sexta-feira, 26 de maio de 2017

Educação Ambiental, por um fotógrafo


Trilha Em busca das galhas, Parque Estadual Serra Verde Foto: Moisés Lima
Trilha educativa “Em busca das galhas” no Parque Estadual Serra Verde Foto: Moisés Lima

Não é de hoje que ouvimos falar em secas, agrotóxicos, desmatamento, reservatórios naturais abaixo do nível mínimo, e outros problemas ambientais. A lista é grande e  são anos de problemas acumulados. Uma solução certamente não virá da noite para o dia. Porém, novas estratégias têm surgido para enfrentá-los e uma das mais poderosas é a Educação Ambiental. Com ela, engajamos pessoas na preservação e na conservação.


Muitos parques desenvolvem trabalhos de educação ambiental, que alcançam uma nova geração, de jovens e adultos, que tem desfrutado das suas atrações e aprendido sobre sua fauna e flora. Isto graças a dedicação dos gestores em educar através de  atividades os visitantes.
Crianças visitando a lagoa Dom Helvécio, Parque Estadual do Rio Doce. Foto: Moisés Lima
Crianças visitando a lagoa Dom Helvécio, Parque Estadual do Rio Doce. Foto: Moisés Lima

Muitas vezes as pessoas moram perto de algum parque ou área verde protegida, mas desconhecem a biodiversidade do local. Se as comunidades vizinhas não souberem das atividades desenvolvidas, automaticamente estarão sendo excluídos dos processos de desenvolvimento sustentável da sua região, o que seria como dizem por aí: “um tiro no pé”, afinal o incendiário, o caçador e o que extrai madeira irregular,  em sua grande maioria são as pessoas que moram na região e não reconheceram a importância daquela área protegida.


Por isso, é fundamental inseri-las nos processos de conservação.  Um dos pontos chave para a gestão saudável de um parque é transmitir de maneira lúdica o conhecimento científico adquirido ao longo do tempo.
Trilha voltada para a divulgação da fauna. Foto: Moisés Lima
Trilha voltada para a divulgação da fauna. Foto: Moisés Lima

Isso estimula não só os moradores do entorno, mas também  educadores e professores que vêem a possibilidade de usar essas áreas verdes como uma poderosa ferramenta de complemento para atividades da sala de aula, incentivando os alunos a, inclusive, espalhar o aprendizado com os familiares e amigos.


É importante, além disso, haver uma parceria entre os parques e as escolas que estão inseridas no entorno, como estratégia essencial de curto prazo ou longo prazo: esses alunos serão os futuros cidadãos que conheceram o parque e saberão apreciar sua importância.


Outro aspecto importante da educação ambiental é a quebra de preconceitos contra animais como, por exemplo, as serpentes e as aranhas, constantes vítimas da falta de conhecimento. Animais que podem sim, conviver com os seres humanos pacificamente. Exemplares criados com autorização e utilizados em atividades educacionais servem para aprendizado e quebra de paradigmas. Entender o comportamento dos animais e jamais tentar manuseá-los animais silvestres sem conhecimento.
Trilha dos bichos, Parque Estadual Serra Verde. Foto: Moisés Lima
Trilha dos bichos, Parque Estadual Serra Verde. Foto: Moisés Lima

Não podemos deixar de citar a importância da fotografia nos registros dos atividades de educação ambiental. Por meio das fotos podemos divulgar e estimular as pessoas a participar das atividades que muitas vezes acontecem bem próximo delas.
Hoje temos a oportunidade de alcançar várias pessoas de diversas partes do mundo, de trocar informações e experiências e, juntos, implementar e melhorar as atividades realizadas ao ar livre.
Lembrem-se :  nada melhor que uma trilha cheia de informação e aprendizado.
Caminhada ecológica. Foto: Moisés Lima
Caminhada ecológica. Foto: Moisés Lima

MMA defende vetos contra MPs que recortam áreas protegidas na Amazônia


Por Sabrina Rodrigues
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, recomenda veto às Medidas Provisórias 756 e 758. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, recomenda veto às Medidas Provisórias 756 e 758. 

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.


Nesta quarta-feira (24), o Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, enviará recomendação de veto às Medidas Provisórias 756 e 758, que foram aprovadas pelo Senado Federal nesta terça-feira (23). As MPs reduzem ou flexibilizam a proteção de mais de 600 mil hectares na Amazônia.



Em nota, o Ministro ressalta que o seu posicionamento é baseado em estudos e pareceres técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Secretaria de Biodiversidade. O Ministro afirma ainda que o texto aprovado descaracteriza o propósito original das MPs, “ao sinalizar contrariamente aos esforços do Governo Federal em conter o desmatamento na Amazônia, cujos índices voltaram a subir nos dois anos anteriores à sua gestão, tendo atingido, em 2016, a marca de 7.989 km2, e também altera o Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina”.


A nota afirma também que os textos aprovados prejudicam a implantação das políticas de governo adequadas ao combate aos conflitos fundiários, grilagem e ausência de regramento ambiental existentes nas áreas afetadas na região da Floresta Nacional de Jamanxim (PA), por exemplo.



Leia a nota na íntegra.

Em carta aberta, grupo Coalizão Brasil pede veto presidencial às MPs 756 e 758

Por Duda Menegassi
Foto: Ascom/IBAMA.
Foto: Ascom/IBAMA.


Nesta quinta-feira (25), o movimento Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura publicou uma carta aberta direcionada ao presidente Michel Temer na qual solicita o seu veto às Medidas Provisórias  756/2016 e 758/2016. O documento vem somar na pilha de manifestações públicas contrárias às propostas que vulnerabilizam mais de 600 mil hectares de áreas protegidas. Ontem, o próprio Ministério do Meio Ambiente divulgou em nota oficial a solicitação pelo veto presidencial.




De acordo com a carta, “a aprovação dessas MPs vai na direção contrária à proteção do meio ambiente e ao combate ao desmatamento crescente nos biomas brasileiros e compromete a credibilidade das necessárias iniciativas de desenvolvimento econômico no País”. No texto do documento, o grupo, que é formado por representantes da sociedade civil, da academia e mais de 150 empresas, reforça ainda que esta é uma decisão que beneficiará “alguns poucos indivíduos em detrimento do interesse nacional” (leia na íntegra).


As MPs reduzem a área de três UCs: a Floresta Nacional do Jamanxim e o Parque Nacional do Jamanxim, ambas no Pará, e o Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. Além disso, criam duas novas Áreas de Proteção Ambiental (APA): Jamanxim e Rio Branco. APAs são as unidades de conservação de categoria mais permissiva prevista pelo SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), que permitem tanto a presença de propriedades privadas quanto a exploração econômica.


No texto da carta, o movimento pontua ainda que, caso sejam sancionadas, as MPs promoverão “a retirada da proteção de 588,5 mil hectares de florestas na Amazônia e a redução em 20% do Parna de São Joaquim, um dos principais refúgios da biodiversidade da Mata Atlântica”. E ainda que essas “desafetações, recategorizações e alterações de limites de unidades de conservação em curso no governo descumprem claramente um compromisso brasileiro” pela conservação e proteção dos recursos feito, inclusive, em nível internacional.


As MPs foram aprovadas pelo Senado nesta terça (23) e agora dependem apenas da sanção presidencial para serem instituídas. Além de afetar a proteção de mais de 600 mil hectares na Amazônia, as propostas diminuem em 10 mil hectares o Parque Nacional de São Joaquim, um dos mais antigos do Brasil. O gestor do parque, Paulo Santi, explicou que a redução proposta provocaria a “exclusão de áreas importantíssimas para a biodiversidade, como a região dos Alagados e de grande beleza cênica, como o cânion do funil”. Além disso, Paulo declarou que a iniciativa de fragilizar o instrumento normativo que cria o parque é “temerária, porque este método pode abrir precedente a outras UCs”.

Unidades de conservação sofrem com vandalismo em Minas Gerais

Por Sabrina Rodrigues
Floresta Estadual do Uaimií - Foto: Amda/Facebook.
Floresta Estadual do Uaimií - Foto: Amda/Facebook.


Duas unidades de conservação de Minas Gerais foram alvo de depredação e de vandalismo. A Floresta Estadual do Uaimií e o Parque Estadual do Itacolomi, ambos localizados em Ouro Preto, tiveram problemas com danificações de suas portarias e outros estragos.


A primeira unidade a sofrer ataques foi a Floresta Estadual do Uaimií, que, em março deste ano, teve a sua portaria, que fica no distrito de Brás Gomes, danificada. A porta principal foi arrombada, os vidros das janelas foram completamente quebrados, banheiros sujos e entupidos e até um vaso sanitário foi roubado. Isso sem falar do entorno que estava repleto de sacolas plásticas, latas, garrafas de sucos e refrigerantes.


Já o Parque Estadual do Itacolomi teve a portaria arrombada, mas nada foi levado. O fato ocorreu no final de abril.
Floresta Estadual do Uaimií - Vidros das janelas quebrados - Foto: Amda/Facebook.
Floresta Estadual do Uaimií - Vidros das janelas quebrados - Foto: Amda/Facebook.


A Associação Mineira do Meio Ambiente (Amda) levou os casos ao Ministério Público. "O Estado teria de ter tomado medidas para proteger os parques antes de romper o contrato com as empresas Verso e Cristal. Achávamos que no governo anterior a situação das unidades de conservação era péssima. O atual conseguiu piorar ainda mais, decretando seu abandono 'oficial'. Alguém tem de ser responsabilizado por isto", afirma a superintendente da Amda, Dalce Ricas.


Ausência de funcionários
Além das duas unidades de conservação terem sido alvos de vandalismo, ambas sofrem também com a ausência de funcionários. Na época do ocorrido na Floresta Estadual do Uaimií, a unidade contava apenas com três funcionários. O Parque Estadual do Itacolomi, por sua vez, sofreu uma baixa de aproximadamente 30 funcionários em função do encerramento dos contratos entre o Estado de Minas e as empresas terceirizadas responsáveis pelos guardas-parques.


Floresta Estadual do Uaimií - Vidros das janelas quebrados. Foto: Amda/Facebook.
Floresta Estadual do Uaimií - Vidros das janelas quebrados. Foto: Amda/Facebook.


O encerramento do contrato entre o governo de Minas Gerais e as empresas terceirizadas sem a reposição do corpo funcional contribuiu não só para que os ocorridos em Ouro Preto acontecessem, mas também, para que outras unidades de conservação fechassem seus espaços para a visitação pública.


Concurso Público
Com os fins dos contratos das empresas terceirizadas, os novos contratos foram assumidos pela Minas Gerais Administração e Serviços S/A (MGS), empresa pública que, por meio de concurso público, mantém parte do quadro de funcionários do Estado. O concurso para preencher a vaga dos guardas-parques foi marcado para o dia 5 de março, fato que causou controvérsia, pois vários guardas-parques com anos de atuação nas unidades teriam que prestar concurso público para continuar a exercer a função que desempenham há tantos anos. Concurso público com provas não condizentes com a realidade do dia-a-dia dos guardas e que podem deixar profissionais experientes fora do trabalho.


O diretor-geral do IEF, João Paulo Sarmento, informou que as ações de vandalismo nas unidades de conservação estão sendo investigados e disse ainda que os concursados serão chamados ainda essa semana.
Floresta Estadual do Uaimií - Janelas quebradas. Foto: Amda/Facebook.
Floresta Estadual do Uaimií - Janelas quebradas. Foto: Amda/Facebook.
Floresta Estadual do Uaimií - Sacos plásticos, garrafas de refrigerantes, caixas de sucos espalhados. Foto: Amda/Facebook.
Floresta Estadual do Uaimií - Sacos plásticos, garrafas de refrigerantes, caixas de sucos
espalhados.
 Foto: Amda/Facebook.

A Reforma Agrária Marinha é um fracasso para o ecossistema

Por José Truda
A “reforma agrária marinha, no Brasil, fracassou”, afirma José Truda. O projeto das reservas extrativistas não deu certo, já que a população continua agindo de forma predatória, sem nenhum tipo de sustentabilidade e sem respeitar a necessidade de resiliência das espécies, contando com os olhos fechados do ICMBio e dos pesquisadores nas áreas e com a fiscalização ineficaz por parte dos órgãos responsáveis. Confira o tema no segundo post de seu videoblog sobre conservação marinha, aqui, em ((o))eco.

 https://youtu.be/t03o_Peiq-E


Leia Também

http://www.oeco.org.br/blogs/youtruda/governo-parou-de-produzir-estatistica-sobre-pesca/ 


http://www.oeco.org.br/colunas/jose-truda/29032-ministerio-da-sobre-pesca-e-do-sumico-das-estatisticas/

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Instituto convida voluntários para a construção do 1º corredor verde para polinizadores

terça-feira, 23 de maio de 2017


Insetos polinizadores são importantes para a produção de mel e como agentes polinizadores de espécies vegetais.






No próximo domingo (28), em comemoração à Semana Internacional do meio ambiente e aos 90 anos de criação do Instituto Biológico (IB), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, será inaugurado o primeiro corredor verde qualificado para atração de polinizadores.






O projeto tem a finalidade de qualificar e enriquecer a vegetação existente nas calçadas defronte o Instituto Biológico, localizado na Vila Mariana. Este espaço já conta com cerca de 60 indivíduos (entre palmeiras, árvores e arbustos), os quais foram previamente mapeados e analisados, para que pudessem ser identificados os espaços disponíveis para o plantio.





O foco dessa ação está nas espécies introduzidas e não na quantidade de mudas, envolvendo o plantio de outros extratos também. Essa é uma ação tão importante quanto plantar florestas pois criará conexões entre os bosques, maciços e florestas já existentes favorecendo o serviço dos polinizadores, o que é muito benéfico para a ampliação da biodiversidade na cidade.




Hoje o Instituto possui um museu onde uma das exposições fala exatamente sobre a importância dos insetos polinizadores, cujo papel vai desde a produção de mel até como agentes polinizadores de espécies vegetais, contribuindo desta forma na produção de alimentos. O museu mantém em sua área externa meliponários com quatro espécies de abelhas nativas sem ferrão: Jataí, Iraí, Mandaçaia e Uruçu-Amarela.




Com o objetivo de promover a efetiva conservação desses insetos no jardim do museu e de dar maior visibilidade ao tema “Insetos Polinizadores”, esse conjunto de ações contribuirá para a conservação e recuperação do ambiente natural e urbano e ampliará as discussões e percepções da população sobre a qualidade e o uso do espaço público.




Este projeto foi inspirado em iniciativas internacionais para reverter a situação de declínio da população de abelhas no mundo tais como as realizadas em Oslo, capital da Noruega, que impulsionou a “rodovia das abelhas” com espécies melíferas. A Grã-Bretanha também implantou importantes iniciativas neste sentido.




O corredor verde será construído em uma ação comunitária no próximo domingo (28) às 9h na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Vila Mariana. Acompanhe o evento aqui.




Fonte: Ciclo Vivo

10 impactos causados pela redução de áreas naturais no Brasil, por Carlos Nobre, Carlos Eduardo Young, Fábio Olmos e Marcelo Dantas

quarta-feira, 24 de maio de 2017


Recentemente, o governo federal propôs a redução de mais de 1 milhão de hectares da área de unidades de conservação (UCs), que inclui áreas do Pará, na Amazônia, e de outras regiões do Brasil.





A mudança, que já foi aprovada por uma comissão mista de deputados e senadores, acontece por meio de uma ferramenta ágil e destinada apenas a assuntos urgentes: as medidas provisórias. No último dia 16 de maio, a MP 756 foi aprovada pela Câmara dos Deputados, que autoriza a mudança de categoria de parques nacionais e de florestas nacionais e os transforma em áreas de preservação ambiental (APAs), cujas restrições para exploração são menores.






A proposta atinge uma região que sofre com o desmatamento há anos. Apesar da redução do índice histórico de desmatamentos na Amazônia, em 2016 ainda foram registrados 8 mil km² pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – área equivalente a quase uma vez e meia o Distrito Federal, que tem 5,7 mil km². As consequências dessas ações não afetam somente quem vive perto das florestas, mas abrange todo o País, de Norte a Sul, sem contar o impacto causado na fauna, na flora e nos serviços ambientais daquelas áreas reduzidas pela proposta.






Confira dez fatos e impactos que a redução de florestas causa para o meio ambiente e para a população:






1. A falta ou excesso de chuva no Brasil é influenciada pela Amazônia







É na Amazônia que são formados os rios aéreos ou voadores, que são massas de ar carregadas de vapor d’água. A floresta amazônica atrai a umidade evaporada pelo oceano e cria correntes de ar que transportam essa umidade em direção ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. De acordo com o biólogo e diretor da Permian Brasil, Fábio Olmos, existem diversos estudos que mostram que a segurança hídrica nacional depende da Amazônia. “Tanto os centros urbanos como o campo, a região mais povoada do País ou a mais remota, dependem dos serviços ambientais fornecidos pela floresta e outros ecossistemas naturais. Isso sem nem mencionar a questão das emissões de gases de efeito estufa associadas ao desmatamento, que intensificam a mudança global do clima”, afirma ele, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.







2. Conservação da natureza não está na lista da maioria dos governantes







Parece ser uma triste verdade. As recentes mudanças anunciadas pelo governo brasileiro demonstram que as regras atendem aos interesses de poucos e não a vontade de muitos. No Pará, os limites do Parque Nacional do Rio Novo, Parque Nacional do Jamanxim e da Área de Proteção Ambiental do Tapajós correm sérios riscos de serem alterados. Essas últimas mudanças aconteceram por meio das Medidas Provisórias 756 (aprovada pela Câmara dos Deputados na terça, 16 de maio) e 758, que, além do Pará, também propõe alteração na área do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina.






3. Não estamos reduzindo o desmatamento








Por cerca de 10 anos, até a celebração do Acordo de Paris na Conferência de dezembro de 2015 (COP21), a redução de desmatamentos na Amazônia era destaque global ano após ano: a taxa anual foi reduzida em 83% e oscilou entre 5 a 6 mil km²/ano até 2015. Em 2016, no entanto, os desmatamentos medidos pelo sistema PRODES do INPE registraram quase 8 mil km² na região. Entre as causas, pode-se apontar tanto as reduções orçamentárias dos órgãos ambientais reguladores, como mudanças do Código Florestal Brasileiro, em 2012, que anistiaram desmatamentos ilegais do passado, encorajando o descumprimento da lei.






4. O Brasil é um país que não cumpre acordos internacionais






O Acordo de Paris foi assinado em 2015 por dezenas de países que se comprometeram a parar e reduzir o aquecimento global e suas consequências. O ideal é que as nações signatárias promovam mudanças para que o aumento não supere 1,5°C. O Brasil foi protagonista nas negociações que concretizaram o pacto e se comprometeu a reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa até 2025, 43% até 2030 em relação às emissões de 2005, e zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.







Ou seja, até lá, o Brasil está dizendo que continuará tendo desmatamento ilegal na Amazônia; e, quanto aos demais Biomas, o compromisso brasileiro não traz metas específicas. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, com as constantes reduções de áreas protegidas e o aumento do desmatamento, dificilmente chegaremos à meta de desmatamento zero, que já era desafiadora. “A relação entre o desmatamento, a floresta e o clima é real e nos afeta diariamente. Não podemos perder o trem da história, pois o custo será o futuro de nossa e das próximas gerações”, analisa Nobre.







5. O clima do planeta está esquentando








A temperatura média do planeta está aumentando e isso é perigoso! Dados divulgados pela Nasa, agência espacial americana, e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em janeiro deste ano, confirmam que a temperatura do planeta bateu recordes pelo terceiro ano consecutivo. Em 2016, o planeta estava 0,99 grau Celsius mais quente que a média do século XX. Há grande consenso científico de que a maior parte do aquecimento observado nos últimos 60 anos é devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), decorrente da emissão de combustíveis fósseis, do desmatamento, entre outros. Quanto menos áreas naturais tivermos, pior ficará a situação.







6. Quando uma floresta é derrubada, as outras regiões também são afetadas






Além do impacto no regime de chuvas, as florestas também atuam como reguladores do clima, proteção de rios e das espécies que vivem nelas, entre muitos outros fatores. O recente surto de febre amarela que alarmou o Brasil é consequência do desmatamento da Mata Atlântica, por exemplo.







7. Pecuária é uma das atividades mais poluentes






A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançou o relatório Estado das Florestas do Mundo 2016 e concluiu que, no Brasil, mais de 80% do desmatamento está ligado à conversão de terras em terrenos de pasto. Além disso, o relatório analítico do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima mostra que as emissões diretas e indiretas do agronegócio representam dois terços das emissões brasileiras de gases de efeito estufa.






8. Medidas provisórias deveriam ser usadas com mais cautela






Na hora de mudar ou propor normas, o governo tem três caminhos possíveis: as medidas provisórias (MPs), os decretos e os projetos de lei. Os decretos podem ser feitos apenas pelo presidente, governadores e prefeitos para determinadas leis. Os projetos de lei são a maneira mais tradicional e “certa” de se propor uma mudança, mas também são mais lentas e burocráticas.







É aí que surgem as MPs, que devem ser usadas apenas em casos relevantes e urgentes e quem define isso é o presidente da República. Uma medida precisa ser aprovada em no máximo 120 dias e tem força de lei imediata. Usar uma MP para alterar a área de uma unidade de conservação, por exemplo, é uma distorção grave da lei, de acordo com o advogado especializado em causas ambientais, Marcelo Dantas, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza. “Se as alterações sugeridas na Amazônia são urgentes a ponto de pedir uma medida provisória, certamente elas atendem a interesses específicos e que divergem da opinião da população. Essa manobra foi feita para driblar a burocracia e reduzir a resistência na aprovação”, explica.







9. Florestas e áreas de preservação podem gerar emprego e renda







Acreditar que desmatamento e danos ambientais estão ligados ao desenvolvimento é um pensamento, no mínimo, atrasado. Carlos Eduardo Young, economista e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, defende o conceito de economia verde: uma prática que estimula atividades associadas à preservação ambiental, uso eficiente de recursos e inclusão social. “As atividades ‘verdes’ tendem a ser mais intensivas em mão de obra e em produtos manufaturados com maior conteúdo de inovação”, explica.








10. O desmatamento das áreas naturais induz a mais violência no campo








Há no Brasil uma tradição de que, se for estabelecido um uso produtivo da terra, é possível ter direito à sua posse. Nesse ponto de vista, a taxa de desmatamento tende a aumentar e dar a oportunidade para que grileiros reclamem para si o direito à posse; e o resultado: violência. De acordo com o artigo “Direitos de Propriedade, Desmatamento e Violência: Problemas para o Desenvolvimento da Amazônia”, publicado em 2014, nos municípios onde há mais desmatamento, a taxa de homicídios também é maior.









Para o pesquisador Carlos Eduardo Young, que é membro da Rede de Especialistas e um dos autores do artigo, “há inúmeros estudos que apontam como o processo de desmatamento é acompanhado por atos de violência, que vão do conflito entre posseiros e grileiros, até a expulsão dos antigos moradores da floresta. Casos, ainda, que podem resultar em homicídio”, explica.







*Carlos Nobre, Carlos Eduardo Young, Fábio Olmos e Marcelo Dantas fazem parte da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.






Fonte: EcoDebate

Uma nova espécie de sapo é encontrada no Parque da Serra do Brigadeiro

Nova espécie de sapo encontrada no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (MG) , o Brachycephalus darkside, homenageia a banda Pink Floyd. Foto: Carla Silva/Arquivo Pessoal
Nova espécie de sapo encontrada no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (MG) , 
o Brachycephalus darkside, homenageia a banda Pink Floyd. 
Foto: Carla Silva/Arquivo Pessoal

Uma nova espécie de sapo foi encontrada no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (MG): o pequeno Brachycephalus darkside foi identificado pela pesquisadora Carla Silva Guimarães, durante o trabalho conduzido para o seu mestrado na Universidade Federal de Viçosa (UFV).


Segundo os pesquisadores da universidade, a nova espécie ganhou o nome de Brachycephalus darkside por suas características que o diferenciam de outras espécies semelhantes, como o Brachycephalus ephippium. O sapo descoberto possui é sua musculatura preta, diferente da espécie base para a nova classificação. O nome científico dado a ele, darkside, é expressão inglesa que significa “lado negro”, uma lúdica homenagem ao álbum “The Darkside of the moon”, lançado em 1973, pela banda britânica de rock Pink Floyd.


O trabalho de pesquisa foi realizado dentro do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da UFV, sob orientação do professor Renato Neves Feio. O novo Brachycephalus é a sexta descoberta feita no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro por pesquisadores orientados pelo professor e se soma às mais de 50 espécies que já catalogaram na unidade de conservação.


De acordo com Laurielen Gurgel Pacheco, Monitora Ambiental do Parque Estadual Serra do Brigadeiro, o resultado de pesquisas como essa vem confirmar cientificamente o porquê do parque ser classificado como “extrema importância biológica”, além de reforçar ainda mais a missão da Unidade. “Acreditamos também que pesquisas científicas em áreas protegidas são colaboradoras fundamentais para popularização da ciência, permitindo o conhecimento das nossas espécies regionais”, frisou.
Além de Carla Guimarães (centro), participaram da descoberta o professor Renato Neves Feio (esq.) e os estudantes Sofia Luz e Pedro Carvalho Rocha (dir.). Foto: Daniel Sotto Maior/UFV
Além de Carla Guimarães (centro), participaram da descoberta o professor Renato
Neves Feio (esq.) e os estudantes Sofia Luz e Pedro Carvalho Rocha (dir.).
Foto: Daniel Sotto Maior/UFV

Governo quebra acordo e rifa licenciamento


Por Observatório do Clima
O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Foto: Lula Marques/Agência PT.
O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Foto: Lula Marques/Agência PT.


O Palácio do Planalto liberou a base aliada para fazer as mudanças que quiser na lei geral de licenciamento, que pode ser votada no plenário da Câmara nos próximos dias. A orientação rompe um acordo firmado no último dia 10 pelo presidente Michel Temer, segundo o qual o governo apoiaria o projeto do Ministério do Meio Ambiente.


Numa reunião na noite de terça-feira, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), afirmou que o governo manterá o acordo, mas que o Parlamento é “soberano” para fazer quantos destaques quiser à proposta. Ministros que estiverem insatisfeitos com o projeto do MMA também poderão, por meio dos deputados, inserir em plenário modificações ao texto que atendam seus interesses.


Participaram da reunião, além de Padilha, os ministros de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB-PE), das Cidades, Bruno Araújo (PSBD-PE), e dos Transportes, Maurício Quintela Lessa (PR-AL), a presidente do Ibama, Suely Araújo, e o secretário-executivo do MMA, Marcelo Cruz.


A afirmação de Padilha contraria promessa de Temer, adiantada pelo OC, segundo a qual a bancada ruralista, força mais expressiva da Câmara, apresentaria apenas dois destaques ao texto do Meio Ambiente. O acordo fora firmado com o ministro Sarney Filho (PV-MA), na presença do líder da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Nílson Leitão (PSDB-MT).
O contexto político, no entanto, mudou após a semana passada, com a delação explosiva do dono da JBS, Joesley Batista, que implica Temer diretamente em acusações de corrupção passiva e tentativa de obstrução de Justiça.


Com o mandato balançando, o presidente passa a depender ainda mais da base aliada, formada em grande parte pelos ruralistas. Segundo o Instituto Socioambiental, a FPA anunciou na própria terça-feira, horas antes da reunião na Casa Civil, que seguirá apoiando Temer.


Questionada pelo OC sobre a quebra de acordo, a Casa Civil não comentou. Afirmou apenas, por meio de sua assessoria de imprensa, que “conseguiu obter consenso entre os ministérios” no texto da lei e que está “trabalhando no encaminhamento”.


Paralelamente, os ruralistas também trabalham no próprio encaminhamento. Nesta quarta-feira (24), por pouco não foi votado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara o projeto de “licenciamento flex” relatado pelo deputado Mauro Pereira (PMDB-RS).
O projeto havia sido retirado de pauta na semana anterior, após o acordo com Temer, mas foi reinserido pelo relator na última sexta-feira à noite, enquanto as denúncias contra Temer e vários outros políticos ganhavam diapasão máximo.


Pela manhã, a sala da comissão estava repleta de ruralistas, e contou até mesmo com a visita do presidente da FPA. Deputados da oposição entraram em obstrução e impediram que o projeto fosse a voto. Faltou quórum.


Como o texto de Pereira está com urgência urgentíssima na comissão, ele tem prioridade no plenário em relação ao projeto concorrente do MMA – caso o governo resolva de fato encaminhá-lo para votação.


Pela proposta do parlamentar gaúcho, uma série de empreendimentos fica isenta de licenciamento – e Estados e municípios definirão como quiserem o grau de rigor para quem sobrou. Técnicos dizem que a proposta na prática implode o licenciamento no país e será questionada na Justiça.


Nesta manhã, Pereira lamentou a derrubada do voto, mas prometeu que o projeto será reinserido na pauta na semana que vem. “E nós com certeza, juntamente com os partidos políticos que integram a base política do governo, iremos aprovar esse projeto, que é sem sombra de dúvida um marco para o meio ambiente [sic].”

Republicado do  Observatório do Clima através de parceria de conteúdo. logo-observatorio-clima

MMA defende vetos contra MPs que recortam áreas protegidas na Amazônia


Por Sabrina Rodrigues
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, recomenda veto às Medidas Provisórias 756 e 758. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.
Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, recomenda veto às Medidas Provisórias 756 e 758.
 Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.

Nesta quarta-feira (24), o Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, enviará recomendação de veto às Medidas Provisórias 756 e 758, que foram aprovadas pelo Senado Federal nesta terça-feira (23). As MPs reduzem ou flexibilizam a proteção de mais de 600 mil hectares na Amazônia.

Em nota, o Ministro ressalta que o seu posicionamento é baseado em estudos e pareceres técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Secretaria de Biodiversidade. O Ministro afirma ainda que o texto aprovado descaracteriza o propósito original das MPs, “ao sinalizar contrariamente aos esforços do Governo Federal em conter o desmatamento na Amazônia, cujos índices voltaram a subir nos dois anos anteriores à sua gestão, tendo atingido, em 2016, a marca de 7.989 km2, e também altera o Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina”.

A nota afirma também que os textos aprovados prejudicam a implantação das políticas de governo adequadas ao combate aos conflitos fundiários, grilagem e ausência de regramento ambiental existentes nas áreas afetadas na região da Floresta Nacional de Jamanxim (PA), por exemplo.


Leia a nota na íntegra.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A nossa herança – a ação estrangeira no Brasil das próximas gerações

“Nossa geração abriu mão de desenvolver um parque industrial próprio, desnacionalizou nossas mais importantes empresas e está a consumir inebriadamente as maiores riquezas não-renováveis que a natureza nos ofereceu”

 
Dia desses meditava sobre um curioso aspecto da História, qual o de iludir as mentes mais desavisadas quanto a certos processos e períodos, apenas compreendidos pela posteridade.
Nos últimos anos, vimos 60% das empresas brasileiras negociadas indo parar nas mãos de estrangeiros. Foi assim que chegamos ao insólito país cujos habitantes compram o leite de suas próprias vacas, a água mineral de suas próprias nascentes e a maioria dos produtos de sua própria terra de empresas estrangeiras aqui instaladas.


Temos sido imprudentes com o uso de nossas riquezas: no ritmo atual de extrativismo, que só aumenta a cada dia, daqui a 82 anos não teremos mais minério de ferro para exportar. Nosso níquel só durará mais 116 anos, o chumbo 96, o nióbio apenas mais 35 anos, o estanho 80, os diamantes 123 e o ouro míseros 43. Sim, o Brasil da Serra Pelada será importador de ouro daqui a mínimos 43 anos!



Dizem alguns que o Brasil cresceu nas últimas décadas. Fico a me perguntar, e vai aí uma grande pergunta, quem tem crescido verdadeiramente – se o Brasil, exportador cada vez maior de riquezas em sua maioria não-renováveis, ou se empresas aqui instaladas, com alguns poucos e evidentes reflexos positivos no nosso dia-a-dia e nas contas nacionais. Confesso não ter encontrado ainda resposta a essa pergunta.

Léo Rodrigues/Agência Brasil
“Vergonhosamente empresas estrangeiras já são responsáveis por 70% de nossas exportações de soja”, reclama colunista


O fato é que nossa geração abriu mão de desenvolver um parque industrial próprio, desnacionalizou nossas mais importantes empresas e está a consumir inebriadamente as maiores riquezas não-renováveis que a natureza nos ofereceu. Temos assistido complacentemente o capital estrangeiro se apropriar de serviços e riquezas do Brasil de forma antes só concebível em alguns indefesos países africanos. Que a história nos seja misericordiosa, pois que nossa responsabilidade é imensa.


Parece incrível, mas vergonhosamente empresas estrangeiras já são responsáveis por 70% de nossas exportações de soja, 15% das de laranja, 13% de frango, 6,5% de açúcar e álcool e 30% das de café! Isto já sangra o Brasil em mais de US$ 12 bilhões a cada ano só a título de remessa de lucros.



Fico a temer pela cobrança das gerações seguintes, que estão por receber de nossas mãos um país loteado, retalhado, quase que vendido. Fruto desta Era da Alienação que, no futuro, os livros de História registrarão.

Senado aprova medida que altera área de parque nacional para construção de ferrovia


Parque Nacional do Jamanxim será adequado à passagem da estrada de ferro EF-170, paralela à BR-163, ligando o Centro-Oeste ao norte do Pará. Oposição aponta dano ambiental, enquanto governo diz buscar desenvolvimento regional. Texto vai à sanção
Jefferson Rudy/Agência Senado
Senadores da oposição se manifestam em plenário contra a medida provisória
  O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (23) Projeto de Lei de Conversão (PLV) 5/2017, decorrente da Medida Provisória 758/2016, que altera os limites do Parque Nacional do Jamanxim para adequá-lo à passagem da estrada de ferro EF-170, paralela à BR-163, ligando o Centro-Oeste ao norte do Pará.


Este site adiantou:


Câmara vota redução de parques nacionais em área equivalente ao dobro da cidade de São Paulo



Para a construção da ferrovia, serão excluídos 852 hectares do parque nacional para a faixa de domínio. A matéria, aprovada com voto contrário dos senadores de oposição, será enviada a sanção presidencial.


Aprovada em 17 de maio na Câmara, a MP também altera os limites da Floresta Nacional do Trairão, localizada nos municípios de Rurópolis, Trairão e Itaituba, no Pará; e da Floresta Nacional de Itaituba II, localizada nos municípios de Itaituba e Trairão, onde também serão criadas as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Rio Branco; Trairão e Carapuça.


O senador Cidinho Santos (PR-MT) destacou a importância da medida provisória para o desenvolvimento comercial das Regiões Norte e Centro-Oeste.


- A aprovação desta MP vai permitir que o Mato Grosso possa, nos próximos dias, com autorização do governo federal, fazer a licitação para concessão da ferrovia do Ferrogrão, resolvendo um grande problema de escoamento da produção do estado – afirmou.


O Ferrogrão terá 1.142 quilômeros, paralelos à BR-163, no trecho entre Sinop, na região produtora de grãos do Mato Grosso, e o porto fluvial de Miritituba (PA).


Remanejamento
Na Câmara, os deputados fizeram duas modificações no texto. Uma delas retirou o acréscimo de 51 mil hectares para o Parque Nacional do Jamanxim vindos da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós. O outro destaque aprovado reintroduziu no texto dispositivo que cria a APA do Rio Branco, com 101.270 hectares retirados do Parque Nacional do Jamanxim.


Em todos os casos de desafetação da faixa de domínio, o texto determina que, uma vez instalada a ferrovia, as frações das áreas que não forem efetivamente utilizadas deverão ser reintegradas às respectivas unidades de conservação originais.

Mutirão para a limpeza de praias acontece em cinco estados

terça-feira, 23 de maio de 2017


Mais de 300 pessoas se reunirão pela costa brasileira para promover a consciência ambiental em praias do Paraná, Santa Catarina,  Espírito Santo, Bahia e Ceará.





Uma onda de amor pela vida que rompeu barreiras e agora chegou a grande parte da costa brasileira. A ONG Parceiros do Mar, fundada em Curitiba após uma fatalidade ter levado a vida da surfista Renata Turra Grechinski, surgiu em 2012 com o objetivo de levar mais segurança ao mar. Com ações sociais, ambientais e educacionais, um dos principais projetos dos Parceiros são os Mutirões de Limpeza das Praias que acontecem há cinco anos. Neste ano, porém, a ação tomou proporções muito maiores e voluntários de cinco estados brasileiros irão promover mutirões simultâneos pela costa, no sábado, dia 27 de maio.





“É muito emocionante, depois de muito trabalho, ver tanta gente engajada por uma causa. Porém, é importante ressaltar que os mutirões de limpeza não possuem apenas o objetivo de limpeza, mas também de minimizar os riscos dentro da água, evitando que redes de pesca, e artefatos ilegais sejam arrastados para o mar e prejudiquem quem está na água”, explica Silvia Turra Grechinski, diretora da ONG Parceiros do Mar – movimento Surf Seguro.





A Praia do Coral, na Barra do Jucu – ES, local que recebe muitos atletas que procuram pela pratica de surf, realizará a instalação de placas informativas, a coleta de resíduos, plantio de mudas nativas e cercamento da restinga. “É nossa ideia para chamar a atenção sobre a necessidade de cuidar mais das nossas cidades, e principalmente das nossas áreas verdes e praias.”, diz Petrus Lopes, Diretor do Instituo Jacarenema, Parceiros na ação.




Em Santa Catarina, a ASPI – Associação de Surf Praias de Itajaí, que desenvolve e profissionaliza o surfe no município e região através de competições, incentivando assim o surgimento de novos talentos, campeonatos diferenciados e circuitos que movimentam o Sul do Brasil, também está preocupada com a conscientização ambiental, e convocou a população, unindo-se nesta onda de amor pela vida.





Outro Parceiro, de cunho nacional, envolvido na ação, é o Projeto Limpando o Mundo que, no Ceará, estará ajudando nessa missão de promover a educação ambiental no combate ao lixo marinho para a proteção dos oceanos e espécies ameaçadas de extinção.





O 1º Mutirão Nacional de Limpeza de Praias Parceiros do Mar irá acontecer em 5 estados de forma simultânea. Os organizadores esperam a participação total de cerca de 300 pessoas e a expectativa é de coletar mais de 5 toneladas de lixo no total. O lixo coletado será destinado à entidades de coleta organizadas.
2ª Limpeza Subaquática irá sinalizar artefatos de pesca ilegal





Renata perdeu a vida quando o leash de sua prancha de surf engatou num artefato ilegal de pesca, utilizado em pesca de espera, proibida por lei. “Por ser proibido, pescadores deixam esses petrechos de pesca sem sinalização, o que causa acidentes como o da minha irmã. Temos muitas histórias de surfistas presos em redes de pesca. Mortes desta forma são dadas como afogamento, mas é crime, não é acidente”, comenta.





A 2º Limpeza Subaquática irá acontecer em Guaratuba, no Paraná, saindo do Rio da Barra, no bairro de Barra do Saí, finalizando próximo ao Morro do Cristo, totalizando um trajeto de 9 km. Esta ação é em parceria com a ASG – Associação dos Surfistas de Guaratuba, Polícia Militar Ambiental do Paraná, Corpo de Bombeiros do Paraná e ajuda de pescadores da Associação dos Pescadores de Matinhos. “Vamos estar bem na época da pesca da Tainha, quando os pescadores clandestinos armam seus petrechos de pesca ilegal. Queremos minimizar essas ações. Na primeira edição da limpeza subaquática identificamos quatro pontos de ilegalidade”, afirma Silvia.





Para esta ação a ONG contratou um barco de pesca para fazer o arrasto e ainda pagou o conserto da embarcação da Polícia Ambiental para que pudesse acompanhar e fazer as autuações.




Veja abaixo em quais cidades o mutirão irá acontecer e faça a diferença também. Seja um voluntário!
Informações: https://www.facebook.com/events/1735660843398533/ ou www.parceirosdomar.com.br






SANTA CATARINA:

Local: Itajaí

Horário: 8h30

Ponto de Encontro: Brava Norte, na passarela em frente aos bares.

Organizador: Ivan T. Filho

Co-Realização: ASPI – Associação de Surf Praias de Itajaí



PARANÁ:

Local 1: Guaratuba

Horário: 9h

Ponto de Encontro: Rio da Barra

Organizador: Bruno Soares Possebon

Co-Realização: ASG – Ass. dos Surfistas de Guaratuba



Local 2: Matinhos

Horário: 9h

Ponto de Encontro: Bar do Pepe

Organizador: Rafaella Lins



Local 3: Pontal do Sul

Horário: 9h

Ponto de Encontro: Praça Principal de Shangri-Lá

Organizador: Silvia Turra Grechinski

Co-Realização: Associação MarBrasil



Local 4: Ilha do Mel

Saída A: Trapiche das Encantadas – Horário: 8h.

Co-Realização: Filhos da Ilha

Saída B: Trapiche de Brasília – Horário 11h.

Co-Realização: Global Vita/ Amazing Runs

Organizador: Klaus Marx Matias



ESPÍRITO SANTO:

Local: Praia do Coral do Meio – Barra do Jucu

Horário: 9h

Ponto de Encontro: a definir

Organizador: Petrus Lopes

Co-Realização: Instituto Jacarenema



BAHIA:

Local: Porto Seguro

Horário: 9h

Ponto de Encontro: a definir

Organizador: Ana Tereza Campos

Co-Realização: Ana Tereza Campos Fisioterapia



CEARÁ:

Fortaleza

Horário: 9h

Ponto de Encontro: Praia da Sabiaguaba.

Organizador: Juaci Araujo Oliveira



Local 2: Icapuí

Horário: 9h

Ponto de Encontro: Quitérias

Organizador: Juaci Araujo Oliveira



Local 3: Caucaia

Horário: 9h

Ponto de Encontro: Iparaná

Organizador: Juaci Araujo Oliveira

Co-Realização: IPOM/ Limpando o Mundo e Asupce – Associação de Stand Up Paddle do Ceará.




INSTRUÇÕES:




– Ir com roupas e calçados adequadas para caminhada na praia, além de boné, viseira, óculos escuros.
– Levar próprio protetor solar, água, repelente.
– Não haverá a distribuição de camisetas nem material de suporte
– A participação é voluntária e sem fins lucrativos
– A organização fornecerá água e frutas aos participantes, porém a distribuição é limitada á quantidade doada para cada ação.
– A organização não fornecerá transporte até o ponto de encontro. Os voluntários se encontrarão no ponto de encontro de cada cidade listada acima.
– Dúvidas, entrar em contato com os organizadores de cada local listados acima.
**Se chover o evento será adiado.





O 1º Mutirão Nacional de Limpeza de Praias Parceiros do Mar é uma realização da ONG Parceiros do Mar com apoio da ASG – Associação dos Surfistas de Guaratuba, Associação MarBrasil, Insight Social, Global Vita, Coletivo do Bem, NoAR Comunicação, Possebon Engenharia e Serviços, Sea Shepherd – Núcleo Paraná, Polícia Militar Ambiental do Paraná, Corpo de Bombeiros do Paraná, ASPI – Associação de Surf Praias de Itajaí, Instituto Jacarenema de Pesquisa Ambiental, Projeto Limpando o Mundo Ceará, Instituto EcoFaxina, Ana Tereza Campos Fisioterapia, Studio P3, Curitiba Lixo Zero, One Drop Produções, Instituto Legado, UFPR Litoral e Ocram Comunicação.






Sobre a ONG: O Instituto Renata Turra Grechinski – ONG Parceiros do Mar foi fundado em razão da fatalidade que levou a vida da jovem Renata em fevereiro de 2012, quando surfava com amigos na praia de Coroados/ Barra do Saí, no litoral do Paraná. Enroscada em artefato ilegal de pesca (porque colocado sem sinalização a menor distância do que a mínima permitida por Portaria do Instituto Ambiental do Paraná), Renata não resistiu ao afogamento. A partir daí, familiares e amigos de Renata fundaram a ONG para lutar por um litoral mais seguro para todos, congregando três pilares de atuação: segurança no mar, conservação e preservação ambiental, e temáticas relativas à pesca.






Fonte: Envolverde

Senado aprova Medidas Provisórias que recortam UCs na Amazônia


Por Daniele Bragança
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado.
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado.


O Senado aprovou, na tarde desta terça-feira (23), as Medidas Provisórias 756 e 758, que reduzem ou flexibilizam a proteção de mais de 600 mil hectares na Amazônia. Enviadas pelo presidente Temer em dezembro, as propostas foram modificadas durante a tramitação nas comissões mistas e atingem as Florestas Nacionais de Jamanxim (PA) e Itaituba II (PA) e os Parques Nacionais do Jamanxim (PA) e São Joaquim (SC), além de criar duas novas Áreas de Proteção Ambiental (APA de Jamanxim e APA Rio Branco), categoria mais branda de Unidades de Conservação, que permite propriedades privadas e exploração produtiva dentro de seus domínios. As Medidas Provisórias seguem agora para sanção presidencial.


Aprovadas por ampla maioria noite de terça-feira (16) da semana passada, as MPs 756 e 758 foram aprovadas, apesar da obstrução da oposição contrária às reduções das áreas protegidas
MP 756: desmembramento da Flona de Jamanxim


Por 50 votos a favor e 12 contra, a MP 756, que recortou a Floresta Nacional de Jamanxim para resolver o caos fundiário que domina a região, foi aprovada. A votação foi nominal após pedido de quórum feito pelo senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP). “É um acinte”, acusou o senador.


A APA de Jamanxim, de 542 mil hectares, foi formada pela parte mais desmatada da Floresta Nacional de Jamanxim (304 mil hectares) e mais 238 mil hectares de uma área onde não havia nenhuma unidade de conservação. Arte: Paulo André Vieira.
A APA de Jamanxim, de 542 mil hectares, foi formada pela parte mais desmatada da Floresta Nacional de Jamanxim (304 mil hectares) e mais 238 mil hectares de uma área onde não havia nenhuma unidade de conservação. Arte: Paulo André Vieira.


Em dezembro, o governo desmembrou a área protegida na parte mais invadida e criou ali a Área de Proteção Ambiental de Jamanxim. Estudo publicado pelo Imazon em fevereiro dava conta que a redução da Floresta beneficiava grileiros que ocuparam Jamanxim após a criação da Unidade, em 2006. Como recompensa pela diminuição, o governo aumentou o tamanho do vizinho Parque Nacional do Rio Novo, que herdou 438 mil hectares oriundos da Floresta Nacional de Jamanxim,  e criou parte da APA de Jamanxim onde não havia nenhuma unidade de conservação. Mas não foi esse o texto aprovado hoje no Senado.


Após tramitar na Comissão Mista e receber 12 emendas, o projeto foi modificado mais um pouquinho durante a votação no plenário da Câmara, o que foi aprovado no plenário nesta terça-feira foi uma medida convertida em lei que modificou o tamanho da Floresta Nacional de Jamanxim, que passou a ter 814.682,00 hectares, e diminuiu o tamanho da recém criada Área de Proteção Ambiental de Jamanxim, que passou de 542.309 para 486.438,00 hectares. O Parque Nacional de São Joaquim, de Santa Catarina, também entrou no balaio das alterações e teve 20% de seu tamanho reduzido, além do nome modificado para Parque Nacional da Serra Catarinense.


A bancada paraense comemorou o que chamou de medidas que visam regularizar a posse de terra na região.
756-senado2

Polícias do PA e AM prendem acusados de tráfico internacional de peixes ornamentais


Por Vandré Fonseca
Bagres e arraias foram apreendidas em Manaus (AM) e interior do Pará. Na capital do Amazonas, cinco pessoas foram presas durante a Operação Poseidon. Crédito: Dema, Polícia Civil Amazonas.
Bagres e arraias foram apreendidas em Manaus (AM) e interior do Pará. Na capital do Amazonas, 
cinco pessoas foram presas durante a Operação Poseidon. Crédito: Dema, Polícia Civil Amazonas.


Manaus, AM -- Pelo menos onze pessoas foram presas no Amazonas e no Pará, nesta terça-feira (23), acusadas de envolvimento com o tráfico internacional de animais silvestres e lavagem de dinheiro. De acordo com informações da Secretaria Estadual de Meio Ambiente Sustentabilidade do Pará (Semas-PA), peixes ornamentais, entre eles arraias, eram capturados na Bacia do Rio Tapajós, no Pará, e seguiam por três rotas, Belém, Santarém e Manaus.


“Manaus era um ponto intermediário, onde as arraias e peixes recebiam oxigênio e depois eram despachadas para o exterior”, afirma o delegado Samir Freira, da Polícia Civil do Amazonas. Em Manaus, cinco pessoas foram presas, em cumprimento de mandados de prisão temporária e preventiva. Foram apreendidas ainda arraias e bagres, além de balões de oxigênio, caixas e outros produtos usados no transporte dos animais.


Foram feitas prisões e apreensões também nas cidades de Itaituba e Altamira, interior do Pará, onde foram apreendidas também armas. A operação denominada Poseidon, deus grego dos mares, tem a participação também do Ministério Público, Receita Federal e Secretaria da Fazenda do Pará. A polícia paraense suspeita que o esquema incluía a lavagem de dinheiro.


As acusações incluem maus tratos, pois os animais eram transportados em sacos plásticos, com quantidade limitada de água e oxigênio, o que causava grande mortandade. A operação foi montada a partir de denúncias recebidas pela Semas-PA, que monitorou o esquema de captura e tráfico de animais entre o Pará e o Amazonas.


Em junho do ano passado, cinco pessoas foram presas no Aeroporto de Santarém (PA), quando tentavam embarcar para Manaus (AM), com peixes ornamentais na bagagem. Durante a operação denominada Safe River, que mobilizou as polícias Civil e Militar do Pará, Semas-PA e o Ministério Público Federal, foram apreendidos 400 peixes acaris e 58 arraias jabota, que têm a venda proibida.