelos de produção e uso eficiente da água em bacias do Cerrado. Iniciado em 2010, contou com uma área piloto na bacia do Pipiripau, no Distrito Federal, responsável pelo abastecimento de 200 mil habitantes.


Ações de conscientização, recuperação de rios e proteção de nascentes, além da adoção de boas práticas como a instalação de terraços, com o objetivo de aumentar a infiltração da água das chuvas na região, têm demonstrado uma significativa melhora na qualidade e quantidade desse recurso. Atualmente, o projeto, em sua segunda fase de implementação, atuando nas bacias do Descoberto e de São Bartolomeu, que, juntas, representam mais de 40% do território do Distrito Federal.

Na Amazônia
A Amazônia é a maior floresta tropical úmida do mundo, com a maior bacia hidrográfica do planeta. É nela que está o Rio Amazonas, o segundo rio mais longo do mundo, com mais de 6,4 mil km de extensão, e de onde saem os gigantescos “rios voadores” para todo o Brasil, a partir do vapor d’água proveniente das florestas, que influenciam as chuvas no centro-sul da América do Sul. A bacia hidrográfica é composta por uma variedade de paisagens e ecossistemas, que incluem florestas tropicais úmidas, florestas inundadas ou várzeas, savanas e uma rede intrincada de rios, lagos e igarapés. Além disso, as florestas tropicais trocam grandes quantidades de água e energia com a atmosfera e são consideradas importantes para o controle do clima local e regional.

Ao trabalhar pela conservação da Amazônia, há mais de 20 anos, o WWF-Brasil também tem contribuído com a proteção de rios, lagos, nascentes e toda a biodiversidade que dela dependem. Um dos destaques é o trabalho de conservação de inúmeras áreas protegidas, entre Unidades de Conservação (UC's), que contribuem para a com a proteção dos recursos hídricos que abastecem cidades urbanas e uma riqíssima bodiversidade. Um bom exemplo é o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), o maior programa de conservação de florestas tropicais do mundo, que protege 114 UCs ou 59,2 milhões de hectares.

Pela melhoria da gestão dos recursos hídricos 
O Observatório da Governança das Águas, outra iniciativa da qual o WWF-Brasil também faz parte, trabalha no monitoramento da gestão dos recursos hídricos de todo o país.  Tem como objetivos principais fortalecer o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) - responsável por arbitrar conflitos e promover a cobrança pelo uso da água - monitorar a governança em todo o território nacional e garantir que a água seja tema estratégico na agenda social e política brasileira.

Na prática, significa verificar questões como por exemplo: as leis referentes ao setor são efetivas e estão sendo aplicadas corretamente? Os recursos financeiros destinados à gestão das águas estão sendo repassados corretamente entre os órgãos e esferas públicas? A sociedade e os comitês de bacias estão participando ativamente das discussões e das decisões referentes à agua? Os comitês de bacias estão conseguindo implementar seus planos e recuperar a qualidade e quantidade das águas? 

Pela energia
No Brasil, a maior parte de nossa eletricidade vem de usinas movidas a água (as hidrelétricas). Historicamente, o nível dos nossos reservatórios tem diminuído gradativamente, como consequência, principalmente, da modificação no regime de chuvas, muito relacionado às mudanças climáticas. Com o atual modelo de energia (que não privilegia a energia alternativa renovável), menos água nos reservatórios significa mais complementação pelo uso de térmicas, mais caras e mais poluentes.

A água também é um sinal importante de aquecimento global. As emissões cada vez maiores de gases de efeito estufa provocam o aumento da temperatura da água dos oceanos (o que causa, entre outras coisa, o branqueamento dos corais), derretimento das geleiras e elevação do nível do mar. Os efeitos destes fenômenos já estão aparecendo e exigem ações que garantam a segurança da população e de todo o ecossistema. O WWF-Brasil, por meio do Programa Mudanças Climáticas e Energia, trabalha pela implementação brasileira do Acordo de Paris com metas climáticas mais fortes, incluindo uma matriz elétrica 100%. Dessa forma, buscamos que o país dê sua contribuição justa para o clima global, contribua para o bem estar da população e para a geração de empregos.

Día Mundial del Agua 22 de marzo




La humanidad necesita agua

Una gota de agua es flexible. Una gota de agua es poderosa. Una gota de agua es más necesaria que nunca.


El agua es un elemento esencial del desarrollo sostenible. Los recursos hídricos, y la gama de servicios que prestan, juegan un papel clave en la reducción de la pobreza, el crecimiento económico y la sostenibilidad ambiental. El agua propicia el bienestar de la población y el crecimiento inclusivo, y tiene un impacto positivo en la vida de miles de millones de personas, al incidir en cuestiones que afectan a la seguridad alimentaria y energética, la salud humana y al medio ambiente.


En la actualidad más de 663 millones de personas viven sin suministro de agua potable cerca de casa, lo que les obliga a pasar horas haciendo cola o trasladándose a fuentes lejanas, así como a hacer frente a problemas de salud debido al consumo de agua contaminada.



«¿Por qué desperdiciar agua?»

Este año, nos concentramos en el desperdicio del agua y en cómo reducir y reutilizar hasta un 80% del agua que malgastamos en nuestras casas, ciudades, industrias y agricultura y que fluye de vuelta a la naturaleza, contaminando el medio ambiente y perdiendo nutrientes valiosos.


Necesitamos aumentar la recolección y tratamiento de las aguas residuales y reciclarlas de una forma segura. Al mismo tiempo, necesitamos reducir la cantidad de agua que contaminamos y malgastamos para ayudar a proteger el medio ambiente y los recursos hídricos.


El Objetivo de Desarrollo número 6 Garantizar la disponibilidad de agua y su gestión sostenible y el saneamiento para todos, incluye una meta de reducir a la mitad la proporción de agua dilapidada y aumentar su reciclaje.


Datos destacados

  • Mundialmente, más del 80% de las aguas residuales que generamos vuelve a los ecosistemas sin ser tratada ni reciclada.
  • 1800 millones de personas usan una fuente de agua contaminada por material fecal, poniéndolas en riesgo de contraer el cólera, la disentería, el tifus o la polio. El agua no potable, y unas pobres infraestructuras sanitarias, así como la falta de higiene, causa alrededor de 842 000 muertes al año.
  • Las oportunidades de explotar las aguas residuales como un recurso son enormes. El agua tratada de una forma segura es una fuente sostenible y asequible de agua y energía, así como para obtener nutrientes y otros materiales recuperables.
El Día Mundial del Agua está coordinado por UN-Water Disponible en inglés, un mecanismo de colaboración de la ONU para temas relacionados con el agua potable en el que participan gobiernos y otras entidades.

WWF-Brasil mobiliza 500 voluntários para limpar a praia de Copacabana

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14 Março 2017  |  
 
No dia 25 de março, sábado, acontece a Hora do Planeta, que ressalta a importância de ações individuais e coletivas em prol do planeta. E nesse dia, o WWF-Brasil, em parceria com o Instituto Mar Adentro, mobiliza voluntários para limpar a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e organiza o 1º Mutirão de Limpeza de Praia, o Clean Up. Ele acontece entre os Postos 5 e 6, entre 8h e 11h.

Em seguida à catação de micro lixo, atividade fundamental para elaboração de um relatório gravimétrico do trecho de areia em questão para ser encaminhado para os órgãos ambientais, e o corpo a corpo, às 11h haverá o encerramento das atividades com um “abraçaço” ao mar, que começará no Posto 6 e se expandirá. As pessoas darão as mãos para criar uma corrente de desejos positivos para o oceano.   

Esse será o primeiro Clean Up de 2017, seguido de dois eventos desse tipo no Arquipélago das Cagarras, um em junho e outro no segundo semestre, com mergulhadores retirando o plástico direto do fundo do oceano.

Ação Voluntária A intenção do projeto é buscar aumentar a conscientização sobre o meio ambiente marinho, engajando a comunidade para que participe na preservação e proteção da natureza, aderindo às atividades de limpeza de praia e à prática da coleta seletiva. E para isso, é fundamental a parceria da própria comunidade: a ideia é reunir 500 voluntários que atuarão como agentes do bem, recolhendo micro lixos da praia e auxiliando na educação ambiental no local, conversando com o público presente sem distribuir qualquer papel, abordando a problemática sobre o abandono de lixo no mar, problemas sobre a fauna e a flora marinha e a importância da coleta seletiva.

 Hoje, dia 13 de março, o WWF-Brasil e o time de parceiros abre as inscrições para a ação de voluntariado. Para se inscrever, basta acessar o link e preencher o documento.

Comunidade ativa 
 O evento, que faz parte do projeto Conhecer para Preservar, é uma parceria entre WWF-Brasil e Instituto Mar Adentro, que atuam juntos para a preservação marinha desde 2016, com mutirões de limpeza como esse, cursos para a comunidade, ações com o público infantil e monitoramento de cetáceos (baleias e golfinhos) e de aves marinhas.

No local, também haverá a venda de produtos reciclados do plástico, por meio do projeto Remolda, que faz parte da campanha Plástico Vale Ouro do WWF-Brasil e busca reduzir a chegada de plástico na Baía de Guanabara promovendo desenvolvimento social para comunidades locais.

Essa ação conta com o apoio e a participação do Movimento Lixo Zero, Colônia de Pescadores Z13, do Rio Eu Amo Eu Cuido, BG500, Projeto Aruanã, Projeto Praia para Todos, Meu Copo Eco, Instituto IEVA, Movimento Clean Up The World, Eco Eduque, Verde Mar, Mergulho Consciente, G BioTra, X-CAm, Jornal O Posto 6 Sanatto (empresa de coleta), Biscui, Rainha e Flor de Copa (restaurantes), Clube Carioca VA´A, O Treino, Da Selva Sup, Street Runners, Natação no Mar (consultorias esportivas), Associação Brasileira do Lixo Marinho e Associação de Stand Up Paddle.

Sobre o WWF-Brasil O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWFBrasil desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Serviço: Clean Up– Mutirão de Limpeza Data: 25 de março Horário: 8h às 11h Local: Praia de Copacabana (trecho entre os postos 5 e 6) – concentração na Colônia de Pescadores do Posto 6 Evento no Facebook:https://www.facebook.com/events/108273499672088/ Hashtag: #conhecerparapreservar Inscrições aqui.

O plano da NASA para tornar Marte habitável


O plano da NASA para tornar Marte habitável
Qualquer semelhança com a Terra é mera coincidência: à esquerda é como os cientistas imaginam que Marte era no passado; à direita, como ele é hoje.[Imagem: NASA]


Terraformação
Seus próprios criadores reconhecem que se trata de uma estratégia que pode parecer obra de ficção científica, mas eles acreditam que já é possível sonhar com esse efeito de terraformação.
Cientistas da Nasa dizem que Marte poderia ser habitável caso fosse criado artificialmente algo que a Terra já tem: um campo magnético protetor.


Esse escudo é essencial para evitar o impacto da radiação e dos ventos solares, que assolam continuamente a atmosfera dos planetas.


De acordo com pesquisadores da Divisão de Ciência Planetária da Nasa, pode ser possível gerar um campo semelhante ao redor do Planeta Vermelho.


De olho no passado
Hoje, Marte é um planeta dominado pelos extremos. A falta de atmosfera faz, por exemplo, com que a temperatura média seja de -63°C, mas com variações que vão de 35°C durante o dia até -140°C durante a noite.


Mas o Planeta Vermelho era muito diferente no passado: dados das missões Maven, da Nasa, e Mars Express, da ESA (agência espacial europeia) sugerem que ele tinha um campo magnético natural.
Essa proteção sumiu há cerca de 4,2 bilhões de anos, eventualmente pelo resfriamento do núcleo do planeta. Como resultado, a atmosfera marciana desapareceu gradualmente ao longo do tempo, varrida pelo vento solar. Na Terra, a magnetosfera impede essa varrição cósmica.


O que os pesquisadores propõem, então, é recuperar a atmosfera marciana usando tecnologia para criar uma magnetosfera artificial e restaurar o planeta Marte do passado, com sua atmosfera, temperaturas mais altas e eventualmente até com parte de seus antigos oceanos.
O plano da NASA para tornar Marte habitável
Campo magnético artificial protegeria Marte da radiação e dos ventos solares. [Imagem: NASA]
 
 
Campo magnético
"No futuro, é bem possível que ela (a tecnologia) possa gerar um campo magnético de 1 a 2 Teslas contra o vento solar", disse Jim Green, da divisão de ciência planetária da Nasa.


Green e seus colegas propõem a instalação de um dipolo magnético, na forma de um satélite, para que ele acompanhe o planeta em sua órbita, protegendo-o. Um dipolo é um elemento específico que produz um campo magnético dipolar (dois polos magnéticos opostos).


O cientista lembra que estão em andamento projetos para criar magnetosferas artificiais em miniatura para proteger tripulantes de naves espaciais e mesmo escudos magnéticos para proteger naves na reentrada.


De acordo com as simulações, um campo magnético implantado no ponto de Lagrange L1 - ponto de equilíbrio gravitacional entre Marte e o Sol - seria capaz de ampliar a espessura da atmosfera e produzir um aumento da temperatura em 4°C.
O plano da NASA para tornar Marte habitável
Marte é um planeta de condições extremas: as temperaturas vão de -130°C a 35°C. [Imagem: NASA]
 
 
Colônia humana
O aumento na temperatura do planeta é bem menor do que os cientistas esperavam, mas eles acreditam que o efeito poderia se multiplicar.


O aumento da temperatura, por sua vez, poderia derreter o dióxido de carbono no polo norte do planeta. E isso criaria um efeito estufa que aumentaria ainda mais a temperatura até alcançar condições compatíveis com a presença de água no estado líquido.


"Uma atmosfera marciana com maior temperatura e pressão permitiria que houvesse água em estado líquido suficiente na superfície para melhorar a exploração humana na década de 2040", disse Green.
Para ele, se fosse criado um campo magnético artificial, "as novas condições em Marte permitiriam que os pesquisadores e exploradores estudassem o planeta com muito mais detalhes. E se isso for alcançado... a colonização de Marte não estará muito longe."
O plano da NASA para tornar Marte habitável
Quando Marte perdeu o campo magnético, sua atmosfera foi progressivamente eliminada. [Imagem: NASA]
 
 
Cautela
Apesar do entusiasmo com a ideia, trata-se ainda de um conceito, e a equipe reconhece que este primeiro estudo está longe de oferecer as soluções definitivas para prover habitabilidade em Marte.
As simulações não contam com dados suficientes para prover cenários confiáveis sobre como o escudo artificial impactaria o clima marciano. E, principalmente, a tecnologia para a geração do campo magnético ainda está por ser desenvolvida.


Em discursos, executivos da NASA insistem em uma presença humana em Marte na década de 2030, mas mesmo os planos mais detalhados para colocar o homem em Marte em 2039 ainda não estão em andamento.