quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Turistas que tiraram filhote de tubarão da água para foto são multados pelo ICMBio




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017


Episódio ocorreu na Unidade de Conservação de Fernando de Noronha (PE) e foi considerado crime ambiental

Dois turistas que fizeram uma filmagem com um filhote tubarão em Fernando de Noronha (PE) e o retiraram da água para gravar as imagens foram multados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em R$ 10 mil cada um. O animal chegou a se debater e mordeu o dedo da mulher que o segurava.




A turista sofreu ferimentos leves na mão, foi atendida no hospital São Lucas e, nesta terça-feira (7), prestou esclarecimentos ao Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio na ilha. Após investigações dos servidores e depoimento dos envolvidos, o NGI não teve dúvida: o casal cometeu crime ambiental.





Em nota, o Instituto faz questão de destacar que “o arquipélago de Fernando de Noronha proporciona a moradores e visitantes oportunidade única de vivenciar ambiente natural protegido onde as espécies vivem, interagem e completam seus ciclos naturais. Por isso, todos devem observar e contemplar a vida natural, interferindo o mínimo possível”.





A espécie que foi capturada pelo casal era o tubarão-limão e está ameaçada de extinção. O animal pode atingir cerca de 3 metros de comprimento. O nome é devido à coloração amarelada do dorso. É encontrado principalmente nas porções tropicais e sub-tropicais da costa da América do Norte e da América do Sul, no Oceano Atlântico. A sua distribuição vai desde o nordeste dos Estados Unidos até o Brasil, passando pelo Caribe e Golfo do México. Normalmente vive em regiões costeiras em águas de profundidade moderada junto ao fundo de areia.
Fonte: EcoDebate

Verão e chuvas reacendem discussão sobre qualidade da água no litoral



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017


Especialista alerta para cuidados permanentes com a qualidade da água e não apenas durante a temporada





De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que acompanha constantemente a balneabilidade do litoral, na cidade do Rio de Janeiro, a maioria das praias estão impróprias para banho. Na região da Ilha do Governador e Sepetiba, todas as praias estão com qualidade abaixo do aceitável para banho. Apenas as regiões da Zona Oeste e Zona Sul apresentam praias próprias para banhistas.



De acordo com Ariel Scheffer, biólogo e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a preocupação com a qualidade da água deve ser constante e não apenas durante a temporada. “Embora o aporte de esgoto diminua fora da temporada de verão, para os moradores fixos do litoral o problema de comprometimento da balneabilidade persiste fora dessa época e deveria receber atenção constante ao longo do ano”, reforça.





Um estudo da SOS Mata Atlântica, de 2015, sobre a qualidade das águas de 183 rios de 11 estados revelou que 36,3% dos pontos de coleta analisados apresentam qualidade ruim ou péssima, 59,2% estão em situação regular e, em 13 pontos foram encontradas águas com qualidade boa, representando apenas 4,5% do total. “Levando-se em conta que a qualidade das águas costeiras brasileiras é bastante influenciada pelas condições de saneamento básico existente nas cidades litorâneas, sendo que a média nacional de esgoto coletado é de apenas 24%, pode-se dizer que a situação é grave”, aponta Scheffer.




Praias e rios limpos são sinônimo de alegria no verão, mas também são sinais de saúde para todas as espécies. Para os humanos, as consequências de se banhar em um ambiente contaminado podem envolver infecções (garganta, ouvido e olhos), diarreia, doenças de pele, gastroenterite e, em casos mais graves, hepatite A, cólera e febre tifoide. Para a fauna marinha os riscos também existem.
“Temos que considerar que a qualidade de água não é dada somente pelos parâmetros da balneabilidade, mas envolvem tipos de contaminantes mais persistentes, como produtos ou substâncias químicas, que podem ser mais perigosos que a contaminação fecal trazida pelos esgotos. Ainda temos a poluição por resíduos sólidos, sedimentos e até poluição biológica por espécies invasoras, que podem prejudicar nossa saúde, a biodiversidade e a economia da região”, defende Scheffer.




O especialista alerta ainda para outros fatores que são determinantes na manutenção da qualidade das águas durante períodos mais longos. “É preciso estar atento ao papel dos ecossistemas costeiros, incluindo as florestas, matas ciliares, manguezais, restingas, dunas, praias e costões e, também, os benefícios tangíveis e intangíveis de sua preservação. Além da necessidade de cobrar dos governos estaduais e locais os investimentos para saneamento”, afirma.




Scheffer dá um exemplo de intervenção para a manutenção dos serviços relacionados à água, como a criação de unidades de conservação – que são áreas naturais legalmente protegidas –, públicas e privadas. Alguns exemplos na região litorânea do Paraná são o Parques Estadual do Pico Marumbi e a Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba.






 “Se mantivermos os ecossistemas naturais bem conservados, eventuais cargas difusas de contaminação não resultam na perda expressiva da qualidade da água no litoral. Esta manutenção ecossistêmica da qualidade ambiental ajuda a promover o ‘marketing’ positivo da região, potencializa a economia local e mantém a boa qualidade de vida para os moradores e turistas”, conclui.




* Ariel Scheffer é membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
Fonte: EcoDebate

Estudo internacional indica que não há nível de desmatamento seguro para o clima na Amazônia

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017


Destruição da floresta interfere no transporte da umidade entre o oceano e o continente, alterando chuvas



Por Júlio Bernardes, do Jornal da USP
A interação entre a biosfera e a atmosfera na Amazônia é muito complexa para permitir uma estimativa segura de um nível de desmatamento que não interfira no clima da América do Sul. A conclusão é de um estudo internacional com a participação do Instituto de Física (IF) da USP. Os pesquisadores comprovaram, por meio de fórmulas matemáticas, que a destruição da floresta nativa tem efeito negativo no transporte da umidade entre o oceano e o continente, alterando a quantidade de chuvas na região destruída e em áreas distantes dos desmatamentos. Os resultados do estudo são descritos em artigo da revista Nature Scientific Reports.



A América do Sul apresenta o clima de monções, no qual a alternância entre a estação seca e a chuvosa é influenciada pelos ventos que trazem umidade do Oceano Atlântico. “Nos meses de inverno, entre junho e agosto, os ventos vão em direção à Colômbia, Venezuela e norte do Peru, até o Oceano Pacífico, e as chuvas ocorrem nessas regiões”, explica o professor Henrique Barbosa, do IF, um dos autores do artigo. “Entre dezembro e abril, em especial no verão, a Cordilheira dos Andes faz os ventos desviarem na direção do Sul do Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Sul e Sudeste do Brasil, aumentando as chuvas nessas regiões e na Amazônia brasileira.”



Barbosa aponta que diversos pesquisadores já alertaram para o risco de “savanização” da região, em referência à formação vegetal africana de clima seco. “Isso pode acontecer por meio de um processo denominado die back, ou ‘morte espontânea da floresta”, afirma. “O desmatamento altera o regime de temperatura e precipitação. Isso faz com que a vegetação de maior porte não sobreviva, dando lugar a espécies menores, como as do cerrado brasileiro, mesmo nas regiões que não foram desmatadas. O mesmo processo pode ocorrer devido às mudanças climáticas”.


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A pesquisa utilizou o método das redes complexas, uma ferramenta para análise de dados usada por físicos para o estudo de sistemas dinâmicos. “A rede é representada por um conjunto de pontos ligados por linhas. Combinados, eles formam uma rede que pode ser estudada através de métodos matemáticos”, diz o professor do IF. “Na pesquisa sobre o clima da Amazônia, os pontos são a latitude e a longitude de cada área; as linhas, a quantidade de umidade transportada pelos ventos. Assim, é possível identificar pontos muito importantes na rede, como regiões que fazem a intermediação no transporte de umidade, como o Arco do Desmatamento, no Acre e em Rondônia.”



Efeito negativo
O trabalho enfatizou que o desmatamento gera um efeito negativo no mecanismo de retroalimentação das chuvas. “Normalmente, o vapor de água é trazido dos oceanos pelos ventos. Então no continente ele se condensa e chega à superfície na forma líquida, com as chuvas”, relata o professor do IF. “Essa água é absorvida pelas grandes árvores da Amazônia, e parte volta à atmosfera por meio da evapotranspiração. Isso ajuda a manter o ar úmido, e esta umidade é carregada por milhares de quilômetros pelos ventos, levando as chuvas para toda a região.”



O desmatamento, segundo a pesquisa, diminui a evapotranspiração, faz com que o ar fique mais seco e diminua a quantidade de chuvas. “Isto também reduz a velocidade dos ventos e o transporte de umidade sobre a floresta, fazendo com que venha menos vapor de água do oceano, diminuindo ainda mais as chuvas”, ressalta Barbosa. Os pesquisadores criaram uma equação para representar o mecanismo de retroalimentação, entre a precipitação e o transporte de umidade, e variaram as dimensões do desmatamento para estudar os seus efeitos. “Quando incluímos esta retroalimentação, a resposta do sistema (redução das chuvas em função do desmatamento) passou a ser fortemente não linear, caótica, imprevisível.”



Este resultado demonstrou que não é possível estabelecer um nível de desmatamento seguro, ou seja, que não vá mudar o comportamento do sistema. “Pesquisadores apontam que haveria dois estados de equilíbrio para a Amazônia, um com a floresta nas dimensões atuais e outro com menos chuvas e evapotranspiração, e vegetação similar à do cerrado”, diz o físico. “A transição do sistema para o outro estado de equilíbrio seria catastrófica. Com a redução do porte da vegetação, que armazena o carbono, a quantidade de gás carbônico liberado na atmosfera seria enorme, e consequentemente contribuiria fortemente com as mudanças climáticas em todo o planeta.”



A pesquisa faz parte de um projeto temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG), fundação de pesquisa da Alemanha. A coordenação do projeto é dos pesquisadores Elbert Macau, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Jürgen Kurths, do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), na Alemanha. O artigo A deforestation-induced tipping point for the South American monsoon system, publicado pela revista Nature Scientific Reports, é assinado por físicos do IF, do PIK e da École Normale Supérieure (França).



Fonte: EcoDebate

Terras indígenas têm 80% da biodiversidade

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017


Mais de 370 milhões de pessoas se reconhecem como indígenas em 70 países, e seus territórios ancestrais concentram mais de 80% da diversidade biológica do planeta. Só na América Latina, há mais de 400 povos, embora a maior concentração ocorra na Ásia Pacífico, com 70% de sua população se definindo como indígena.





Os povos indígenas têm ricas culturas ancestrais que consideram seus sistemas sociais, econômicos, ambientais e espirituais interdependentes.




Graças aos seus conhecimentos tradicionais e à sua compreensão da gestão dos ecossistemas, os indígenas realizam uma contribuição valiosa para o patrimônio da humanidade. “Mas também estão entre os grupos mais vulneráveis, marginalizados e desfavorecidos”, alerta o Fundo Internacional par ao Desenvolvimento Agrícola (Fida). “E têm variados conhecimentos profundos do mundo natural”, destaca essa organização com sede em Roma.





“Infelizmente, com frequência os povos indígenas pagam o preço de serem diferentes e sofrem discriminação”, apontou o Fida, que inicia hoje uma Reunião Global sobre o Fórum de Povos Indígenas, que terminará no dia 13, na capital italiana. Essa agência da Organização das Nações Unidas (ONU) reunirá representantes de instituições indígenas, bem como seus sócios para manter um diálogo direto entre todos e melhorar a participação dos povos autóctones nos programas nacionais que financia.






Há séculos as comunidades indígenas são “despojadas de suas terras, seus territórios e recursos, e perderam o controle sobre seus estilos de vida. Representam 5% da população mundial, mas também 15% dos pobres”, relata o Fida. Uma das formas mais efetivas para tirá-los da pobreza é apoiar seus esforços para desenhar e decidir seus destinos, bem como garantir que participem da criação e da gestão das iniciativas de desenvolvimento.






A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 13 de setembro de 2007, estabelece um marco universal de padrões mínimos para sua sobrevivência, seu bem-estar e o gozo de seus direitos. O documento trata de direitos individuais e coletivos; questões de identidade e de cultura; educação; saúde; emprego e idiomas. Além disso, proíbe a discriminação e promove sua total e efetiva participação em todos os assuntos que lhes dizem respeito.




Também garante o direito de permanecerem diferentes e perseguirem suas próprias prioridades em termos econômicos, sociais e desenvolvimentos culturais. O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado todo 9 de agosto para destacar seus direitos. O Fida trabalha, há mais de 30 anos, com povos indígenas, e, desde 2003, 22% do seu orçamento anual é destinado a projetos referentes a eles, principalmente na América Latina e Ásia.




Desde 2007, é administrado o mecanismo de assistência aos povos indígenas (Ipaf). Mediante pequenos empréstimos de até US$ 50 mil, são financiados pequenos projetos apresentados por eles, a fim de fortalecer sua cultura, sua identidade, seu conhecimento, seus recursos naturais bem como seus direitos humanos e o de propriedade intelectual.



Para facilitar a concretização dos compromissos, o Fida criou o Fórum dos Povos Indígenas, que promove o diálogo e as consultas entre organizações indígenas, funcionários do fundo e os Estados membro. Ao fortalecer as organizações de base e a governança local, também ajuda as comunidades indígenas a participar do desenho de estratégias para seu desenvolvimento e a perseguir seus próprios objetivos e visões.


A terra não só é fundamental para a sobrevivência dos povos indígenas, como é para a maioria das populações rurais, mas principalmente é central para sua identidade. “Possuem uma profunda relação espiritual com seus territórios ancestrais. Além disso, quando têm um acesso seguro à terra também têm uma base firme a partir da qual melhorar seu sustento”, destaca o Fida.



As comunidades indígenas e seus sistemas de conhecimento podem desempenhar um papel vital na conservação e gestão sustentável dos recursos naturais. O Fida – também chamado de banco dos pobres, por oferecer empréstimos e créditos a juros baixos para comunidades rurais pobres – reconhece o potencial não aproveitado das mulheres indígenas como administradoras dos recursos naturais e da biodiversidade, como guardiãs da diversidade cultural e como agentes de paz e intermediárias na mitigação de conflitos.



Entretanto, as indígenas costumam estar entre os integrantes mais desfavorecidos de suas comunidades por causa de seu limitado acesso à educação, aos seus ativos e aos créditos, bem como pela sua exclusão dos processos de decisão.



O Fida é um órgão especializado da ONU, criado como instituição financeira internacional em 1977, um dos resultados mais importantes da Conferência Mundial sobre Alimentação de 1974, organizada para responder à crise alimentar do começo da década de 1970 e que afetou particularmente os países africanos do Sahel. Nessa conferência, os participantes acordaram sobre a “necessidade de ser criado imediatamente um fundo internacional para financiar projetos de desenvolvimento agrícola, principalmente destinados à produção de alimentos nos países em desenvolvimento”.



Um dos elementos mais importantes derivados da Conferência foi a compreensão de que a insegurança alimentar e a fome não eram causadas tanto pelas más colheitas, mas por problemas estruturais relacionados com a pobreza, e o fato de que a maioria das populações pobres dos países em desenvolvimento se concentram em zonas rurais.
Desde sua criação o Fida investiu US$ 18,4 bilhões que beneficiaram cerca de 464 milhões de pessoas em áreas rurais.



Fatos fundamentais



* Há mais de 370 milhões de pessoas que se autodefinem como indígenas em pelo menos 70 países
* A Ásia concentra o maior número de indígenas.
* Existem cerca de cinco mil grupos indígenas que ocupam aproximadamente 20% das terras do planeta.
* Os povos indígenas representam menos de 6% da população mundial, mas falam mais de quatro mil lingas, das quais sete mil existem atualmente.
* Uma das principais causas da pobreza e marginalização das comunidades indígenas é a perda de controle sobre suas terras, seus territórios e recursos naturais.
* Os indígenas têm um conceito de pobreza e de desenvolvimento em função de seus valores, suas necessidades e prioridades. Não consideram a pobreza apenas como falta de renda.
* Um número crescente de indígenas vive nas cidades devido à degradação de suas terras, da expropriação, dos despejos forçados e da falta de oportunidades de emprego.
Fonte: Fida

Criador da arquitetura Earthship vem ao Brasil para palestra e projeto de vila sustentável





O modelo de arquitetura desenvolvido por Reynolds tem como intuito gerar o menor impacto ambiental possível.




O arquiteto norte-americano Mike Reynolds, criador do conceito Earthship de arquitetura sustentável com a reutilização de materiais, está com data para vir ao Brasil. Entre os dias 23 e 24 de março, ele dará palestras em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e ainda desenvolverá a 1a Vila Sustentável Earthship na cidade.



Para antecipar um pouco o que irá abordar durante encontro e tirar dúvidas dos participantes, Reynolds, participará, na próxima quarta-feira (15), às 19h, de um bate-papo com internautas, através de uma Live pelo Facebook (veja aqui). A ação contará com tradução simultânea.



O modelo de arquitetura desenvolvido por Reynolds tem como intuito gerar o menor impacto ambiental que uma construção pode ter. Por isso, seus projetos são elaborados considerando as questões climáticas locais, usando materiais alternativos e, na maior parte das vezes, reaproveitados, além de outras soluções que usam a natureza a favor da obra e da utilização dos espaços.


Um dos destaques do arquiteto foi a construção da primeira escola sustentável do América Latina, localizada no Uruguai. O prédio foi construído por voluntários entre janeiro e março de 2016, usando muitos materiais alternativos e soluções bioclimáticas. (Clique aqui para ver os detalhes deste trabalho).



Durante o encontro em Ribeirão Preto, o arquiteto abordará a história da “Earthship” e os seis princípios que a regem: a coleta e o armazenamento de água da chuva, tratamento de esgoto, uso de energias renováveis e de massa térmica para aquecer e resfriar o ambiente, de materiais reciclados e produção de comida. O arquiteto ainda compartilhará experiências vivenciadas em diferentes lugares do mundo em seus 45 anos de profissão e o desenvolvimento de técnicas ambientais.


Segundo a arquiteta Fátima Souza, uma das organizadoras do evento e integrante da equipe que construiu a escola no Uruguai, o seminário será uma excelente oportunidade para profissionais e estudantes de Arquitetura e áreas afins aprenderem sobre as obras “Earthship”.




“As estruturas criadas pelo arquiteto Mike Reynolds aproveitam materiais que seriam descartados, como latas de alumínio, garrafas plásticas, pneus usados, além de itens naturais como madeira e terra. Os espaços produzidos mantêm a temperatura ambiente e o funcionamento é independente de energia e água de redes externas. Outro destaque, é a produção de alimentos por meio das células botânicas que limpam toda a água utilizada na casa e depois é devolvida à natureza, sem poluentes”, explica.
Vila Sustentável Earthship



Além do ciclo de palestras Mike Reynolds desenvolverá o projeto de construção da 1ª Vila Sustentável Earthship em Ribeirão Preto (SP), que tem como objetivo dar moradia e dignidade a 54 moradores vindos da luta antimanicomial e de outros grupos em vulnerabilidade social.


Fátima conta que a ação tem como propósito abrir novas portas para a economia e a sustentabilidade da cidade.  “Principalmente quando se trata da correta destinação do lixo que está em vias de comprometer o Aquífero Guarani, manancial de água doce que abastece o nosso município”, finaliza.


Clique aqui para mais informações e inscrições.
http://www.palestramikereynolds.com.br/


Fonte: Ciclo Vivo

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Unesco mantém título de Reserva da Biosfera ao Pantanal


Por Fabio Pellegrini
A Serra do Amolar, barreira natural do pulso de inundações da planície pantaneira, é uma das áreas menos antropizadas da Reserva da Biosfera do Pantanal. Foto: Fabio Pellegrini.
A Serra do Amolar, barreira natural do pulso de inundações da planície pantaneira, é uma 
das áreas menos antropizadas da Reserva da Biosfera do Pantanal. Foto: Fabio Pellegrini.


Campo Grande (MS) – O Comitê Internacional de Aconselhamento das Reservas da Biosfera (IACBR) da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) anunciou recentemente, em Paris, a manutenção do título de Reserva da Biosfera ao Pantanal, considerado a maior área úmida continental do planeta.


O reconhecimento é um importante instrumento de gestão que abre possibilidades de se promover ações para melhoria de qualidade de vida da população e para sustentabilidade da região. A Reserva da Biosfera do Pantanal (RB Pantanal) é a terceira maior do mundo, com área de 264.176 km². Abrange os estados do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e uma pequena parcela de Goiás, mais precisamente o Parque Nacional das Emas, sendo dividida em três zonas: Núcleo, Amortecimento e Transição.


“Com o selo da Unesco e da Reserva servindo como identificação de origem de produtos e atividades turísticas e culturais, as práticas sustentáveis existentes nesses espaços são incentivadas, de forma a fortalecer a relação do homem com a natureza, a preservar os recursos naturais e a identidade de seus habitantes”, explica Flávia Neri, vice-presidente do Conselho Executivo da RB Pantanal.


“A Unesco indica diretrizes para gestão do território de forma a prover a conservação da biodiversidade, a sustentabilidade das atividades da pecuária que se pratica na região desde o século XVIII, a pesca artesanal, o turismo sustentável e o ecoturismo. São iniciativas econômicas que a RB Pantanal privilegiará como alavancas do desenvolvimento sustentável da região pantaneira”, explica ela.


O Conselho é formado por órgão governamentais, instituições de pesquisa, ONGs, e proprietários de reservas privadas (RPPNs) e foi criado no ano passado após o Ministério do Meio Ambiente (MMA) comunicar aos estados de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso que o comitê da Unesco havia feito sérias recomendações ao governo brasileiro sobre o nível de implementação da RB Pantanal, o que colocava em risco a permanência do título concedido em 2000.


Muitos títulos, pouca ação
Desde então, pouco se fez com o título, afora citações em textos, mapas e discursos, informação atestada no relatório “1ª Revisão Periódica Reserva da Biosfera do Pantanal 2000-2015”. O próprio Ministério do Meio Ambiente reconhece a falta de ações: “Ao longo de 15 anos, a RBP cumpriu de forma insatisfatória seus objetivos de criação e as três funções da RB”, afirma, no relatório. 


Após a criação da RB Pantanal, somente em 2008 o Ministério do Meio Ambiente formou um conselho deliberativo que não passou de um ofício de sua criação. Finalmente, em junho de 2016, após avaliação do Comitê da Unesco que serviu como uma reprimenda, algumas instituições do terceiro setor se mobilizaram para não perder o reconhecimento internacional e deram o recado, repassando o “dever de casa” em plena crise institucional do governo federal.


A partir de então, e às pressas, finalmente foi estabelecido um plano de ações de curto, médio e longo prazos que visa pôr em prática os objetivos da chancela: “Na verdade já havia boas práticas de sustentabilidade na região, sejam da iniciativa privada, do setor governamental ou de ONGs, porém sem integração, isoladas, que agora, por meio da criação dos comitês estaduais, serão devidamente agregadas para fortalecer esse importante selo”, sublinha Flávia.
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Rol seleto
O Pantanal também possui o título de Sítio do Patrimônio Mundial Natural “Áreas de Conservação do Pantanal”, concedido pela Unesco no ano de 2000, além de três Sítios Ramsars: o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Rio Negro e a RPPN Sesc Pantanal.


O título de Reserva da Biosfera coloca o Pantanal em um rol de 669 áreas em 120 países que têm por finalidade a Pesquisa Cooperativa, a Conservação do Patrimônio Natural e Cultural e a Promoção do Desenvolvimento Sustentável. No Brasil, são 7 Reservas da Biosfera: Mata Atlântica, Cinturão Verde de São Paulo, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Amazônia Central e Serra do Espinhaço.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

SEGETH desconsidera a crise hidrica e quer adensar areas de nascentes.

Prezados,


Como vocês sabem, o Park Way foi criado para proteger um polígono extenso de recursos hídricos na bacia do Paranoá e de cerrado, possui também o objetivo de proteger, como zona tampão de amortecimento, uma série de outras Unidades de Conservação de Proteção Integral, como é o caso da EEAE‑ Estação Ecológica Águas Emendadas, FAL‑UnB –Fazenda Água Limpa, a EEIBGE‑ Estação Ecológica do IBGE, a Estação Ecológica do Jardim Botânico, a ARIE — Área de Relevante Interesse Ecológico do Cerradão e o Santuário da Vida Silvestre do Riacho Fundo.


Apesar da importancia dessa preservação ambiental para o DF, a Secretaria de Habitação,  SEGETH aproveitando-se da "atualização " da LUOS- Lei de Uso e Ocupação do Solo , tomou a decisão de destruir os bairros residenciais do DF, Park Way, Lagos Norte e Sul, justamente os mais importantes para a preservação ambiental de Brasília. O objetivo é arrecadar mais e mais sem se importar com a manutenção dos recursos hídricos ou com a qualidade de vida dos moradores do DF.

Para tanto pretende:

1.Adensar o Park Way construindo mais sessenta condomínios nas áreas verdes intersticiais.

2. Implantar um polo multifuncional estilo Polo do Guara (foto abaixo) e/ou da Ceilândia em um corredor ecológico na altura da quadra 26.


3.Transformar os condomínios residenciais exclusivos do Park Way em mistos, com autorização para ter atividades comerciais e industriais.O que vocês acham de ter dentro de seus condomínios curtumes, marcenarias, cozinhas industriais, com motoqueiros e caminhões na porta, bares, com telão para jogo de futebol, churrascaria, com musica ao vivo, cursinhos, além de açougues, peixarias e fabricas de calçados e marcenarias dentro do seu condominio? Pois é, a tabela da LUOS (CSII 1) permite todo esse tipo de atividades dentro do Park Way!

Amigos, a crise hidrica chegou para ficar.

Precisamos é de mais áreas verdes nas cidades para a água da chuva penetrar. E não mais asfalto. Os moradores do Park Way, Lago Sul e Norte defendem seus bairros verdes, enquanto a LUOS quer retirar esse "selo" de qualidade e cimentar ainda mais eles, indo na contramão do que se entende hoje ser uma  cidade sustentável.  

Se nada fizermos e o GDF aprovar a LUOS com essas alterações, será o inicio da morte do Park Way e o dano ambiental consequente será sentido por toda a população do DF.


Proteja o meio ambiente e as nascentes do Park Way assinando o abaixo assinado:

https://www.change.org/p/associa%C3%A7%C3%A3o-park-way-residencial-contra-o-uso-comercial-e-industrial-dentro-das-residencias-do-park-way?recruiter=528998765&utm_source=share_petition&utm_medium=copylink

Planeta Terra pode fabricar sua própria água


Planeta Terra pode fabricar sua própria água
A água totalmente terrestre é gerada no interior de cristais de quartzo nas profundezas do manto. [Imagem: Earth and Planetary Science Letters]
 
 
Origem da água da Terra
Sem conseguir imaginar uma reação química que possa dar origem às moléculas de água na Terra primordial, a teoria preferida dos cientistas é que toda a nossa água chegou aqui a bordo de cometas e asteroides.
Mas talvez nosso planeta possa ser azul de dentro para fora.
Uma equipe liderada por Zdenek Futera, da Universidade de Dublin, na Irlanda, constatou que reações químicas que produzem água podem de fato ocorrer no manto.
E esta água totalmente terrestre surge sob tamanha pressão que ela poderia explicar alguns terremotos centenas de quilômetros abaixo da superfície da Terra - tremores cujas origens até agora permaneceram inexplicáveis.


Síntese de água no manto
A equipe realizou uma simulação computadorizada de reações no manto superior da Terra e descobriu que a água pode ser produzida pela reação entre hidrogênio líquido e quartzo, a forma mais comum e estável de sílica nessa parte do planeta.


"Nós mostramos que é possível ter água se formando no ambiente natural da Terra, em vez de ser de origem extraterrestre," comemorou o professor John Tse, membro da equipe.
A reação bastante simples ocorre a cerca de 1.400° C e pressões 20.000 vezes superiores à pressão atmosférica. A sílica, ou dióxido de silício, reage com o hidrogênio líquido para formar água líquida e hidreto de silício.


Esta reação havia sido descoberta por pesquisadores japoneses em 2014, e agora as simulações mostraram que ela pode ocorrer naturalmente entre 40 e 400 km de profundidade.


Água sob pressão
O detalhe um tanto surpreendente é que as simulações mostram que a água se forma dentro do quartzo, mas depois não tem como escapar, o que gera uma acumulação de pressão no interior dos cristais.


"O hidrogênio líquido difunde através da camada de quartzo, mas acaba por formar água não na superfície, mas no interior do mineral," disse Tse. "Analisamos a densidade e a estrutura da água aprisionada e descobrimos que ela está altamente pressurizada".


De acordo com a simulação, a pressão poderia atingir até 200.000 atmosferas.

"Observamos que a água está sob alta pressão, o que pode levar à possibilidade de terremotos induzidos. Entretanto, são necessárias mais pesquisas para quantificar a quantidade de água liberada necessária para desencadear terremotos profundos."


Da mesma forma, será necessário quantificar a água produzida ao longo de eras geológicas, para verificar se esse processo poderia responder por uma parcela significativa da água do planeta. Enquanto isso, os defensores da teoria atual continuam procurando por asteroides e cometas feitos inteiramente de gelo.


Bibliografia:

Formation and properties of water from quartz and hydrogen at high pressure and temperature
Zdenek Futera, Xue Yong, Yuanming Pan, John S. Tse, Niall J. English
Earth and Planetary Science Letters
Vol.: 461, 1 March 2017, Pages 54-60
DOI: 10.1016/j.epsl.2016.12.031

Formation of SiH4 and H2O by the dissolution of quartz in H2 fluid under high pressure and temperature
Ayako Shinozaki, Hiroyuki Kagi, Naoki Noguchi, Hisako Hirai, Hiroaki Ohfuji, Taku Okada, Satoshi Nakano, Takehiko Yagi
American Mineralogist
Vol.: 99 (7)
DOI: 10.2138/am.2014.4798



Planta eólica gera energia balançando as folhas


Árvore artificial aproveita energia eólica pelo balanço das folhas
As folhas biomiméticas geram eletricidade ao balançar ao sabor do vento.[Imagem: Christopher Gannon]


Planta eólica
Esta planta artificial gera eletricidade, mas não segue a rota convencional da fotossíntese artificial.


Em vez de aproveitar a luz do Sol, a ideia é aproveitar o vento: as folhas geram energia quando são balançadas mesmo por uma brisa suave.


Essa abordagem não irá competir com as turbinas eólicas e seus gigantescos cata-ventos, mas há nichos de aplicações para os quais ela pode ser interessante.


Os mais óbvios são os sensores ambientais, que precisam funcionar em lugares ermos, onde a troca de baterias não é algo desejável, e os dispositivos da Internet das Coisas, que também precisam funcionar sem que as pessoas fiquem se lembrando deles.


"As torres de telefonia celular em alguns locais urbanos, como em Las Vegas, estão sendo camufladas como árvores completas, com folhas que servem apenas para melhorar a estética da torre. Capturar energia com essas folhas pode aumentar sua funcionalidade," defende o professor Michael McCloskey, da Universidade do Estado de Iowa, nos EUA.



Piezoeletricidade ou triboeletricidade
A eletricidade é gerada por pequenos fios incorporados nas folhas e também funcionando como talos. Esses fios são feitos de materiais piezoelétricos, que produzem uma pequena corrente elétrica quando são movimentados ou pressionados.


A otimização ficou por conta do formato das folhas. Depois de vários experimentos, a equipe concluiu que a folha do choupo-do-canadá oferece o melhor desempenho porque suas hastes obrigam as folhas a oscilar em um padrão regular que otimiza a geração de energia pelos fios piezoelétricos flexíveis.


A coisa funcionou, mas a eficiência da abordagem piezoelétrica deixou a desejar. Por isso a equipe pretende construir outros protótipos usando outros métodos de transdução, como a triboeletricidade, ou a geração de cargas elétricas por atrito entre materiais diferentes.
Isto também permitirá colocar mais folhas por árvore artificial, eventualmente gerando eletricidade suficiente para usos práticos.


Bibliografia:

Wind Energy Conversion by Plant-Inspired Designs
Michael A. McCloskey, Curtis L. Mosher, Eric R. Henderson.
PLoS ONE
Vol.: 12 (1): e0170022
DOI: 10.1371/journal.pone.0170022




Eletricidade é gerada pela evaporação da água


Eletricidade é gerada pela evaporação da água
Quatro células gerando eletricidade por evaporação fornecem energia para alimentar a pequena tela de cristal líquido, que mostra o logotipo da universidade. [Imagem: Guobin Xue et al. - 10.1038/nnano.2016.300]
Gerador a água
Pesquisadores chineses construíram um gerador de eletricidade a água - a energia é gerada quando a água se evapora de um nanomaterial de carbono.


Cada gerador tem cerca de 2,5 cm de comprimento e cria uma tensão de 1,5 V, similar à de uma pilha AA padrão. Embora a corrente seja pequena, na casa dos nanoamperes, a equipe conectou vários geradores para alimentar um display de cristal líquido.


Com futuras otimizações, escreve a equipe das universidades de Nanjing e Huazhong, o gerador a água poderia ser usado para alimentar equipamentos de esterilização e para purificar ou dessalinizar a água em regiões quentes do planeta.



Evaporação que gera energia
A fabricação de cada célula do gerador começa com a deposição de nanotubos de carbono de paredes múltiplas em um substrato de quartzo para criar dois eletrodos - o substrato tem cerca de 25 milímetros (mm) de comprimento e os eletrodos de 2 mm ficam posicionados em cada extremidade. A seguir é depositado negro de fumo - ou fuligem, pequenas partículas de carbono de cerca de 20 nanômetros de diâmetro - sobre todo o substrato, até uma espessura de cerca de 70 micrômetros. O aparelho a ser alimentado deve ser conectado por fios aos dois eletrodos.



Para começar a gerar energia, a célula é colocada em um copo com uma pequena quantidade de água desionizada, de modo a mergulhar apenas poucos milímetros da parte inferior do dispositivo. A ação capilar faz com que a água suba, atingindo uma altura de até 20 mm em cerca de 1 h. À medida que a água sobe através da célula, a tensão através dos eletrodos começa a subir, atingindo um valor de cerca de 1 V em 1 h.



Quando o gerador e o copo foram colocados em um ambiente fechado, do qual o vapor de água não podia escapar, a tensão caiu para zero em cerca de 15 minutos, recuperando-se rapidamente quando o ambiente foi ventilado. O fluxo de ar, que se sabe aumentar a evaporação, aumentou a tensão no dispositivo até 1,5 V. Por outro lado, um aumento na umidade ambiental baixou a tensão ao inibir a evaporação. Tomados em conjunto, escrevem os pesquisadores, essas observações confirmam que é a evaporação a responsável pela geração da eletricidade.


Mas desvendar o processo propriamente dito exigiu um estudo mais aprofundado, usando espectroscopia de infravermelho. Os dados sugerem que a energia elétrica é criada através de um processo eletroquímico chamado corrente de fluxo, que ocorre quando um eletrólito é movido por um gradiente de pressão através de um canal ou poro - a água se movendo pelos nanotubos ou pelos canais do negro de fumo.


Otimização
Para testar o lado mais prático do seu gerador de eletricidade evaporativo, a equipe conectou quatro células em série, criando uma fonte de energia que disponibiliza cerca de 380 nA a 4,8 V. Isto foi suficiente para alimentar uma pequena tela de cristal líquido.
A equipe afirma que o desempenho do dispositivo poderá ser melhorado através da otimização dos processos de evaporação e do fluxo da água pelo material de carbono.

Bibliografia:

Water-evaporation-induced electricity with nanostructured carbon materials
Guobin Xue, Ying Xu, Tianpeng Ding, Jia Li, Jun Yin, Wenwen Fei, Yuanzhi Cao, Jin Yu, Longyan Yuan, Li Gong, Jian Chen, Shaozhi Deng, Jun Zhou, Wanlin Guo
Nature Nanotechnology
DOI: 10.1038/nnano.2016.300

300 baleias morrem encalhadas na Nova Zelândia


Equipes de resgate estão lutando para manter vivas as sobreviventes à espera da subida da maré



Auckland (Nova Zelândia)
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As baleias mortas na praia em Farewell Spit, na sexta-feira. AFP
Várias centenas de baleias-piloto foram encontradas mortas na sexta-feira na Nova Zelândia depois que mais de 400 delas ficaram encalhadas na remota baía Golden, no noroeste da Ilha Sul, informou a imprensa local. É um dos maiores incidentes de baleias encalhadas conhecido no país.


Fontes do Ministério de Conservação indicaram à rede TVNZ que a estimativa é que morreram cerca de 300 cetáceos de um total de 416 que ficaram encalhados na noite passada em uma área arenosa conhecida como Farewell Spit. Equipes de resgate estão lutando contra o relógio para manter vivas as sobreviventes à espera da subida da maré, enquanto vigiam a situação das que conseguiram sair flutuando.


No entanto, Andrew Lamason, diretor regional do Departamento de Conservação, admitiu que o panorama era sombrio, porque a maioria das mais de 100 baleias que tinham voltado a flutuar na maré alta tinham retornado e encalhado novamente.


Em fevereiro de 2015 foi organizada uma operação para tentar salvar 200 baleias-piloto que ficaram encalhadas na mesma área de Farewell Spit, mas não impediu que a maioria morresse no local. O maior suicídio coletivo de baleias em uma praia aconteceu em 1918, quando 1.000 baleias encalharam nas remotas ilhas Chatham; o segundo incidente em termos numéricos ocorreu em 1985 em Auckland, com 450 baleias encalhadas.
 
Uma turista observa uma baleia bebê morta na areia. REUTERS
São desconhecidas as razões pelas quais essas baleias ficaram encalhadas, apesar de que a baía Golden, que tem águas rasas, é conhecida por estes incidentes. A baleia-piloto, também chamada Caldeirão, é um exemplar com a frente abaulada e o corpo robusto que pode ter entre seis ou sete metros de comprimento.


Farewell Spit, cerca de 150 quilômetros a oeste da cidade turística de Nelson, já foi testemunha de pelo menos nove incidentes parecidos desta espécie na última década, embora este último seja, de longe, o maior.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Espécie de lagarto pode 'despir' sua pele para fugir de predadores


Por Mariëtte Le Roux
AFP

Foto sem data obtida da publicação científica PeerJ em 8 de fevereiro de 2017 mostra espécie de lagarto Geckolepis Megalepis

Uma espécie de gecko (família de lagartos) recém-descoberta possui uma aptidão surpreendente: para fugir de seus predadores, o animal pode abandonar suas escamas e sua pele, que voltarão a crescer dentro de poucas semanas, revelaram cientistas nesta quarta-feira.

Geckolepis megalepis in life. Image credit: Frank Glaw.
Muitos lagartos podem se separar da sua cauda se esta for agarrada por um predador, mas esta espécie recém-descoberta (Geckolepis megalepis), de Madagascar, vai além para sobreviver.


Esses pequenos lagartos possuem longas e duras escamas, que se desprendem com uma "facilidade excepcional", o que lhes permite escapar da mandíbula de um predador, e conseguem se separar até mesmo da sua pele se for necessário, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica PeerJ.


Enquanto outras espécies de geckos podem perder sua pele quando são agarrados com muita força por um predador, os Geckolepis megalepis são capazes de fazer isso ao menor contato.


E, diferentemente das outras espécies de lagartos, que têm de esperar muito tempo para que suas escamas se regenerem, nos Geckolepis megalepis esse processo leva apenas algumas semanas.



Os cientistas acreditam que esse mecanismo de regeneração, ainda pouco compreendido, poderia ser aplicado na medicina regenerativa - por exemplo, para fazer membros amputados voltarem a crescer - e estão fazendo pesquisas nesse campo.

Empresário indonésio declara guerra ao plástico

(Arquivos) Turista caminha na praia de Kuta, em Bali, em meio a lixo acumulado na areia, no dia 19 de dezembro de 2016

Por Megan SUTHERLAND
AFP

Os turistas que visitam Bali levam a recordação de suas águas cristalinas, mas nas praias da Indonésia também se amontoam montanhas de plástico, uma praga que um empresário combate fabricando bolsas e caixas ecológicas.


Kevin Kumala, de 32 anos, fundou uma empresa que produz recipientes de cana-de-açúcar e lantejoulas de amido, produtos biodegradáveis que não geram resíduos tóxicos.


"Eu, que sou apaixonado por mergulho e surfe, encontro essa poluição de material plástico diante dos meus olhos", conta Kumala à AFP ao explicar o que o levou a se lançar na fabricação de substitutos biodegradáveis com sua companhia Avani Eco, que significa Eco Terra.


O problema da contaminação gerada pelo plástico em Bali é tamanho que "é preciso fazer alguma coisa", diz.


A Indonésia pode acabar em uma situação crítica devido ao acúmulo de dejetos plásticos em um país com um crescimento rápido e quase sem alternativas ecológicas.


Os rios e mares deste arquipélago de 17.000 ilhas e ilhotas estão cobertos por dejetos que provocam a morte de espécies marinhas e aumentam o risco de inundações.


Em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, 40 das maiores empresas globais acordaram em desenvolver formas mais limpas de produzir e usar o material para evitar que os oceanos contaminados cheguem um dia a conter mais plástico do que peixes pela falta de medidas para enfrentar o problema.


'Esperança'
O produto mais popular da Avani Eco é uma bolsa à base de mandioca. Cada peça é vendida com uma mensagem impressa em letras maiúsculas: "NÃO SOU PLÁSTICO".


Para demonstrar que suas bolsas não são nocivas, o empresário se presta a um experimento: pega uma parte de mandioca de uma bolsa, a coloca em um copo de água fervente e observa como se dissolve rapidamente. Chega, inclusive, a beber alguns goles.


"Isto dá esperança aos animais marinhos. Não se asfixiam, nem ingerem materiais que podem ser perigosos", diz Kumala.


Uma bolsa de mandioca custa 4.000 rúpias (por volta de 32 centavos de dólar), mais que uma fabricada a partir de derivados de petróleo, que levam até 400 anos para se decompor totalmente. As da Avanti Eco levam meses e se diluídas em água, o processo é instantâneo, afirma Kumala.


'A Ásia se afoga'
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lamentou em um relatório de 2015 que os plásticos ecológicos não consigam reduzir a quantidade esperada de detritos deste material nos mares do planeta.


A destinação do plástico ecológico engloba os procedentes de recursos naturais, como a cana-de-açúcar e o milho, e outros biodegradáveis.


São "soluções inovadoras" mas "ainda não sabemos o suficiente sobre esta tecnologia", observa Habib el Habr, um encarregado do Pnuma.


Na Indonésia, a coleta de lixo e os sistemas de eliminação são insuficientes para fazer frente ao uso do plástico, que não para de aumentar.


As autoridades não destinam ajuda pública ao tratamento dos resíduos de plástico, mas preveem impor às lojas a obrigação de que os consumidores paguem pelas sacolas de plástico convencionais, uma medida eficaz em outros países, diz um encarregado do ministério indonésio do Meio Ambiente, Tuti Hendrawati Mintarsih.


Apesar dos desafios, Kumala está convencido de que se pode remediar o problema. "Toda a Ásia se afoga em um oceano de contaminação plástica", lamenta.